Resíduos recicláveis vendidos pelas indústrias a empresas que reciclam poderão ficar isentos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). O propósito do projeto, que consta da agenda da reunião desta terça-feira (23) da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), é incentivar o aproveitamento de rejeitos industriais, melhorar as condições ambientais e gerar empregos.
De autoria da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), o projeto (PLS 510/09) considera resíduo reciclável o material resultante de bens de consumo industrializados descartados ou inservíveis, passível de reaproveitamento em novo ciclo de produção industrial e consumo. E define como empresa recicladora aquela cuja principal fonte de receitas seja a reciclagem de resíduos.
A renúncia fiscal prevista na matéria beneficiará empresas recicladoras nas quais a aquisição de resíduos recicláveis (bens rejeitados e sem serventia) represente pelo menos 70% do custo de matérias-primas usadas no novo processo produtivo.
Em defesa do projeto, Serys argumenta que o descarte inadequado de resíduos representa, em todo o mundo, séria ameaça ao meio ambiente, sendo fonte de graves impactos sobre a saúde das populações. Ela lembra que a dimensão do problema é de tal ordem que muitos países concedem compensação financeira àqueles que se dispõem a receber esses resíduos.
Na justificação do projeto, a senadora também alega que um efeito adicional da reciclagem é de caráter social: a geração de oportunidades de ocupação e de emprego para grande número de cidadãos que se encontram alijados do mercado formal de trabalho.
Favorável à aprovação do projeto, o relator, senador Renato Casagrande (PSB-ES), diz que a reciclagem possibilita menor intensidade na exploração de recursos naturais, pois viabiliza menor consumo de matérias-primas e de energia por unidade de produto, o que assegura maior eficiência na utilização desses recursos. Ao mesmo tempo, entende ele, a reciclagem reduz o volume de resíduos para descarte final e diminui a poluição.
A proposição estabelece que o Poder Executivo estimará a renúncia de receita decorrente dessa mudança e a incluirá no projeto de lei orçamentária que for apresentado depois que a norma estiver em vigor. Após exame na CMA, o projeto segue para exame da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), onde será deliberado em decisão terminativa.
Teresa Cardoso / Agência Senado
A Educação Ambiental e a informação como instrumentos de proteção e Desenvolvimento Sustentável
sexta-feira, 19 de março de 2010
Bactérias descontaminam água e solo.
por Fábio Reynol
Agência FAPESP – Por ser um solvente potente e não inflamável, o tetracloroetileno (PCE) começou a ser largamente utilizado em meados do século 20 em serviços de lavagem a seco, indústrias metalúrgicas, instalações militares e até em residências.
Com o tempo, entretanto, percebeu-se que o PCE havia se tornado um dos contaminantes ambientais mais frequentes, sendo encontrado em solos e em lençóis d’água e constituindo uma ameaça à saúde e ao meio ambiente.
O produto é altamente tóxico, potencialmente carcinógeno e se acumula no tecido de organismos vivos, podendo afetar o aparelho reprodutor humano. O PCE é enquadrado na família dos produtos orgânicos persistentes, devido à sua resistência à degradação.
Um estudo feito na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em Piracicaba, e apoiado pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, mostrou a possibilidade de utilização de consórcios bacterianos para degradar o PCE.
Iniciado em 2006, o trabalho de pesquisa “Desenvolvimento de uma técnica de bioestímulo para a remediação de solo e água subterrânea contaminada com tetracloroetileno”, coordenado pelo professor Marcio Rodrigues Lambais, do Departamento de Ciência do Solo da Esalq, conseguiu alto índice de degradação do PCE (98%) em um tempo considerado bastante curto (cerca de 12 horas).
“Os resultados publicados na literatura especializada reportam taxas de degradação em torno de 80% de degradação do PCE após um período entre 15 e 20 dias”, comparou Lambais.
Um dos segredos da rapidez da descontaminação obtida pela equipe da USP está no processo utilizado, que emprega bactérias que se desenvolvem com a presença de ar. Apesar de pouco utilizado no Brasil, o método de descontaminação por bactérias aeróbias apresenta outra vantagem: a praticidade.
“Geralmente, os organismos anaeróbios [que vivem na ausência de oxigênio] são sensíveis ao ar, o que dificulta o seu manuseio e a aplicação em campo”, explicou o professor. Para desenvolver a pesquisa, o grupo localizou uma área contaminada na capital paulista, de onde retirou amostras de água para serem testadas em laboratório.
Com a água, o grupo levou também amostras de sedimento, das quais isolou as bactérias locais. Esses organismos passaram por triagem para selecionar aqueles com potencial de degradação do PCE. Os pesquisadores utilizaram espécies de Microbacterium, Stenotrophomonas, Exiguobacterium, Bacillus, Acinetobacter, Pseudomonas e Cupriavidus, dentre outras bactérias.
A utilização de microrganismos locais é importante, de acordo com Lambais, uma vez que eles já estariam adaptados ao ambiente contaminado. “Introduzir novas bactérias em um ambiente contaminado e mantê-las ativas não é uma tarefa trivial, pois as bactérias introduzidas normalmente apresentam baixa capacidade de colonização do novo ambiente e, na maioria das vezes, acabam morrendo”, afirmou.
Para contornar o problema da baixa densidade populacional de bactérias capazes de degradar o PCE, a solução foi enriquecer as comunidades microbianas locais em laboratório utilizando um reator horizontal de leito fixo (RHLF).
Bactérias locais
Os consórcios bacterianos selecionados se mostraram extremamente eficientes na degradação do produto e ainda geraram subprodutos menos nocivos durante o processo, em relação ao processo anaeróbio descrito na literatura.
“Os processos convencionais de degradação do PCE geraram cloreto de vinila, que é altamente tóxico e se dispersa facilmente na água subterrânea. Em nosso processo, em vez de cloreto de vinila foi produzido clorofórmio, que, apesar de tóxico, é facilmente biodegradado”, explicou Lambais.
A técnica de remediação utilizada pela equipe da Esalq pode ser aplicada em campo de duas maneiras: injetando a biomassa cultivada em laboratório diretamente na água ou bombeando a água contaminada para dentro do RHLF. As bactérias presentes no interior do reator eliminam o PCE da água, que pode ser devolvida limpa ao ambiente.
A utilização de um reator, segundo os pesquisadores, proporciona um controle maior da remediação e de sua efetividade. O sistema permite até ajustar as características químicas da água a fim de propiciar condições mais favoráveis para a atuação das bactérias.
Nesse sistema, as bactérias não têm contato com o ambiente externo. “Os organismos não saem do reator”, afirmou Lambais. A equipe não fez um levantamento de custos comparativo entre os dois métodos, mas a rapidez e o alto grau de limpeza alcançados coloca a técnica como uma eficiente alternativa para processos de remediação de água subterrânea contaminada.
Outras alternativas de remediação, como a extração de vapores e adsorção em carvão ativado, chegam a apresentar bons índices de retirada de contaminantes, mas o resultado é um subproduto indesejável, o qual precisa ser destinado a aterros sanitários.
“Nos processos físico-químicos de remediação, com a extração de vapores e adsorção em filtros, o PCE é retirado da água contaminada e transferido para o carvão ativado que fica contaminado, devendo ser disposto em aterros adequados”, disse Lambais. Por sua vez, a técnica de biorremediação degrada o contaminante, não deixando subprodutos tóxicos.
A equipe pretende agora detalhar bioquimicamente o processo de degradação aeróbia do PCE e identificar cada subproduto oriundo desse processo. Esse trabalho está sendo feito pelo doutorando Rafael Dutra de Armas.
Armas participa dessa pesquisa desde 2006 quando iniciou o seu mestrado, o qual contou com bolsa da FAPESP e resultou na dissertação “Caracterização da comunidade bacteriana em água subterrânea contaminada por tetracloroetano e espécies associadas com sua degradação”.
Agora, durante o doutorado, o estudante pretende identificar quais bactérias participaram do processo de degradação do PCE. “Pode ter sido um consórcio microbiano ou um só organismo o responsável pela degradação”, disse Lambais.
Essa identificação deverá facilitar futuros trabalhos de remediação e economizar tempo, uma vez que serão investidos esforços no enriquecimento somente das bactérias envolvidas na degradação.
Agência FAPESP – Por ser um solvente potente e não inflamável, o tetracloroetileno (PCE) começou a ser largamente utilizado em meados do século 20 em serviços de lavagem a seco, indústrias metalúrgicas, instalações militares e até em residências.
Com o tempo, entretanto, percebeu-se que o PCE havia se tornado um dos contaminantes ambientais mais frequentes, sendo encontrado em solos e em lençóis d’água e constituindo uma ameaça à saúde e ao meio ambiente.
O produto é altamente tóxico, potencialmente carcinógeno e se acumula no tecido de organismos vivos, podendo afetar o aparelho reprodutor humano. O PCE é enquadrado na família dos produtos orgânicos persistentes, devido à sua resistência à degradação.
Um estudo feito na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em Piracicaba, e apoiado pela FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, mostrou a possibilidade de utilização de consórcios bacterianos para degradar o PCE.
Iniciado em 2006, o trabalho de pesquisa “Desenvolvimento de uma técnica de bioestímulo para a remediação de solo e água subterrânea contaminada com tetracloroetileno”, coordenado pelo professor Marcio Rodrigues Lambais, do Departamento de Ciência do Solo da Esalq, conseguiu alto índice de degradação do PCE (98%) em um tempo considerado bastante curto (cerca de 12 horas).
“Os resultados publicados na literatura especializada reportam taxas de degradação em torno de 80% de degradação do PCE após um período entre 15 e 20 dias”, comparou Lambais.
Um dos segredos da rapidez da descontaminação obtida pela equipe da USP está no processo utilizado, que emprega bactérias que se desenvolvem com a presença de ar. Apesar de pouco utilizado no Brasil, o método de descontaminação por bactérias aeróbias apresenta outra vantagem: a praticidade.
“Geralmente, os organismos anaeróbios [que vivem na ausência de oxigênio] são sensíveis ao ar, o que dificulta o seu manuseio e a aplicação em campo”, explicou o professor. Para desenvolver a pesquisa, o grupo localizou uma área contaminada na capital paulista, de onde retirou amostras de água para serem testadas em laboratório.
Com a água, o grupo levou também amostras de sedimento, das quais isolou as bactérias locais. Esses organismos passaram por triagem para selecionar aqueles com potencial de degradação do PCE. Os pesquisadores utilizaram espécies de Microbacterium, Stenotrophomonas, Exiguobacterium, Bacillus, Acinetobacter, Pseudomonas e Cupriavidus, dentre outras bactérias.
A utilização de microrganismos locais é importante, de acordo com Lambais, uma vez que eles já estariam adaptados ao ambiente contaminado. “Introduzir novas bactérias em um ambiente contaminado e mantê-las ativas não é uma tarefa trivial, pois as bactérias introduzidas normalmente apresentam baixa capacidade de colonização do novo ambiente e, na maioria das vezes, acabam morrendo”, afirmou.
Para contornar o problema da baixa densidade populacional de bactérias capazes de degradar o PCE, a solução foi enriquecer as comunidades microbianas locais em laboratório utilizando um reator horizontal de leito fixo (RHLF).
Bactérias locais
Os consórcios bacterianos selecionados se mostraram extremamente eficientes na degradação do produto e ainda geraram subprodutos menos nocivos durante o processo, em relação ao processo anaeróbio descrito na literatura.
“Os processos convencionais de degradação do PCE geraram cloreto de vinila, que é altamente tóxico e se dispersa facilmente na água subterrânea. Em nosso processo, em vez de cloreto de vinila foi produzido clorofórmio, que, apesar de tóxico, é facilmente biodegradado”, explicou Lambais.
A técnica de remediação utilizada pela equipe da Esalq pode ser aplicada em campo de duas maneiras: injetando a biomassa cultivada em laboratório diretamente na água ou bombeando a água contaminada para dentro do RHLF. As bactérias presentes no interior do reator eliminam o PCE da água, que pode ser devolvida limpa ao ambiente.
A utilização de um reator, segundo os pesquisadores, proporciona um controle maior da remediação e de sua efetividade. O sistema permite até ajustar as características químicas da água a fim de propiciar condições mais favoráveis para a atuação das bactérias.
Nesse sistema, as bactérias não têm contato com o ambiente externo. “Os organismos não saem do reator”, afirmou Lambais. A equipe não fez um levantamento de custos comparativo entre os dois métodos, mas a rapidez e o alto grau de limpeza alcançados coloca a técnica como uma eficiente alternativa para processos de remediação de água subterrânea contaminada.
Outras alternativas de remediação, como a extração de vapores e adsorção em carvão ativado, chegam a apresentar bons índices de retirada de contaminantes, mas o resultado é um subproduto indesejável, o qual precisa ser destinado a aterros sanitários.
“Nos processos físico-químicos de remediação, com a extração de vapores e adsorção em filtros, o PCE é retirado da água contaminada e transferido para o carvão ativado que fica contaminado, devendo ser disposto em aterros adequados”, disse Lambais. Por sua vez, a técnica de biorremediação degrada o contaminante, não deixando subprodutos tóxicos.
A equipe pretende agora detalhar bioquimicamente o processo de degradação aeróbia do PCE e identificar cada subproduto oriundo desse processo. Esse trabalho está sendo feito pelo doutorando Rafael Dutra de Armas.
Armas participa dessa pesquisa desde 2006 quando iniciou o seu mestrado, o qual contou com bolsa da FAPESP e resultou na dissertação “Caracterização da comunidade bacteriana em água subterrânea contaminada por tetracloroetano e espécies associadas com sua degradação”.
Agora, durante o doutorado, o estudante pretende identificar quais bactérias participaram do processo de degradação do PCE. “Pode ter sido um consórcio microbiano ou um só organismo o responsável pela degradação”, disse Lambais.
Essa identificação deverá facilitar futuros trabalhos de remediação e economizar tempo, uma vez que serão investidos esforços no enriquecimento somente das bactérias envolvidas na degradação.
terça-feira, 16 de março de 2010
Melhorar coleta de lixo ameniza transtornos causados pela chuva.
A época das chuvas traz preocupações para moradores das grandes cidades. Enchentes, deslizamentos e proliferação de vetores e doenças são consequências que atingem toda a população. Para a pesquisadora Débora Cynamon Kligerman, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), uma das principais medidas para amenizar os transtornos causados pelos temporais é melhorar a coleta de lixo. Segundo Débora, o planejamento moderno das cidades faz com que as águas de chuva escoem mais rapidamente para rios e lagoas.
Segundo a pesquisadora, outro grande problema é a falta de educação e consciência das pessoas, que continuam a jogar lixo de todos os tipos no chão e também os depositam em lugares indevidos
"Antigamente, as ruas não eram asfaltadas. Tinham cobertura de terra ou paralelepípedo. Os rios que cortam as cidades também não tinham paredes de concreto. Por serem superfícies lisas, o asfalto e o concreto não apresentam nenhum obstáculo que retenha o impacto da água. O que acontece é que, em casos de chuvas fortes, as águas ganham muita velocidade e chegam mais rápidas e potentes aos recursos hídricos, que, na maioria das vezes, acabam transbordando", explica.
Débora, que além de pesquisadora também é professora em cursos de especialização e de mestrado da Ensp e de outras instituições de ensino, utiliza diferentes materiais de apoio. Um deles é a Cartilha de Situações Emergenciais e Enchentes da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil. "O material é excelente e mostra uma importante articulação de trabalho. Traz a visão da vigilância ambiental junto com a vigilância epidemiológica", observa.
Segundo a pesquisadora, outro grande problema é a falta de educação e consciência das pessoas, que continuam a jogar lixo de todos os tipos no chão e também os depositam em lugares indevidos. "Isso gera dois grandes problemas: o entupimento dos canais que escoam as águas aos recursos hídricos e o aumento significativo da proliferação de vetores de doenças". Além dos pequenos lixos, como pedaços de papel, palitos de sorvete e outros que são jogados indiscriminadamente nas ruas e entopem bueiros, existe ainda deficiência na efetiva coleta de lixo nas cidades, principalmente em áreas faveladas.
"Normalmente, nas comunidades, o sistema de coleta não é feito de casa em casa, e sim de ponto em ponto nas caçambas localizadas em áreas estratégicas, pois elas não têm arruamentos e casas definidas. Isso acontece porque o caminhão de coleta não consegue entrar nas ruas e vielas, e a coleta também não é feita a contento. Essas caçambas ficam lotadas e os moradores começam a deixar o lixo no entorno das caçambas. A disposição, falta de coleta e destino inadequado do lixo aumentam a proliferação de ratos, baratas e outros vetores. E, depois das chuvas, a principal preocupação é com a leptospirose e o risco de uma epidemia dessa doença", apontou ela.
Alguns fatores para evitar esses problemas são: a ação permanente de controle de vetores, coleta adequada do lixo, uso de proteção individual em situações de risco, como luvas e botas, na limpeza de casas e estabelecimentos depois de enchentes, armazenagem correta de alimentos em locais à prova de roedores, vedação de rachaduras, vãos, frestas e buracos que favoreçam o acesso e a permanência de roedores nas edificações, limpeza e desinfecção da água do domicílio e a armazenagem adequada de entulhos e materiais de construção ou objetos em desuso que possam oferecer abrigo aos roedores. Além disso, o reflorestamento de margens de rios e encostas é essencial no auxílio à retenção da terra e na desaceleração do volume das águas.
Débora lembrou de outros problemas que acometem as grandes cidades: a sujeira e o entupimento dos recursos hídricos. "Nos casos de grande volume de chuvas, isso impede o escoamento das águas, o que resulta nas enchentes", explica. A pesquisadora destaca ainda que existem áreas de inundação, localidades que estão naturalmente abaixo do nível do mar e por isso ficam mais propensas a sofrer com as enchentes, dependendo da capacidade de escoamento do leito dos rios, como é o caso de Acari, Pavuna e também de alguns bairros dos municípios de Duque de Caxias e Nova Iguaçu. "Essas áreas naturais cumprem papel importante no amortecimento e na retenção das águas das enchentes" destaca ela.
(Envolverde/Plurale)
Segundo a pesquisadora, outro grande problema é a falta de educação e consciência das pessoas, que continuam a jogar lixo de todos os tipos no chão e também os depositam em lugares indevidos
"Antigamente, as ruas não eram asfaltadas. Tinham cobertura de terra ou paralelepípedo. Os rios que cortam as cidades também não tinham paredes de concreto. Por serem superfícies lisas, o asfalto e o concreto não apresentam nenhum obstáculo que retenha o impacto da água. O que acontece é que, em casos de chuvas fortes, as águas ganham muita velocidade e chegam mais rápidas e potentes aos recursos hídricos, que, na maioria das vezes, acabam transbordando", explica.
Débora, que além de pesquisadora também é professora em cursos de especialização e de mestrado da Ensp e de outras instituições de ensino, utiliza diferentes materiais de apoio. Um deles é a Cartilha de Situações Emergenciais e Enchentes da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil. "O material é excelente e mostra uma importante articulação de trabalho. Traz a visão da vigilância ambiental junto com a vigilância epidemiológica", observa.
Segundo a pesquisadora, outro grande problema é a falta de educação e consciência das pessoas, que continuam a jogar lixo de todos os tipos no chão e também os depositam em lugares indevidos. "Isso gera dois grandes problemas: o entupimento dos canais que escoam as águas aos recursos hídricos e o aumento significativo da proliferação de vetores de doenças". Além dos pequenos lixos, como pedaços de papel, palitos de sorvete e outros que são jogados indiscriminadamente nas ruas e entopem bueiros, existe ainda deficiência na efetiva coleta de lixo nas cidades, principalmente em áreas faveladas.
"Normalmente, nas comunidades, o sistema de coleta não é feito de casa em casa, e sim de ponto em ponto nas caçambas localizadas em áreas estratégicas, pois elas não têm arruamentos e casas definidas. Isso acontece porque o caminhão de coleta não consegue entrar nas ruas e vielas, e a coleta também não é feita a contento. Essas caçambas ficam lotadas e os moradores começam a deixar o lixo no entorno das caçambas. A disposição, falta de coleta e destino inadequado do lixo aumentam a proliferação de ratos, baratas e outros vetores. E, depois das chuvas, a principal preocupação é com a leptospirose e o risco de uma epidemia dessa doença", apontou ela.
Alguns fatores para evitar esses problemas são: a ação permanente de controle de vetores, coleta adequada do lixo, uso de proteção individual em situações de risco, como luvas e botas, na limpeza de casas e estabelecimentos depois de enchentes, armazenagem correta de alimentos em locais à prova de roedores, vedação de rachaduras, vãos, frestas e buracos que favoreçam o acesso e a permanência de roedores nas edificações, limpeza e desinfecção da água do domicílio e a armazenagem adequada de entulhos e materiais de construção ou objetos em desuso que possam oferecer abrigo aos roedores. Além disso, o reflorestamento de margens de rios e encostas é essencial no auxílio à retenção da terra e na desaceleração do volume das águas.
Débora lembrou de outros problemas que acometem as grandes cidades: a sujeira e o entupimento dos recursos hídricos. "Nos casos de grande volume de chuvas, isso impede o escoamento das águas, o que resulta nas enchentes", explica. A pesquisadora destaca ainda que existem áreas de inundação, localidades que estão naturalmente abaixo do nível do mar e por isso ficam mais propensas a sofrer com as enchentes, dependendo da capacidade de escoamento do leito dos rios, como é o caso de Acari, Pavuna e também de alguns bairros dos municípios de Duque de Caxias e Nova Iguaçu. "Essas áreas naturais cumprem papel importante no amortecimento e na retenção das águas das enchentes" destaca ela.
(Envolverde/Plurale)
segunda-feira, 15 de março de 2010
Dessalinização da água .
Menos de 3% da água do planeta Terra é doce, ou seja, possui um volume reduzido de sais que permite o seu consumo por seres humanos. Encontrada na natureza em fontes superficiais ou subterrâneas, esse volume, entretanto, não está devidamente espalhado, de forma a abastecer de maneira eqüitativa toda a população mundial.
Para piorar a situação, o aumento demográfico e a poluição comprometem ainda mais o uso dessa água, que pode acabar, se não forem tomadas medidas severas que promova o seu uso sustentado, garantindo assim sua renovação.
Uma das alternativas para as regiões que sofrem com a escassez de água doce é tratar a água salobra* e a água do mar. Para torná-las potáveis, ou seja, apropriada ao consumo humano, é necessário fazer a dessalinização.
* A água salobra apresenta alta concentração de sais e é muito comum nos aqüíferos subterrâneos do Nordeste Brasileiro.No Oriente Médio há grandes exemplos de águas salobras, como o Mar Morto e o Mar Cáspio.
O que é a dessalinização?
Dessalinização é um processo físico-químico de retirada de sais da água, tornando-a doce, ou potável.
Em todo o mundo são adotados quatro métodos diferentes para promover a conversão da água salgada em doce: A Osmose Inversa, a Destilação Multiestágios, a Dessalinização Térmica e o método por Congelamento.
Osmose inversa: Também conhecida como Osmose Reversa, ocorre quando se exerce forte pressão em uma solução salina. A água atravessa uma membrana semipermeável, dotada de poros microscópicos, responsáveis por reter os sais, os microorganismos e outras impurezas. Desta forma, o líquido puro se “descola” da solução salgada, ficando separado em outro local. As estações de dessalinização atuais utilizam tecnologia de ponta, com membranas osmóticas sintéticas.
Destilação Multiestágios: Neste processo, utiliza-se vapor em alta temperatura para fazer com que a água do mar entre em ebulição. A nomenclatura “multiestágios” se justifica por conta da passagem da água por diversas células de ebulição-condensação, garantindo um elevado grau de pureza. Neste processo, a própria água do mar é usada como condensador da água que é evaporada.
Dessalinização Térmica: É um dos processos mais antigos, imitando a circulação natural da água. O modo mais simples, a "destilação solar", é utilizada em lugares quentes, com a construção de grandes tanques cobertos com vidro ou outro material transparente. A luz solar atravessa o vidro, a água do líquido bruto evapora, os vapores se condensam na parte interna do vidro, transformando-se novamente em água, que escorre para um sistema de recolhimento. Dessa forma, separa-se a água de todos os sais e impurezas. Em lugares frios ou com carência de espaço, esse processo pode ser feito gerando-se calor através de energia. A melhor solução, neste caso, é a utilização de energia solar, que é mais barata, não consome recursos como petróleo e carvão e não agride o meio ambiente.
Congelamento: É um processo que ainda exige estudos de viabilidade e novas tecnologias. Nele, a água do mar ou salobra é congelada. Quando a congelamos, produzimos gelo puro, sem sal. Então através do congelamento/descongelamento obtêm-se água doce. Esse método não foi testado em larga escala, porém, existem propostas para a exploração das calotas polares (onde está boa parte da água doce do planeta) para obtenção de água pura. Mas isso é demasiadamente caro e só seria utilizado como última opção.
É viável dessalinizar água?
É viável para países que não possuem muitas reservas de água, como a Arábia Saudita, Israel e Kuwait, ou locais como a Ilha de Chipre, onde os lençóis freáticos foram reduzidos por conta da exploração exagerada. Em Chipre, a água do mar abastece a população e também serve para recuperar os lençóis.
É também uma alternativa para a tripulação de navios que ficam meses no mar ou para exploradores e cientistas que promovem pesquisas em regiões desprovidas de água doce.
Diversos governos e instituições investem em pesquisas para o desenvolvimento de processos de dessalinização que sejam eficientes, adequados às características regionais e que tenham um custo reduzido. Esse tipo de tratamento é muito mais caro que o convencional.
Fonte:Sabesp
Para piorar a situação, o aumento demográfico e a poluição comprometem ainda mais o uso dessa água, que pode acabar, se não forem tomadas medidas severas que promova o seu uso sustentado, garantindo assim sua renovação.
Uma das alternativas para as regiões que sofrem com a escassez de água doce é tratar a água salobra* e a água do mar. Para torná-las potáveis, ou seja, apropriada ao consumo humano, é necessário fazer a dessalinização.
* A água salobra apresenta alta concentração de sais e é muito comum nos aqüíferos subterrâneos do Nordeste Brasileiro.No Oriente Médio há grandes exemplos de águas salobras, como o Mar Morto e o Mar Cáspio.
O que é a dessalinização?
Dessalinização é um processo físico-químico de retirada de sais da água, tornando-a doce, ou potável.
Em todo o mundo são adotados quatro métodos diferentes para promover a conversão da água salgada em doce: A Osmose Inversa, a Destilação Multiestágios, a Dessalinização Térmica e o método por Congelamento.
Osmose inversa: Também conhecida como Osmose Reversa, ocorre quando se exerce forte pressão em uma solução salina. A água atravessa uma membrana semipermeável, dotada de poros microscópicos, responsáveis por reter os sais, os microorganismos e outras impurezas. Desta forma, o líquido puro se “descola” da solução salgada, ficando separado em outro local. As estações de dessalinização atuais utilizam tecnologia de ponta, com membranas osmóticas sintéticas.
Destilação Multiestágios: Neste processo, utiliza-se vapor em alta temperatura para fazer com que a água do mar entre em ebulição. A nomenclatura “multiestágios” se justifica por conta da passagem da água por diversas células de ebulição-condensação, garantindo um elevado grau de pureza. Neste processo, a própria água do mar é usada como condensador da água que é evaporada.
Dessalinização Térmica: É um dos processos mais antigos, imitando a circulação natural da água. O modo mais simples, a "destilação solar", é utilizada em lugares quentes, com a construção de grandes tanques cobertos com vidro ou outro material transparente. A luz solar atravessa o vidro, a água do líquido bruto evapora, os vapores se condensam na parte interna do vidro, transformando-se novamente em água, que escorre para um sistema de recolhimento. Dessa forma, separa-se a água de todos os sais e impurezas. Em lugares frios ou com carência de espaço, esse processo pode ser feito gerando-se calor através de energia. A melhor solução, neste caso, é a utilização de energia solar, que é mais barata, não consome recursos como petróleo e carvão e não agride o meio ambiente.
Congelamento: É um processo que ainda exige estudos de viabilidade e novas tecnologias. Nele, a água do mar ou salobra é congelada. Quando a congelamos, produzimos gelo puro, sem sal. Então através do congelamento/descongelamento obtêm-se água doce. Esse método não foi testado em larga escala, porém, existem propostas para a exploração das calotas polares (onde está boa parte da água doce do planeta) para obtenção de água pura. Mas isso é demasiadamente caro e só seria utilizado como última opção.
É viável dessalinizar água?
É viável para países que não possuem muitas reservas de água, como a Arábia Saudita, Israel e Kuwait, ou locais como a Ilha de Chipre, onde os lençóis freáticos foram reduzidos por conta da exploração exagerada. Em Chipre, a água do mar abastece a população e também serve para recuperar os lençóis.
É também uma alternativa para a tripulação de navios que ficam meses no mar ou para exploradores e cientistas que promovem pesquisas em regiões desprovidas de água doce.
Diversos governos e instituições investem em pesquisas para o desenvolvimento de processos de dessalinização que sejam eficientes, adequados às características regionais e que tenham um custo reduzido. Esse tipo de tratamento é muito mais caro que o convencional.
Fonte:Sabesp
Lixo no lugar certo.
Quem gera resíduos sólidos será responsável por sua destinação.
Um novo projeto de lei, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, acaba de ser aprovado pela Câmara dos Deputados. Se passar pelo Senado e a sanção presidencial, o Brasil dará um importante passo nesta área. Em outras palavras, aquele que gerar o resíduo será o responsável por dar a sua destinação final, apontou a ministra interina do Ministério do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
Com essa base legal para gestão dos resíduos sólidos, o País terá um ganho não só federal e estadual, mas sobretudo na instância municipal. É que a existência de uma política para o setor definirá as obrigações e deveres de cada um.
Segundo o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA, Silvano Silvério, a lei ampliará a reciclagem, eliminando os lixões. "O mais importante é que agora haverá outros responsáveis pela coleta de resíduos sólidos além dos municípios e catadores", destacou.
Vale ressaltar, entre as inovações da nova lei, o conceito de responsabilidade compartilhada em relação à destinação de resíduos. Fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e até os consumidores ficarão responsáveis, junto com os titulares dos serviços de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, pelo ciclo de vida completo dos produtos.
Em outras palavras, quem produz resíduo deve investir no desenvolvimento, na fabricação e na colocação no mercado de produtos que possam ser reciclados e cuja fabricação e uso gerem a menor quantidade possível de resíduos sólidos.
No caso das embalagens de agrotóxicos, por exemplo. Como após o uso elas são consideradas perigosas ao meio ambiente, necessariamente terão que fazer o “caminho de volta” à origem após a utilização.
Isso vale para outros produtos como pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, além de produtos eletroeletrônicos e seus componentes.
Quanto à coleta seletiva, o projeto também é enfático. Os serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos devem estabelecer um sistema de coleta seletiva, priorizando o trabalho de cooperativas de catadores de baixa renda. "Isso vai permitir a geração de emprego e renda a muitos catadores de materiais recicláveis do País", acrescentou Silvano.
Segundo a lei, os consumidores também ficam obrigados a acondicionar adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos gerados, bem como disponibilizar corretamente os materiais reutilizáveis e recicláveis para coleta e devolução.
Estão proibidos ainda o lançamento de resíduos sólidos ou rejeitos em praias, no mar ou em quaisquer corpos hídricos e in natura a céu aberto, exceto no caso da mineração.
Fonte:EPTV.com
Um novo projeto de lei, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, acaba de ser aprovado pela Câmara dos Deputados. Se passar pelo Senado e a sanção presidencial, o Brasil dará um importante passo nesta área. Em outras palavras, aquele que gerar o resíduo será o responsável por dar a sua destinação final, apontou a ministra interina do Ministério do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
Com essa base legal para gestão dos resíduos sólidos, o País terá um ganho não só federal e estadual, mas sobretudo na instância municipal. É que a existência de uma política para o setor definirá as obrigações e deveres de cada um.
Segundo o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA, Silvano Silvério, a lei ampliará a reciclagem, eliminando os lixões. "O mais importante é que agora haverá outros responsáveis pela coleta de resíduos sólidos além dos municípios e catadores", destacou.
Vale ressaltar, entre as inovações da nova lei, o conceito de responsabilidade compartilhada em relação à destinação de resíduos. Fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e até os consumidores ficarão responsáveis, junto com os titulares dos serviços de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, pelo ciclo de vida completo dos produtos.
Em outras palavras, quem produz resíduo deve investir no desenvolvimento, na fabricação e na colocação no mercado de produtos que possam ser reciclados e cuja fabricação e uso gerem a menor quantidade possível de resíduos sólidos.
No caso das embalagens de agrotóxicos, por exemplo. Como após o uso elas são consideradas perigosas ao meio ambiente, necessariamente terão que fazer o “caminho de volta” à origem após a utilização.
Isso vale para outros produtos como pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, além de produtos eletroeletrônicos e seus componentes.
Quanto à coleta seletiva, o projeto também é enfático. Os serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos devem estabelecer um sistema de coleta seletiva, priorizando o trabalho de cooperativas de catadores de baixa renda. "Isso vai permitir a geração de emprego e renda a muitos catadores de materiais recicláveis do País", acrescentou Silvano.
Segundo a lei, os consumidores também ficam obrigados a acondicionar adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos gerados, bem como disponibilizar corretamente os materiais reutilizáveis e recicláveis para coleta e devolução.
Estão proibidos ainda o lançamento de resíduos sólidos ou rejeitos em praias, no mar ou em quaisquer corpos hídricos e in natura a céu aberto, exceto no caso da mineração.
Fonte:EPTV.com
Aprovada a proposta de Política Nacional de Resíduos Sólidos.
A Câmara dos Deputados aprovou no final da noite de 10/3 a proposta de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)."Após 19 anos, finalmente, a Câmara dos deputados aprovou a legislação há tanto tempo requerida pelo setor ambiental e toda a sociedade.
Uma diretriz ambiental e socioeconômica para que o lixo, problema ambiental e social, se transforme em alternativa de geração de renda, empregos, oportunidades de negócios e de sustentabilidade", comemorou o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP).
Jardim foi presidente do Grupo de Trabalho (GTRESID) destinado a examinar o parecer proferido pela Comissão Especial ao Projeto de Lei nº 203, de 1991, que dispõe sobre o acondicionamento, a coleta, o tratamento, o transporte e a destinação final dos resíduos de serviços de saúde.
Nos últimos 20 meses, o GTRESID realizou várias atividades, das quais se destacam: audiências públicas, visitas técnicas, reuniões setoriais e diálogo intenso e permanente com a sociedade.
A proposta em questão reúne conceitos modernos de gestão de resíduos sólidos, entre elas: responsabilidade compartilhada; gestão integrada; inventário; sistema declaratório anual; acordos setoriais; ciclo de vida do produto; não-geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos, bem como disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos; logística reversa; princípios do direito ambiental; a elaboração de planos de gestão (em nível Nacional, dos Estados e Municípios) e de gerenciamento (pelo setor empresarial); e o destaque para a inclusão social por meio do fortalecimento das cooperativas de catadores.
"Debatemos o relatório na Frente Parlamentar Ambientalista, dialogamos com outros deputados, discutimos em congressos e seminários, alcançamos um consenso que reuniu os movimentos sociais (principalmente, cooperativas de catadores), setor empresarial (destaco o Lide Ambiental) e as entidades ambientalistas, em meio a um diálogo permanente com o Executivo", explica o deputado.
"Acredito que essa proposta, por reunir bases consistentes para a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, deve ter uma rápida tramitação no Senado, para depois ser sancionada pelo Presidente da República", finaliza Arnaldo Jardim.
Fonte: click aventura
Uma diretriz ambiental e socioeconômica para que o lixo, problema ambiental e social, se transforme em alternativa de geração de renda, empregos, oportunidades de negócios e de sustentabilidade", comemorou o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP).
Jardim foi presidente do Grupo de Trabalho (GTRESID) destinado a examinar o parecer proferido pela Comissão Especial ao Projeto de Lei nº 203, de 1991, que dispõe sobre o acondicionamento, a coleta, o tratamento, o transporte e a destinação final dos resíduos de serviços de saúde.
Nos últimos 20 meses, o GTRESID realizou várias atividades, das quais se destacam: audiências públicas, visitas técnicas, reuniões setoriais e diálogo intenso e permanente com a sociedade.
A proposta em questão reúne conceitos modernos de gestão de resíduos sólidos, entre elas: responsabilidade compartilhada; gestão integrada; inventário; sistema declaratório anual; acordos setoriais; ciclo de vida do produto; não-geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos, bem como disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos; logística reversa; princípios do direito ambiental; a elaboração de planos de gestão (em nível Nacional, dos Estados e Municípios) e de gerenciamento (pelo setor empresarial); e o destaque para a inclusão social por meio do fortalecimento das cooperativas de catadores.
"Debatemos o relatório na Frente Parlamentar Ambientalista, dialogamos com outros deputados, discutimos em congressos e seminários, alcançamos um consenso que reuniu os movimentos sociais (principalmente, cooperativas de catadores), setor empresarial (destaco o Lide Ambiental) e as entidades ambientalistas, em meio a um diálogo permanente com o Executivo", explica o deputado.
"Acredito que essa proposta, por reunir bases consistentes para a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, deve ter uma rápida tramitação no Senado, para depois ser sancionada pelo Presidente da República", finaliza Arnaldo Jardim.
Fonte: click aventura
Boa, mas difícil de cumprir.
A Lei Nacional de Saneamento Básico está em vigor há mais de três anos, mas nem todo o tempo transcorrido desde sua sanção foi suficiente para que uma de suas principais determinações se transformasse em realidade.
Essa lei, que define as diretrizes para a ação do poder público no setor, entre as quais o atendimento de todos os brasileiros com redes de abastecimento de água e de coleta de esgotos, que deverão ser tratados antes de serem devolvidos ao meio ambiente, estabeleceu que, para alcançar a meta da universalização, todas as prefeituras responsáveis pelos serviços de água e esgoto deveriam apresentar um plano municipal de saneamento básico até o fim deste ano. De acordo com a lei, somente os municípios que tiverem seus planos de saneamento básico aprovados pelas respectivas Câmaras Municipais no prazo poderão continuar recebendo recursos federais para obras nessa área.
O que se constata agora é que muito poucos municípios conseguirão cumprir o prazo. Não há ainda números oficiais, pois eles só serão conhecidos quando o Ministério das Cidades divulgar o novo Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos (o mais recente é de 2007, ano em que entrou em vigor a Lei Nacional de Saneamento Básico). Uma organização privada sem fins lucrativos que se dedica ao tema, o Instituto Trata Brasil, estima que "nem 300 cidades, de um total de 5.564 municípios em todo o País têm planos adequados", conforme declarou seu presidente executivo, Raul Pinho, ao jornal Valor.
Essa situação mostra que, ao fixar o prazo para a elaboração dos planos municipais, os autores da lei, embora com as melhores intenções ? entre as quais a de pressionar os municípios a se engajarem na batalha para levar o saneamento básico a toda a população e, desse modo, eliminarem um dos principais focos de doenças que elevam a taxa de mortalidade infantil no Brasil ?, não levaram em conta uma dura realidade administrativa e política do País. A grande maioria das prefeituras não tem condições financeiras nem dispõe de quadros técnicos para elaborar planos como os definidos na lei.
Além de necessário para permitir que os municípios recebam recursos federais, o plano municipal de saneamento é essencial para definir objetivos e metas, os meios para alcançar essas metas e as condições econômico-financeiras da operação do sistema, inclusive critérios para a fixação de tarifas.
Em São Paulo, muitas prefeituras renovaram os contratos de prestação de serviços com a Sabesp, que forneceu os elementos básicos para a elaboração dos planos municipais. Em Santa Catarina, o governo do Estado financiou a elaboração de planos de municípios com mais de 50 mil habitantes.
Os projetos do governo federal preveem grandes investimentos em saneamento básico. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal peça de propaganda do governo Lula e uma das principais peças da campanha da pré-candidata governista à Presidência, Dilma Rousseff, prevê a aplicação de R$ 10 bilhões por ano no período 2007-2010. É possível que, em 2011, o montante disponível na esfera federal para aplicação em saneamento básico chegue a R$ 11,4 bilhões, sendo R$ 5,3 bilhões do FGTS, R$ 2,5 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador e R$ 3,6 bilhões do Orçamento da União.
São esses recursos que milhares de municípios, embora carentes de serviços de saneamento básico, deixarão de receber se as regras atuais forem mantidas e o governo federal estiver disposto a cumpri-las. É provável, porém, que, como ocorreu em outras oportunidades, se chegue a uma falsa solução: a extensão, por um ano, do prazo para as prefeituras interessadas em receber recursos federais concluírem os planos. A prorrogação poderá ser autorizada pelo decreto de regulamentação da Lei Nacional de Saneamento Básico, cuja minuta está em exame no Palácio do Planalto.
Se isso ocorrer, o problema será empurrado para o fim de 2011. O melhor é encontrar um meio de o Ministério das Cidades ou os governos estaduais, diretamente ou por meio de suas companhias de saneamento, auxiliarem as prefeituras com menos recursos financeiros e técnicos a elaborar seus planos.
Fonte: Estadão
Essa lei, que define as diretrizes para a ação do poder público no setor, entre as quais o atendimento de todos os brasileiros com redes de abastecimento de água e de coleta de esgotos, que deverão ser tratados antes de serem devolvidos ao meio ambiente, estabeleceu que, para alcançar a meta da universalização, todas as prefeituras responsáveis pelos serviços de água e esgoto deveriam apresentar um plano municipal de saneamento básico até o fim deste ano. De acordo com a lei, somente os municípios que tiverem seus planos de saneamento básico aprovados pelas respectivas Câmaras Municipais no prazo poderão continuar recebendo recursos federais para obras nessa área.
O que se constata agora é que muito poucos municípios conseguirão cumprir o prazo. Não há ainda números oficiais, pois eles só serão conhecidos quando o Ministério das Cidades divulgar o novo Diagnóstico dos Serviços de Água e Esgotos (o mais recente é de 2007, ano em que entrou em vigor a Lei Nacional de Saneamento Básico). Uma organização privada sem fins lucrativos que se dedica ao tema, o Instituto Trata Brasil, estima que "nem 300 cidades, de um total de 5.564 municípios em todo o País têm planos adequados", conforme declarou seu presidente executivo, Raul Pinho, ao jornal Valor.
Essa situação mostra que, ao fixar o prazo para a elaboração dos planos municipais, os autores da lei, embora com as melhores intenções ? entre as quais a de pressionar os municípios a se engajarem na batalha para levar o saneamento básico a toda a população e, desse modo, eliminarem um dos principais focos de doenças que elevam a taxa de mortalidade infantil no Brasil ?, não levaram em conta uma dura realidade administrativa e política do País. A grande maioria das prefeituras não tem condições financeiras nem dispõe de quadros técnicos para elaborar planos como os definidos na lei.
Além de necessário para permitir que os municípios recebam recursos federais, o plano municipal de saneamento é essencial para definir objetivos e metas, os meios para alcançar essas metas e as condições econômico-financeiras da operação do sistema, inclusive critérios para a fixação de tarifas.
Em São Paulo, muitas prefeituras renovaram os contratos de prestação de serviços com a Sabesp, que forneceu os elementos básicos para a elaboração dos planos municipais. Em Santa Catarina, o governo do Estado financiou a elaboração de planos de municípios com mais de 50 mil habitantes.
Os projetos do governo federal preveem grandes investimentos em saneamento básico. O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), principal peça de propaganda do governo Lula e uma das principais peças da campanha da pré-candidata governista à Presidência, Dilma Rousseff, prevê a aplicação de R$ 10 bilhões por ano no período 2007-2010. É possível que, em 2011, o montante disponível na esfera federal para aplicação em saneamento básico chegue a R$ 11,4 bilhões, sendo R$ 5,3 bilhões do FGTS, R$ 2,5 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador e R$ 3,6 bilhões do Orçamento da União.
São esses recursos que milhares de municípios, embora carentes de serviços de saneamento básico, deixarão de receber se as regras atuais forem mantidas e o governo federal estiver disposto a cumpri-las. É provável, porém, que, como ocorreu em outras oportunidades, se chegue a uma falsa solução: a extensão, por um ano, do prazo para as prefeituras interessadas em receber recursos federais concluírem os planos. A prorrogação poderá ser autorizada pelo decreto de regulamentação da Lei Nacional de Saneamento Básico, cuja minuta está em exame no Palácio do Planalto.
Se isso ocorrer, o problema será empurrado para o fim de 2011. O melhor é encontrar um meio de o Ministério das Cidades ou os governos estaduais, diretamente ou por meio de suas companhias de saneamento, auxiliarem as prefeituras com menos recursos financeiros e técnicos a elaborar seus planos.
Fonte: Estadão
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