Oliveira: “Os resíduos geram um alto custo para as grandes indústrias, que não têm o que fazer com eles e os armazenam em galpões”.
Um estudo conduzido no Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB) mostrou que é possível reduzir a quantidade de lixo industrial nos rios de uma forma simples e com um material de baixo custo, a serragem. Durante a pesquisa, o produto levou o percentual de metais pesados, liberados por duas empresas, aos níveis aceitáveis pela legislação.
No primeiro caso, a serragem da madeira fez com que os 2,7 miligramas de chumbo por litro liberados por uma fábrica de baterias para carros, situada no Distrito Federal, caíssem para 0,4 mg/L. O chumbo integra a composição das placas das baterias, mas também é comum nos setores de tintas, automotivos e ferragens.
Na outra situação analisada, referente a uma linha de produção de couro no Rio Grande do Sul, os dados também foram animadores. De 2,11 mg/L a concentração de cromo passou para 0,5 mg/L. A substância é empregada com o objetivo de dar ao couro o aspecto mais vistoso, uma vez que, na forma natural, sua coloração é esbranquiçada.
O resultado foi comemorado pelo autor do estudo, o químico Augusto Hosanna de Oliveira. “Conseguimos obter a extração de metais pesados com algo novo”, diz. Nas duas situações, o percentual ficou abaixo dos 0,5 mg/L estipulados pela portaria 357/05 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama/MMA).
A preocupação com o controle na emissão dos subprodutos dessas empresas é fundamental, pois tanto o chumbo quanto o cromo são extremamente danosos ao meio ambiente e à saúde, além de não se degradarem com o passar dos anos. “Ambos são cumulativos no organismo. O principal problema causado por eles é o câncer, e o chumbo é ainda pior porque atua no sistema nervoso central”, explica o professor Alexandre Prado, que orientou o trabalho.
A pesquisa foi realizada com resíduos de três tipos de madeiras, a maçaranduba, o ipê e o pequiá, provenientes de cargas apreendidas na Amazônia e doadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que propôs o estudo.
Prado explica que o produto florestal funcionou por ser rico em compostos que interagem facilmente com metais, como é o caso do tanino, cuja função nas plantas é atuar como defesa química contra animais, insetos e organismos patogênicos. Isso lhe confere a capacidade de agir como uma esponja e, assim, “capturar” os subprodutos lançados no ambiente.
Esse, no entanto, não é o único benefício do uso da serragem. É possível, ainda, reaproveitar o material seco, já impregnado do chumbo e do cromo, na fabricação de placas de MDF em móveis, por exemplo. Embora os metais sejam tóxicos na fase líquida, perdem essa propriedade em fase sólida.
Segundo Oliveira, a estratégia elimina um dos problemas enfrentados pelas fábricas atualmente, que é dar destinação ao lixo industrial, também conhecido como passivo ambiental. “Os resíduos geram um alto custo para as grandes indústrias, que não têm o que fazer com eles e os armazenam em galpões”, diz.
As exceções ficam por conta de grupos empresariais que conseguem reaproveitar o resíduo de um empreendimento em outro, como ocorre com uma indústria de alumínio de grande porte instalada no Brasil, que reutiliza os subprodutos na fabricação de cimento.
Daqui em diante, Oliveira e Prado esperam reproduzir o experimento em escala maior, ou seja, no ambiente onde funciona uma empresa. Mas até que a tecnologia esteja disponível no mercado, será preciso a atuação de engenheiros na criação de equipamentos e estruturas, tais como filtros ou tanques que insiram a serragem no processo.
As perspectivas são boas, pois o uso da serragem reduziria os custos de filtragem dos poluentes lançados na natureza e poderia estimular um maior cuidado ambiental. Muitas empresas não adotam os procedimentos de limpeza por serem caros. Chegam a US$ 1 para cada 9 mg de resíduo. “É preciso operacionalizar o sistema para calcular os custos”, afirma o professor. “Mas com certeza seria muito mais barato por causa do material empregado.”
A pesquisa teve apoio da Universidade Católica de Brasília (UCB), que cedeu a infra-estrutura do Laboratório de Espectroscopia Atômica para as análises mais detalhadas.
Fabiana Vasconcellos - Secretaria de Comunicação da UnB.
Augusto Hosanna Assis de Oliveira é mestre em Química pela Universidade de Brasília (UnB). Graduou-se em Química pela Universidade Católica de Brasília (UCB).
Alexandre Gustavo Soares do Prado leciona no Instituto de Química (IQ) da UnB. É doutor em Ciências pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mestre em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP), mesma instituição pela qual se graduou em Química.
A Educação Ambiental e a informação como instrumentos de proteção e Desenvolvimento Sustentável
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Agua de Pelotas vai ser tratada como esgoto antes de entrar na ETA
Fazer tratamento de esgoto na água antes de que ela entre na Estação de Tratamento de Água (ETA) é uma das alternativas que o Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (RS) – Sanep – vai adotar para melhorar a qualidade do produto distribuído a cerca de 60% da população. Enquanto isto não se concretiza foi adotado o uso de permanganato de potássio e está sendo feita a desincrustração das redes com ortopolifosfato de sódio pois o manancial apresenta elevados teores de manganês.
Além disso, a idéia é informar a população sobre o que está acontecendo e porque soluções como estas têm que ser tomadas quando a qualidade dos recursos hídricos onde a água é captada começa a comprometer o tratamento. Durante a 6ª Semana Municipal da Água, que ocorrerá de 4 a 10 de outubro, será abordada, através dos técnicos do Departamento de Tratamento, a avaliação completa deste tratamento com os técnicos da empresa que dá a assessoria.
Segundo a bioquímica Isabel André, chefe do Departamento de Tratamento, desde fevereiro de 2005 o Sanep passou a enfrentar problemas com água turva (preta) que atingiu várias regiões da cidade, entre elas Porto, Navegantes, Fátima, Centro, Fragata, Py Crespo, Santa Terezinha e Lindóia.
Em junho de 2006 análises identificaram a causa da turbidez: altíssima concentração de manganês na água in natura captada para tratamento, da barragem Santa Bárbara, manancial represado e bastante eutrofizado. Na água bruta da represa Santa Bárbara foram encontradas até 6 mg/L de manganês. Em outras cidades que enfrentam o mesmo problema essa concentração atingia no máximo 1 mg/L.
Conforme a bioquímica as concentrações variam muito com a estratificação que ocorre no meio, concentração da carga orgânica dos afluentes que contribuem para a bacia de acumulação, etc. “A partir de então foram buscadas soluções para o tratamento da água, encontrando-se algumas alternativas: aeração, o que não deu resultados positivos; pré-cloração, não adotada porque poderia causar o inconveniente de formar outros compostos indesejáveis à água de consumo, em desacordo com a portaria 518/04”, conta Isabel.
Ela explica que a opção foi pelo tratamento com permanganato de potássio, dosado na entrada da água bruta que chega à planta de tratamento, por gravidade, com um tempo de contato de 7m30s, fazendo com que o produto oxide o metal e fique retido no processo de clarificação da planta de tratamento, evitando a entrada do manganês na rede de distribuição. “Esse tratamento é eficiente. Mas nos restava resolver os quilos de manganês depositados nas incrustações das redes, por serem bastante antigas, algumas com mais de 100 anos”.
Novos ensaios laboratoriais foram realizados, testando outros produtos químicos, entre eles o ortopolifosfato de sódio que atua como sequestrante de metais, mantendo-os em suspensão na forma solúvel, impedindo a deposição e possibilitando a remoção. Há três meses o SANEP deu inicio a dosagem desse produto diretamente na saída do tratamento dado à água na ETA Santa Bárbara.
O ortopolifosfato de sódio deverá ser aplicado ao longo de até dois anos, desincrustando as redes internamente, resultando também, no aumento da pressão da água. O acompanhamento deste processo será observado através de microfilmagens, feitas pela empresa que dá o assessoramento técnico, em três pontos distintos da rede. Foram escolhidos três pontos em uma mesma adutora, que possui diâmetro de 140 mm até 300 mm e material de PVC, fibrocimento e ferro, nessa mesma rede.
Foi feita uma primeira filmagem no momento do início da dosagem com o produto. Na primeira quinzena de outubro será realizada a segunda microfilmagem para observar o grau de eficácia do produto e a redução do problema. “Já constatamos melhorias através das análises laboratoriais semanais feitas em 60 pontos distintos da rede de distribuição e nas análises realizadas nas 24 h durante a condução do tratamento. Não foram detectados mais problemas e as reclamações que chegavam a Autarquia cessaram” informa a especialista do Sanep.
Paralelamente à aplicação do ortopolifosfato de sódio são dadas descargas - sangria - em vários pontos das redes, para que se possa manter a água distribuída dentro dos padrões determinados pela portaria 518/04. Para solucionar em definitivo o problema restam ainda outras iniciativas importantes que estão sendo providenciadas, entre elas: o conserto da adufa de fundo do manancial Santa Bárbara, que além de outras finalidades, é também de dar expurgo ao lodo colmatado e rico em micronutrientes capazes de causar a eutrofização, depositado ao longo de 42 anos, e que nunca foi descartado.
A outra, mais definitiva, será o tratamento através de ETE ou lagoa de estabilização biológica a fim de tratar o afluente da Sanga da Barbuda, que recebe esgoto doméstico e industrial a montante do manancial.
Fonte: Água online -revista digital.
Além disso, a idéia é informar a população sobre o que está acontecendo e porque soluções como estas têm que ser tomadas quando a qualidade dos recursos hídricos onde a água é captada começa a comprometer o tratamento. Durante a 6ª Semana Municipal da Água, que ocorrerá de 4 a 10 de outubro, será abordada, através dos técnicos do Departamento de Tratamento, a avaliação completa deste tratamento com os técnicos da empresa que dá a assessoria.
Segundo a bioquímica Isabel André, chefe do Departamento de Tratamento, desde fevereiro de 2005 o Sanep passou a enfrentar problemas com água turva (preta) que atingiu várias regiões da cidade, entre elas Porto, Navegantes, Fátima, Centro, Fragata, Py Crespo, Santa Terezinha e Lindóia.
Em junho de 2006 análises identificaram a causa da turbidez: altíssima concentração de manganês na água in natura captada para tratamento, da barragem Santa Bárbara, manancial represado e bastante eutrofizado. Na água bruta da represa Santa Bárbara foram encontradas até 6 mg/L de manganês. Em outras cidades que enfrentam o mesmo problema essa concentração atingia no máximo 1 mg/L.
Conforme a bioquímica as concentrações variam muito com a estratificação que ocorre no meio, concentração da carga orgânica dos afluentes que contribuem para a bacia de acumulação, etc. “A partir de então foram buscadas soluções para o tratamento da água, encontrando-se algumas alternativas: aeração, o que não deu resultados positivos; pré-cloração, não adotada porque poderia causar o inconveniente de formar outros compostos indesejáveis à água de consumo, em desacordo com a portaria 518/04”, conta Isabel.
Ela explica que a opção foi pelo tratamento com permanganato de potássio, dosado na entrada da água bruta que chega à planta de tratamento, por gravidade, com um tempo de contato de 7m30s, fazendo com que o produto oxide o metal e fique retido no processo de clarificação da planta de tratamento, evitando a entrada do manganês na rede de distribuição. “Esse tratamento é eficiente. Mas nos restava resolver os quilos de manganês depositados nas incrustações das redes, por serem bastante antigas, algumas com mais de 100 anos”.
Novos ensaios laboratoriais foram realizados, testando outros produtos químicos, entre eles o ortopolifosfato de sódio que atua como sequestrante de metais, mantendo-os em suspensão na forma solúvel, impedindo a deposição e possibilitando a remoção. Há três meses o SANEP deu inicio a dosagem desse produto diretamente na saída do tratamento dado à água na ETA Santa Bárbara.
O ortopolifosfato de sódio deverá ser aplicado ao longo de até dois anos, desincrustando as redes internamente, resultando também, no aumento da pressão da água. O acompanhamento deste processo será observado através de microfilmagens, feitas pela empresa que dá o assessoramento técnico, em três pontos distintos da rede. Foram escolhidos três pontos em uma mesma adutora, que possui diâmetro de 140 mm até 300 mm e material de PVC, fibrocimento e ferro, nessa mesma rede.
Foi feita uma primeira filmagem no momento do início da dosagem com o produto. Na primeira quinzena de outubro será realizada a segunda microfilmagem para observar o grau de eficácia do produto e a redução do problema. “Já constatamos melhorias através das análises laboratoriais semanais feitas em 60 pontos distintos da rede de distribuição e nas análises realizadas nas 24 h durante a condução do tratamento. Não foram detectados mais problemas e as reclamações que chegavam a Autarquia cessaram” informa a especialista do Sanep.
Paralelamente à aplicação do ortopolifosfato de sódio são dadas descargas - sangria - em vários pontos das redes, para que se possa manter a água distribuída dentro dos padrões determinados pela portaria 518/04. Para solucionar em definitivo o problema restam ainda outras iniciativas importantes que estão sendo providenciadas, entre elas: o conserto da adufa de fundo do manancial Santa Bárbara, que além de outras finalidades, é também de dar expurgo ao lodo colmatado e rico em micronutrientes capazes de causar a eutrofização, depositado ao longo de 42 anos, e que nunca foi descartado.
A outra, mais definitiva, será o tratamento através de ETE ou lagoa de estabilização biológica a fim de tratar o afluente da Sanga da Barbuda, que recebe esgoto doméstico e industrial a montante do manancial.
Fonte: Água online -revista digital.
Alternativas para implantar saneamento
Sistemas de baixo custo podem ajudar diminuir o déficit de saneamento.Ao investir apenas em grandes obras, os municípios deixam de fora pequenas estações de tratamento, wetlands, círculo de bananeiras, banheiro seco, entre outras alternativas tecnológicas que funcionam tanto em residências como em bairros inteiros. Estas alternativas, que têm a vantagem de terem baixo custo e de envolverem as comunidades locais em sua implementação e manutenção, poderiam diminuir o déficit de saneamento existente nas regiões de mananciais da Grande São Paulo.
Para complementar a Plataforma municipal para os mananciais da Grande São Paulo, o Instituto Socioambiental (ISA) pesquisou alternativas para a implantação de saneamento básico nas áreas produtoras de água da metrópole. Na região, apenas 74% dos 20 milhões de habitantes possuem rede de coleta de esgoto. Destes 20 milhões, somente 7 milhões têm tratamento de esgoto. Esse quadro demonstra que as alternativas escolhidas não têm sido eficientes, tanto por desconsiderar as especificidades locais quanto por seu alto valor e complexidade de implantação e manutenção.
A implantação de saneamento básico não deve estar pautada apenas na execução de grandes obras que afastam o tratamento do esgoto da sua fonte. Atualmente existe uma grande diversidade de alternativas técnicas de tratamento de saneamento próximas à fonte de esgoto. São sistemas simples, de eficiência comprovada, mais baratos e com maior eficiência em relação às alternativas tradicionais. Algumas destas alternativas, inclusive, podem gerar renda para as comunidades locais, além de envolver os moradores na sua construção, manutenção e monitoramento.
O novo marco legal de saneamento (Lei 11.445/07) prevê a adoção, por parte dos municípios, destas novas e alternativas formas de saneamento. Desta forma, todos os municípios podem fomentar e implantar tecnologias alternativas locais para sanear, recuperar e preservar seus mananciais. Contudo, ainda faltam investimentos e um interesse efetivo por parte das prestadoras e gestores municipais para implementar estes sistemas alternativos de saneamento.
Os atuais investimentos em saneamento e intervenções das prestadoras de serviço priorizam grandes estações de tratamento que afastam o esgoto de sua origem mas que, em geral, não apresentam resultados satisfatórios mensurados na melhoria da qualidade da água. O Programa Guarapiranga (projeto do governo de São Paulo para recuperar e proteger a bacia da Guarapiranga, realizado entre 1992 e 2000), por exemplo, se limitou a afastar o esgoto que corria a céu aberto em algumas áreas, mas não o coletou e o tratou integralmente. Ainda que algumas das áreas ocupadas precariamente tivessem tido melhorias urbanísticas com o afastamento do esgoto, que prejudicava a saúde e a qualidade de vida da população local, a falta de coleta integral e de tratamento fez com que o mesmo esgoto passasse a chegar em maior volume e com maior velocidade nos rios e córregos que deságuam na Guarapiranga, e também na própria represa, piorando a qualidade da água do manancial.
Além de investimentos pontuais em fossa sépticas, as prestadoras de serviço de saneamento não têm considerado os sistemas alternativos locais de tratamento nas áreas de mananciais. Em suas páginas na Internet, as prestadoras sequer consideram estas alternativas como opções às grandes estações de tratamento. Além disso, como as fossas sépticas foram implementadas sem a garantia de pós-tratamento, tornaram-se ineficiente e verdadeiros focos de contaminação de lençóis freáticos. A implantação de fossas sépticas, desde que feita de forma adequada com pós-tratamento é uma alternativa local de saneamento eficiente. Contudo, os sistemas alternativos de saneamento não se reduzem às fossas sépticas, existem diversas outras alternativas pouco exploradas no Brasil, em especial na RMSP, e que poderiam reverter ou atenuar o atual estado de degradação dos mananciais.
A nova Lei de Saneamento (Lei Federal 11.445/07) estimula a utilização de alternativas diferenciadas para a prestação de serviços de saneamento ao prever: o fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico, a promoção de alternativas de gestão que viabilizem a auto-sustentação econômica e financeira dos serviços e a utilização de tecnologias apropriadas, considerando a capacidade de pagamento dos usuários, a adoção de soluções graduais e progressivas, bem como a difusão dos conhecimentos gerados de interesse para o saneamento básico.
Existem diversas alternativas tecnológicas e instituições que podem contribuir com a implantação do saneamento e a maximização da auto-sustentação econômica do serviço. Estas alternativas são diferentes das soluções tradicionais tanto pelo tipo de tecnologia empregado, na sua maioria de baixo custo, quanto pela escala de tratamento, mais próxima da fonte de geração do esgoto e com o envolvimento da comunidade local na sua implantação e manutenção. A simplicidade de sua engenharia e os tipos de materiais utilizados geralmente permitem que não somente técnicos as compreendam, implantem e mantenham, mas tornam algo compreensível e acessível a um maior número de pessoas nas comunidades envolvidas.
Além da eficiência no tratamento, agregam-se às tecnologias alternativas valores ambientais da permacultura: a água é reutilizada, o esgoto vira adubo e em alguns casos os materiais naturais, dentre eles plantas com alto poder de absorção de matéria orgânica, como bananeiras, passam a fazer parte do espaço verde dos bairros e áreas de lazer da cidade. A permacultura, ou cultura permanente, é um conjunto de práticas que utilizam métodos ecologicamente saudáveis e economicamente viáveis, capazes de responder às necessidades básicas sem explorar ou poluir o meio ambiente, sendo auto-suficientes a longo prazo.
A pesquisa do ISA resultou em uma lista de alternativas que podem ser utilizadas para atender residências e bairros e outras para atender mais de um bairro, um município ou um conjunto de municípios. Em geral, todas as alternativas que podem ser adotadas por residências também podem ser ampliadas para atender pelo menos um bairro e, além de tratar o esgoto, melhorar o espaço público e garantir o reuso da água para diversas finalidades; o círculo de bananeiras, por exemplo, pode ser implantado em uma residência ou em uma praça e, além de tratar as águas cinzas (água de banho, pia e lavagens em geral) de todos os residentes de um bairro, contribui para manter a área verde por meio do adubo e irrigação, reutilizando a água tratada; os banheiros secos, por sua vez, podem atender uma residência ou mais pessoas servindo de banheiro público e também produzem adubo; a reciclagem de água através de filtros naturais e artificiais com materiais porosos, o sistema circuito fechado e as fossas sépticas também podem ser adotados como soluções e permitem que a água seja usada para limpeza doméstica (tanques, pias, vaso sanitário e chuveiro), irrigação de plantações, rega de plantas, sistemas de ar condicionado e usos industriais.
As soluções também podem visar atender maior número de habitantes, mantendo-se localizadas, possibilitando o reúso da água e tornar parte do espaço de lazer das cidades e/ou bairros: as pequenas estações de tratamento descentralizadas, os filtros percoladores, o reator seqüencial por bateladas e as wetlands são formas de tratamento de esgoto local com maior capacidade de tratamento (podendo atender um ou mais municípios) que permitem tratar minimamente a água para que possa ser lançada no corpo hídrico em condições adequadas, bem como a irrigação das plantas do jardim e árvores, sendo que as wetlands podem se transformar em verdadeiras áreas de lazer e parques.
Todas estas alternativas podem e devem ser fomentadas, estudadas e implantadas pelos municípios e prestadores de serviço de saneamento de forma direta ou mediante parceria com outras instituições. E, de acordo com o novo marco legal do saneamento, trata-se de um dever do município exercer este papel, garantindo a eficiência do tratamento considerando as especificidades locais e maiores benefício sociais e econômicos.
(Envolverde/Pauta Social)
Para complementar a Plataforma municipal para os mananciais da Grande São Paulo, o Instituto Socioambiental (ISA) pesquisou alternativas para a implantação de saneamento básico nas áreas produtoras de água da metrópole. Na região, apenas 74% dos 20 milhões de habitantes possuem rede de coleta de esgoto. Destes 20 milhões, somente 7 milhões têm tratamento de esgoto. Esse quadro demonstra que as alternativas escolhidas não têm sido eficientes, tanto por desconsiderar as especificidades locais quanto por seu alto valor e complexidade de implantação e manutenção.
A implantação de saneamento básico não deve estar pautada apenas na execução de grandes obras que afastam o tratamento do esgoto da sua fonte. Atualmente existe uma grande diversidade de alternativas técnicas de tratamento de saneamento próximas à fonte de esgoto. São sistemas simples, de eficiência comprovada, mais baratos e com maior eficiência em relação às alternativas tradicionais. Algumas destas alternativas, inclusive, podem gerar renda para as comunidades locais, além de envolver os moradores na sua construção, manutenção e monitoramento.
O novo marco legal de saneamento (Lei 11.445/07) prevê a adoção, por parte dos municípios, destas novas e alternativas formas de saneamento. Desta forma, todos os municípios podem fomentar e implantar tecnologias alternativas locais para sanear, recuperar e preservar seus mananciais. Contudo, ainda faltam investimentos e um interesse efetivo por parte das prestadoras e gestores municipais para implementar estes sistemas alternativos de saneamento.
Os atuais investimentos em saneamento e intervenções das prestadoras de serviço priorizam grandes estações de tratamento que afastam o esgoto de sua origem mas que, em geral, não apresentam resultados satisfatórios mensurados na melhoria da qualidade da água. O Programa Guarapiranga (projeto do governo de São Paulo para recuperar e proteger a bacia da Guarapiranga, realizado entre 1992 e 2000), por exemplo, se limitou a afastar o esgoto que corria a céu aberto em algumas áreas, mas não o coletou e o tratou integralmente. Ainda que algumas das áreas ocupadas precariamente tivessem tido melhorias urbanísticas com o afastamento do esgoto, que prejudicava a saúde e a qualidade de vida da população local, a falta de coleta integral e de tratamento fez com que o mesmo esgoto passasse a chegar em maior volume e com maior velocidade nos rios e córregos que deságuam na Guarapiranga, e também na própria represa, piorando a qualidade da água do manancial.
Além de investimentos pontuais em fossa sépticas, as prestadoras de serviço de saneamento não têm considerado os sistemas alternativos locais de tratamento nas áreas de mananciais. Em suas páginas na Internet, as prestadoras sequer consideram estas alternativas como opções às grandes estações de tratamento. Além disso, como as fossas sépticas foram implementadas sem a garantia de pós-tratamento, tornaram-se ineficiente e verdadeiros focos de contaminação de lençóis freáticos. A implantação de fossas sépticas, desde que feita de forma adequada com pós-tratamento é uma alternativa local de saneamento eficiente. Contudo, os sistemas alternativos de saneamento não se reduzem às fossas sépticas, existem diversas outras alternativas pouco exploradas no Brasil, em especial na RMSP, e que poderiam reverter ou atenuar o atual estado de degradação dos mananciais.
A nova Lei de Saneamento (Lei Federal 11.445/07) estimula a utilização de alternativas diferenciadas para a prestação de serviços de saneamento ao prever: o fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico, a promoção de alternativas de gestão que viabilizem a auto-sustentação econômica e financeira dos serviços e a utilização de tecnologias apropriadas, considerando a capacidade de pagamento dos usuários, a adoção de soluções graduais e progressivas, bem como a difusão dos conhecimentos gerados de interesse para o saneamento básico.
Existem diversas alternativas tecnológicas e instituições que podem contribuir com a implantação do saneamento e a maximização da auto-sustentação econômica do serviço. Estas alternativas são diferentes das soluções tradicionais tanto pelo tipo de tecnologia empregado, na sua maioria de baixo custo, quanto pela escala de tratamento, mais próxima da fonte de geração do esgoto e com o envolvimento da comunidade local na sua implantação e manutenção. A simplicidade de sua engenharia e os tipos de materiais utilizados geralmente permitem que não somente técnicos as compreendam, implantem e mantenham, mas tornam algo compreensível e acessível a um maior número de pessoas nas comunidades envolvidas.
Além da eficiência no tratamento, agregam-se às tecnologias alternativas valores ambientais da permacultura: a água é reutilizada, o esgoto vira adubo e em alguns casos os materiais naturais, dentre eles plantas com alto poder de absorção de matéria orgânica, como bananeiras, passam a fazer parte do espaço verde dos bairros e áreas de lazer da cidade. A permacultura, ou cultura permanente, é um conjunto de práticas que utilizam métodos ecologicamente saudáveis e economicamente viáveis, capazes de responder às necessidades básicas sem explorar ou poluir o meio ambiente, sendo auto-suficientes a longo prazo.
A pesquisa do ISA resultou em uma lista de alternativas que podem ser utilizadas para atender residências e bairros e outras para atender mais de um bairro, um município ou um conjunto de municípios. Em geral, todas as alternativas que podem ser adotadas por residências também podem ser ampliadas para atender pelo menos um bairro e, além de tratar o esgoto, melhorar o espaço público e garantir o reuso da água para diversas finalidades; o círculo de bananeiras, por exemplo, pode ser implantado em uma residência ou em uma praça e, além de tratar as águas cinzas (água de banho, pia e lavagens em geral) de todos os residentes de um bairro, contribui para manter a área verde por meio do adubo e irrigação, reutilizando a água tratada; os banheiros secos, por sua vez, podem atender uma residência ou mais pessoas servindo de banheiro público e também produzem adubo; a reciclagem de água através de filtros naturais e artificiais com materiais porosos, o sistema circuito fechado e as fossas sépticas também podem ser adotados como soluções e permitem que a água seja usada para limpeza doméstica (tanques, pias, vaso sanitário e chuveiro), irrigação de plantações, rega de plantas, sistemas de ar condicionado e usos industriais.
As soluções também podem visar atender maior número de habitantes, mantendo-se localizadas, possibilitando o reúso da água e tornar parte do espaço de lazer das cidades e/ou bairros: as pequenas estações de tratamento descentralizadas, os filtros percoladores, o reator seqüencial por bateladas e as wetlands são formas de tratamento de esgoto local com maior capacidade de tratamento (podendo atender um ou mais municípios) que permitem tratar minimamente a água para que possa ser lançada no corpo hídrico em condições adequadas, bem como a irrigação das plantas do jardim e árvores, sendo que as wetlands podem se transformar em verdadeiras áreas de lazer e parques.
Todas estas alternativas podem e devem ser fomentadas, estudadas e implantadas pelos municípios e prestadores de serviço de saneamento de forma direta ou mediante parceria com outras instituições. E, de acordo com o novo marco legal do saneamento, trata-se de um dever do município exercer este papel, garantindo a eficiência do tratamento considerando as especificidades locais e maiores benefício sociais e econômicos.
(Envolverde/Pauta Social)
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
ABES quer saneamento com gestão de resultados e norteada por indicadores
A prioridade da nova diretoria da ABES, comandada pela engenheira Cassilda Teixeira, será usar todo o seu poder de capacitação e de representação, através das seções regionais que a ABES mantém em praticamente todas as unidades da Federação. “A proposta é criar mecanismos que permitam uma gestão focada em resultados e norteada por indicadores, para execução rápida de bons projetos e, principalmente, com definições de metas claras para a conclusão das obras necessárias”, afirmou.
Segundo ela, é fundamental que os municípios e os estados capacitem seus técnicos e invistam fortemente em modelos de gestão eficientes para que a prestação de serviços à população seja a mais adequada possível e que a manutenção desta prestação seja feita de forma permanente e transparente.
A nova presidente da ABES explicou que o governo brasileiro também aderiu às Metas do Milênio, previstas pela ONU para 2015, mas o País ainda precisa incorporar ao universo atendido por serviços de saneamento ambiental quase 90 milhões de pessoas, sendo 10% (19 milhões) com abastecimento de água e cerca de 53% com coleta e tratamento de esgoto sanitário, hoje, quase 100 milhões de pessoas. O mais gravem destaca, é que a população cresceu nos últimos anos, e os serviços não acompanharam esse crescimento na proporção necessária.A falta de saneamento básico fez com que, nos últimos 10 anos, pelo menos cinco crianças morressem diariamente no Brasil, vítimas das chamadas doenças de veiculação hídrica, enquanto outras 1.000 eram internadas na rede pública de hospitais. As mais atingidas são as crianças com até 9 anos – cerca de 48,5% das vítimas – e idosos com mais de 60 anos, cujo índice de mortalidade chega 47,2% das vítimas. Somente no ano de 2005, em média, 400 crianças com até nove anos foram internadas diariamente no Brasil devido a diarréias.
Com representação através de seções estaduais em praticamente todas as unidades da Federação, a ABES foi criada há 42 anos e hoje é reconhecida como a principal e mais antiga entidade de saneamento ambiental do país.
Déficit sanitário no mundo
Na visão da engenheira sanitarista Cassilda Teixeira, que coordena a assessoria técnica da presidência da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, embora o saneamento tenha avançado no Brasil nesses últimos anos, o déficit de cobertura ainda é muito grande. "A questão do saneamento não é um privilégio triste somente do Brasil – é um dos maiores desafios mundiais", explica Cassilda Teixeira. De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) 2006 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a falta de acesso à água e serviços de esgoto mata uma criança a cada 19 segundos, em decorrência de diarréia. O estudo, intitulado "Além da escassez: poder, pobreza e a crise mundial da água", também mostra que, no ritmo atual, o mundo não conseguirá cumprir as Metas do Milênio, da ONU, que prevêem reduzir pela metade, até 2015, a proporção de pessoas que não desfrutam desses recursos.
Em termos de América Latina, a situação também é caótica – lembra a engenheira, baseando-se em dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) que estima que mais de 35% das crianças na região não têm acesso à água potável. De acordo com o estudo "O direito a um Ambiente Saudável para Crianças e Adolescentes: Um diagnóstico sobre América Latina e Caribe", o problema de acesso à água afeta ainda cerca de três em cada 10 adultos. Ainda segundo a Cepal, a falta de água potável pode agravar a mortalidade infantil e a desnutrição infantis. A pesquisa sugere a busca de soluções que possam integrar medidas conjuntas dos setores público e privado
Segundo ela, é fundamental que os municípios e os estados capacitem seus técnicos e invistam fortemente em modelos de gestão eficientes para que a prestação de serviços à população seja a mais adequada possível e que a manutenção desta prestação seja feita de forma permanente e transparente.
A nova presidente da ABES explicou que o governo brasileiro também aderiu às Metas do Milênio, previstas pela ONU para 2015, mas o País ainda precisa incorporar ao universo atendido por serviços de saneamento ambiental quase 90 milhões de pessoas, sendo 10% (19 milhões) com abastecimento de água e cerca de 53% com coleta e tratamento de esgoto sanitário, hoje, quase 100 milhões de pessoas. O mais gravem destaca, é que a população cresceu nos últimos anos, e os serviços não acompanharam esse crescimento na proporção necessária.A falta de saneamento básico fez com que, nos últimos 10 anos, pelo menos cinco crianças morressem diariamente no Brasil, vítimas das chamadas doenças de veiculação hídrica, enquanto outras 1.000 eram internadas na rede pública de hospitais. As mais atingidas são as crianças com até 9 anos – cerca de 48,5% das vítimas – e idosos com mais de 60 anos, cujo índice de mortalidade chega 47,2% das vítimas. Somente no ano de 2005, em média, 400 crianças com até nove anos foram internadas diariamente no Brasil devido a diarréias.
Com representação através de seções estaduais em praticamente todas as unidades da Federação, a ABES foi criada há 42 anos e hoje é reconhecida como a principal e mais antiga entidade de saneamento ambiental do país.
Déficit sanitário no mundo
Na visão da engenheira sanitarista Cassilda Teixeira, que coordena a assessoria técnica da presidência da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, embora o saneamento tenha avançado no Brasil nesses últimos anos, o déficit de cobertura ainda é muito grande. "A questão do saneamento não é um privilégio triste somente do Brasil – é um dos maiores desafios mundiais", explica Cassilda Teixeira. De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) 2006 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a falta de acesso à água e serviços de esgoto mata uma criança a cada 19 segundos, em decorrência de diarréia. O estudo, intitulado "Além da escassez: poder, pobreza e a crise mundial da água", também mostra que, no ritmo atual, o mundo não conseguirá cumprir as Metas do Milênio, da ONU, que prevêem reduzir pela metade, até 2015, a proporção de pessoas que não desfrutam desses recursos.
Em termos de América Latina, a situação também é caótica – lembra a engenheira, baseando-se em dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) que estima que mais de 35% das crianças na região não têm acesso à água potável. De acordo com o estudo "O direito a um Ambiente Saudável para Crianças e Adolescentes: Um diagnóstico sobre América Latina e Caribe", o problema de acesso à água afeta ainda cerca de três em cada 10 adultos. Ainda segundo a Cepal, a falta de água potável pode agravar a mortalidade infantil e a desnutrição infantis. A pesquisa sugere a busca de soluções que possam integrar medidas conjuntas dos setores público e privado
Legislação brasileira sobre poluição do ar precisa ser revista
Thiago Romero - Agência FAPESP.
A legislação brasileira que regulamenta os parâmetros de emissão de gases poluidores na atmosfera foi criada no início da década de 1990, mas 70% do conhecimento científico em poluição e saúde no país foi produzido após essa data.
A preocupante contradição foi apontada por Paulo Afonso de André, pesquisador do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo, durante o 15º Congresso Brasileiro de Meteorologia, evento promovido pela Sociedade Brasileira de Meteorologia.
“Ao pesquisarmos em publicações científicas, focando no tema da poluição e saúde, concluímos, pelo número de artigos encontrados, que a legislação ambiental atual, que precisa de atualização, foi produzida com o conhecimento gerado até o fim da década de 1980, que representa menos de 1/3 do que se sabe hoje sobre o assunto”, disse André à Agência FAPESP, logo após proferir a palestra “Meteorologia urbana e saúde”.
A legislação ambiental em vigor no país, segundo ele, determina os parâmetros de qualidade do ar que devem ser monitorados, entre os quais a exposição ao material particulado (PM, na sigla em inglês), uma mistura de partículas líquidas e sólidas em suspensão no ar classificadas de acordo com o seu diâmetro. A norma ambiental determina como máxima a exposição a partículas inaláveis PM 10, que têm diâmetro inferior a 10 mícrons.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), por outro lado, recomenda o monitoramento da qualidade do ar nas grandes cidades por meio de partículas em concentrações PM 2,5, entre outros parâmetros. “Esse valor ainda não é considerado pela legislação brasileira, apesar de, para a comunidade científica, ser uma realidade há mais de dez anos”, apontou.
André, que é coordenador do Núcleo de Equipamentos e Projetos do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da FMUSP, explicou que a maioria dos estudos de monitoramento ambiental no país já segue a concentração PM 2,5, pois se sabe que essa é a fração de poluição do ar capaz de penetrar no aparelho respiratório, podendo atingir os brônquios e os alvéolos pulmonares e causar doenças como asma, bronquite e enfisema pulmonar.
“Por outro lado, sabemos que boa parte das partículas inaláveis de PM 10 é retida pelos sistemas de defesa do organismo humano. Hoje, o PM 2,5 é mandatório nas pesquisas em saúde e, dependendo da revista científica, não é nem permitida a publicação de resultados de estudos com PM 10”, afirmou.
O pesquisador lembrou que, enquanto os cálculos científicos de risco da poluição do ar para a saúde humana são feitos com base em PM 2,5, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do governo de São Paulo, tem como base os instrumentos legais e segue o PM 10 como parâmetro de monitoramento da qualidade do ar das cidades.
“A Cetesb tem feito monitoramentos exploratórios em nível de aprendizado com base no PM 2,5, uma vez que todos sabem que aí reside um grave problema ambiental e que, esperamos em breve, a legislação brasileira deve mudar. Mas, por enquanto, a obrigação é monitorar seguindo o padrão legal de PM 10”, disse.
Segundo André, calcula-se que o PM 2,5 represente cerca de 50% das partículas inaláveis de PM 10. “A legislação ambiental precisa ser atualizada para que o monitoramento do ar seja realizado apenas com base nessa concentração prejudicial de interesse. Hoje, os resultados são mascarados em parte porque os órgãos competentes devem medir o elefante inteiro, enquanto apenas seu rabo causa o efeito prejudicial”, comparou.
Os pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP desenvolvem uma série de estudos sobre o assunto a partir do monitoramento das principais regiões metropolitanas do país. “São áreas que, invariavelmente, têm um perfil de poluição urbana devido à participação significativa da frota de veículos automotivos”, apontou.
Estima-se que a exposição à matéria particulada, mesmo em níveis considerados seguros pela legislação ambiental, esteja associada a aproximadamente 800 mil mortes anuais causadas por doenças cardiorrespiratórias em todo o mundo, principalmente em crianças e idosos, das quais 35 mil ocorrem na América Latina.
A legislação brasileira que regulamenta os parâmetros de emissão de gases poluidores na atmosfera foi criada no início da década de 1990, mas 70% do conhecimento científico em poluição e saúde no país foi produzido após essa data.
A preocupante contradição foi apontada por Paulo Afonso de André, pesquisador do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo, durante o 15º Congresso Brasileiro de Meteorologia, evento promovido pela Sociedade Brasileira de Meteorologia.
“Ao pesquisarmos em publicações científicas, focando no tema da poluição e saúde, concluímos, pelo número de artigos encontrados, que a legislação ambiental atual, que precisa de atualização, foi produzida com o conhecimento gerado até o fim da década de 1980, que representa menos de 1/3 do que se sabe hoje sobre o assunto”, disse André à Agência FAPESP, logo após proferir a palestra “Meteorologia urbana e saúde”.
A legislação ambiental em vigor no país, segundo ele, determina os parâmetros de qualidade do ar que devem ser monitorados, entre os quais a exposição ao material particulado (PM, na sigla em inglês), uma mistura de partículas líquidas e sólidas em suspensão no ar classificadas de acordo com o seu diâmetro. A norma ambiental determina como máxima a exposição a partículas inaláveis PM 10, que têm diâmetro inferior a 10 mícrons.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), por outro lado, recomenda o monitoramento da qualidade do ar nas grandes cidades por meio de partículas em concentrações PM 2,5, entre outros parâmetros. “Esse valor ainda não é considerado pela legislação brasileira, apesar de, para a comunidade científica, ser uma realidade há mais de dez anos”, apontou.
André, que é coordenador do Núcleo de Equipamentos e Projetos do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da FMUSP, explicou que a maioria dos estudos de monitoramento ambiental no país já segue a concentração PM 2,5, pois se sabe que essa é a fração de poluição do ar capaz de penetrar no aparelho respiratório, podendo atingir os brônquios e os alvéolos pulmonares e causar doenças como asma, bronquite e enfisema pulmonar.
“Por outro lado, sabemos que boa parte das partículas inaláveis de PM 10 é retida pelos sistemas de defesa do organismo humano. Hoje, o PM 2,5 é mandatório nas pesquisas em saúde e, dependendo da revista científica, não é nem permitida a publicação de resultados de estudos com PM 10”, afirmou.
O pesquisador lembrou que, enquanto os cálculos científicos de risco da poluição do ar para a saúde humana são feitos com base em PM 2,5, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do governo de São Paulo, tem como base os instrumentos legais e segue o PM 10 como parâmetro de monitoramento da qualidade do ar das cidades.
“A Cetesb tem feito monitoramentos exploratórios em nível de aprendizado com base no PM 2,5, uma vez que todos sabem que aí reside um grave problema ambiental e que, esperamos em breve, a legislação brasileira deve mudar. Mas, por enquanto, a obrigação é monitorar seguindo o padrão legal de PM 10”, disse.
Segundo André, calcula-se que o PM 2,5 represente cerca de 50% das partículas inaláveis de PM 10. “A legislação ambiental precisa ser atualizada para que o monitoramento do ar seja realizado apenas com base nessa concentração prejudicial de interesse. Hoje, os resultados são mascarados em parte porque os órgãos competentes devem medir o elefante inteiro, enquanto apenas seu rabo causa o efeito prejudicial”, comparou.
Os pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP desenvolvem uma série de estudos sobre o assunto a partir do monitoramento das principais regiões metropolitanas do país. “São áreas que, invariavelmente, têm um perfil de poluição urbana devido à participação significativa da frota de veículos automotivos”, apontou.
Estima-se que a exposição à matéria particulada, mesmo em níveis considerados seguros pela legislação ambiental, esteja associada a aproximadamente 800 mil mortes anuais causadas por doenças cardiorrespiratórias em todo o mundo, principalmente em crianças e idosos, das quais 35 mil ocorrem na América Latina.
SNIS mostra dados de menos de 10% dos municípios na área de resíduos
SNIS: muito ainda a avançar na área de resíduos sólidos.
A cobertura média da coleta de resíduos sólidos urbanos abrange um percentual superior a 90% da população urbana, em 215 dos 226 municípios pesquisados pelo Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS). É o que aponta o “Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos/2006”, lançado pela Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, do Ministério das Cidades, O Diagnóstico retrata as características e a situação da prestação dos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos em 247 municípios, de todos os estados brasileiros e mais o Distrito Federal. Em sua última versão, o Diagnóstico se referiu a 192 municípios.
As unidades de tratamento de resíduos sólidos cadastradas no SNIS totalizam 714, sendo 216 delas unidades de disposição em solo, ou seja, aterros sanitários (39,4%), aterros controlados (32,4%) ou lixões (28,2%). O destino final da massa coletada por 135 das 216 unidades de disposição em solo, que totaliza 11,7 milhões de toneladas, se dá em maior parte em aterros sanitários (61,4%), seguidos por aterros controlados (25%) e lixões (13,6%).
Há coleta seletiva em 55,9% dos municípios presentes na amostra, em geral sob a forma de coleta porta-a-porta. Já a coleta seletiva não formal – realizada por catadores – está presente em 83% dos municípios. Os catadores estão organizados em associações e cooperativas em 53% das cidades pesquisadas. A quantidade média de materiais recicláveis recuperados é de 2,8 quilos por habitante urbano, a cada ano, sendo: 44,3%, papel ou papelão; 27,6%, plásticos e 15,3% metais. Vidros representam 9,8% e outros totalizam 2,9%.
No que se refere ao pessoal, os municípios da amostra geram 1,7 emprego para cada 1.000 habitantes, sem considerar os temporários, assim divididos: 11,5% dedicando-se a atividades administrativas e gerenciais; 31,4% alocados no serviço de varrição; 27,5% alocados no serviço de coleta de resíduos domiciliares e públicos e 19,2% alocados nos serviços de capina. Com relação ao desempenho financeiro, 40,1% dos municípios não cobram pelos serviços de limpeza urbana, sendo que aqueles que cobram informaram que o valor médio verificado é de R$ 31,00/habitante/ano.
A cobertura média da coleta de resíduos sólidos urbanos abrange um percentual superior a 90% da população urbana, em 215 dos 226 municípios pesquisados pelo Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS). É o que aponta o “Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos Urbanos/2006”, lançado pela Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, do Ministério das Cidades, O Diagnóstico retrata as características e a situação da prestação dos serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos em 247 municípios, de todos os estados brasileiros e mais o Distrito Federal. Em sua última versão, o Diagnóstico se referiu a 192 municípios.
As unidades de tratamento de resíduos sólidos cadastradas no SNIS totalizam 714, sendo 216 delas unidades de disposição em solo, ou seja, aterros sanitários (39,4%), aterros controlados (32,4%) ou lixões (28,2%). O destino final da massa coletada por 135 das 216 unidades de disposição em solo, que totaliza 11,7 milhões de toneladas, se dá em maior parte em aterros sanitários (61,4%), seguidos por aterros controlados (25%) e lixões (13,6%).
Há coleta seletiva em 55,9% dos municípios presentes na amostra, em geral sob a forma de coleta porta-a-porta. Já a coleta seletiva não formal – realizada por catadores – está presente em 83% dos municípios. Os catadores estão organizados em associações e cooperativas em 53% das cidades pesquisadas. A quantidade média de materiais recicláveis recuperados é de 2,8 quilos por habitante urbano, a cada ano, sendo: 44,3%, papel ou papelão; 27,6%, plásticos e 15,3% metais. Vidros representam 9,8% e outros totalizam 2,9%.
No que se refere ao pessoal, os municípios da amostra geram 1,7 emprego para cada 1.000 habitantes, sem considerar os temporários, assim divididos: 11,5% dedicando-se a atividades administrativas e gerenciais; 31,4% alocados no serviço de varrição; 27,5% alocados no serviço de coleta de resíduos domiciliares e públicos e 19,2% alocados nos serviços de capina. Com relação ao desempenho financeiro, 40,1% dos municípios não cobram pelos serviços de limpeza urbana, sendo que aqueles que cobram informaram que o valor médio verificado é de R$ 31,00/habitante/ano.
Pesquisa avalia monitoramento da água
Por Sarah Fernandes, do Pnud
Uma pesquisa do governo federal vai apontar quais problemas técnicos e operacionais as companhias de abastecimento enfrentam para classificar a água como potável. O trabalho deve ser usado na proposta de mudança da norma que indica de quanto tem quanto tempo o produto deve ser analisado e estipula os teores máximos e mínimos das substâncias presentes na água para que ela seja apropriada ao consumo.
Os parâmetros de qualidade estão previstos na portaria 518, de 2004, que determina, por exemplo, a quantidade máxima de cloro, flúor e ferro na água. O governo pretende alterá-la no ano que vem, e por isso está fazendo uma série de estudos sobre o assunto.
Dados preliminares da pesquisa indicaram que as empresas têm dificuldade para fazer monitoramentos semestrais, mais complexos, mas cumprem a obrigação de analisar diariamente algumas substâncias. O levantamento mostrou também que faltam programas de financiamento para laboratórios de qualidade de água, mas que alguns prestadores de serviço fazem parceria com a prefeitura para contornar o problema.
“Com a reforma da portaria, são esperadas algumas mudanças relacionadas, por exemplo, aos valores máximos permitidos das substâncias presentes na água”, afirma a consultora da pesquisa, Adriana Cabral. “Alguns agrotóxicos que não podem estar presentes na água e por isso devem ter presença monitorada já não são mais usados. Em compensação outros foram adotados, mas não são monitorados”, exemplifica.
A pesquisa é realizada pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério das Cidades, por meio do Programa de Modernização do Setor Sanitário, que tem o apoio do PNUD. Ela deve ser concluída em outubro e está dividida em duas partes: controle, que avalia a estrutura e os recursos usados para medir as substâncias, e vigilância, para indicar a freqüência com que os testes devem ser feitos.
Serão avaliados cerca de 2 mil questionários, que foram enviados para empresas de saneamento, públicas e privadas. Também estão sendo realizadas visitas técnicas às companhias. Para verificar se o intervalo de monitoramento é suficiente, serão visitados municípios de dois Estados por região; a fim de avaliar a estrutura para controle da qualidade da água, serão visitados 78 municípios (três por Estado) e o Distrito Federal.
A equipe técnica foi a todos os Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e neste mês e setembro vai ao Norte e ao Nordeste.
(Envolverde/Pnud)
Uma pesquisa do governo federal vai apontar quais problemas técnicos e operacionais as companhias de abastecimento enfrentam para classificar a água como potável. O trabalho deve ser usado na proposta de mudança da norma que indica de quanto tem quanto tempo o produto deve ser analisado e estipula os teores máximos e mínimos das substâncias presentes na água para que ela seja apropriada ao consumo.
Os parâmetros de qualidade estão previstos na portaria 518, de 2004, que determina, por exemplo, a quantidade máxima de cloro, flúor e ferro na água. O governo pretende alterá-la no ano que vem, e por isso está fazendo uma série de estudos sobre o assunto.
Dados preliminares da pesquisa indicaram que as empresas têm dificuldade para fazer monitoramentos semestrais, mais complexos, mas cumprem a obrigação de analisar diariamente algumas substâncias. O levantamento mostrou também que faltam programas de financiamento para laboratórios de qualidade de água, mas que alguns prestadores de serviço fazem parceria com a prefeitura para contornar o problema.
“Com a reforma da portaria, são esperadas algumas mudanças relacionadas, por exemplo, aos valores máximos permitidos das substâncias presentes na água”, afirma a consultora da pesquisa, Adriana Cabral. “Alguns agrotóxicos que não podem estar presentes na água e por isso devem ter presença monitorada já não são mais usados. Em compensação outros foram adotados, mas não são monitorados”, exemplifica.
A pesquisa é realizada pelo Ministério da Saúde e pelo Ministério das Cidades, por meio do Programa de Modernização do Setor Sanitário, que tem o apoio do PNUD. Ela deve ser concluída em outubro e está dividida em duas partes: controle, que avalia a estrutura e os recursos usados para medir as substâncias, e vigilância, para indicar a freqüência com que os testes devem ser feitos.
Serão avaliados cerca de 2 mil questionários, que foram enviados para empresas de saneamento, públicas e privadas. Também estão sendo realizadas visitas técnicas às companhias. Para verificar se o intervalo de monitoramento é suficiente, serão visitados municípios de dois Estados por região; a fim de avaliar a estrutura para controle da qualidade da água, serão visitados 78 municípios (três por Estado) e o Distrito Federal.
A equipe técnica foi a todos os Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e neste mês e setembro vai ao Norte e ao Nordeste.
(Envolverde/Pnud)
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