Por Daniela Mendes, do MMA
Os aterros sanitários com capacidade para receber até 20 toneladas por dia de resíduos sólidos urbanos terão seu licenciamento ambiental simplificado. Nesta quinta-feira (30), em reunião extraordinária, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou a proposta de resolução que dispensa o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) dessas áreas. "Essa resolução vai facilitar a vida de muitos municípios. Cerca de 80% a 90% do número de municípios brasileiros é de pequeno porte", disse o ministro Carlos Minc.
Segundo ele, a decisão é um grande passo para acabar com o lixão nos municípios brasileiros. "O lixão agride o lençol freático, o corpo hídrico, o solo, as pessoas, contamina crianças, contamina animais, o mais importante é acabar com eles", defendeu Minc.
Ele afirmou ainda que o Ministério do Meio Ambiente tem uma política de apoio a aterros consorciados e estimula a transformação do gás metano emitido pelos aterros em energia renovável. "Essa vai ser uma política obrigatória. Não vai haver mais financiamento para aterros sanitários que não capturarem o gás metano gerado pelo lixo para convertê-lo em energia", afirmou.
O texto aprovado define os critérios e as diretrizes necessárias para viabilizar a correta destinação dos resíduos urbanos em aterros sanitários. O município interessado em implementar um aterro terá de seguir algumas exigências, como construir vias de acesso ao local com boas condições de tráfego ao longo de todo o ano, respeitar as distâncias mínimas estabelecidas na legislação ambiental e normas técnicas relativas a aglomerados populacionais e usar áreas que garantam a implantação de empreendimentos com vida útil superior a 15 anos.
Flávia Mourão, representante da Associação Nacional de Órgãos Estaduais de Meio Ambiente (Anamma-Sudeste), também concorda que a medida beneficiará muitos municípios pequenos que hoje precisam recorrer a lixões para depositar os resíduos. "Com os aterros, os municípios vão ter melhores condições ambientais e de saúde, já que eles têm um preparo do terreno, o lixo é compactado e misturado com terra, coisa que não acontece com os lixões", disse.
(Envolverde/MMA)
A Educação Ambiental e a informação como instrumentos de proteção e Desenvolvimento Sustentável
sábado, 1 de novembro de 2008
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Plásticos oxibiodegradáveis não se decompõem na natureza como esperado
Os consumidores mais atentos já devem ter notado que certas sacolas plásticas, dessas utilizadas para embalar produtos comprados em supermercados, drogarias e lojas as mais diversas, trazem a informação de que são confeccionadas com plástico oxibiodegradável. Esse tipo de plástico começou a ser produzido no final dos anos 1980 e, segundo seus fabricantes, são ambientalmente corretos porque se decompõem rapidamente na natureza. Com isso minimizariam uma série de riscos ambientais decorrentes do descarte desses produtos, como a impermeabilização do solo e a contaminação de lençóis freáticos.
Agora uma pesquisa concluída recentemente por um pesquisador brasileiro mostra que não é bem assim. O engenheiro de materiais Guilherme José MacedoFechine, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, realizou uma bateria de testes com um tipo de plástico oxibiodegradável vendido no mercado nacional e constatou que, apesar de ele se fragmentar e virar pó, não é consumido por fungos, bactérias, protozoários e outros microorganismos - condição necessária para ser considerado biodegradável e desaparecer do solo ou da água. De acordo com o pesquisador, que não quer falar os nomes comerciais dos produtos porque as empresas não foram consultadas, não é de hoje que a biodegradabilidade dos polímeros oxibiodegráveis é considerada um assunto polêmico na comunidade científica internacional. Uma corrente de estudiosos duvida se eles são, de fato, biodegradáveis.
No início do ano, o governador José Serra vetou um projeto de lei da Assembléia Legislativa paulista que tornava obrigatório o uso de sacolas plásticas com o aditivo oxibiodegradável porque havia dúvidas sobre o real benefício ao ambiente. “Meu estudo comprovou que não são biodegradáveis”, afirma Fechine, que acaba de retornar da Bélgica, onde participou de um congresso internacional sobre modificação e degradação de polímeros, o Modest 2008 na sigla em inglês.
Para entender a controvérsia sobre os polímeros oxibiodegradáveis, é importante, primeiro, compreender como ocorre o processo de biodegradação desses plásticos e, em seguida, saber como eles são produzidos. A oxibiodegradação acontece em dois estágios. No início o plástico é convertido, pela ação de oxigênio, temperatura ou radiação ultravioleta em fragmentos moleculares menores. Em seguida esses fragmentos se biodegradam, o que significa que são convertidos em dióxido de carbono, água e biomassa por microorganismos decompositores. Para fomentar tal característica, os fabricantes misturam um aditivo pró-oxidante a polímeros convencionais, como polipropileno, polietileno ou outros. Esses polímeros são os mais usados para confecção de sacos e outros produtos plásticos. O aditivo pró-oxidante acaba por tornar o polímero supostamente biodegradável. Quando descartado em aterros ou lixões, o aditivo quebraria as longas cadeias moleculares que formam os polímeros, conferindo-lhe as características necessárias para ser consumido pelos microorganismos presentes no solo.
“Segundo meu estudo, a única diferença dos polímeros oxibiodegradáveis é que o tempo de fragmentação é muito mais rápido do que o dos polímeros convencionais”, afirma Fechine. “As empresas que comercializam esse tipo de aditivo pró-oxidante deveriam alertar que apenas sua presença não tornará o plástico biodegradável. Para que isso ocorra, o polímero precisaria passar por uma forte degradação prévia, causada por radiação ultravioleta ou temperatura, por exemplo, e ser descartado em solo apropriado, com pH, umidade, temperatura e presença de microorganismos que permitissem a ocorrência da biodegradação.
” Nem todos concordam com as limitações do aditivo. “Não conheço o trabalho, não sei se foi feito com o aditivo que represento, nem sei que metodologia o pesquisador utilizou. Mas posso garantir que testes conduzidos pela Ecosigma, empresa com sede em Campinas especializada em compostagem e gestão de resíduos, e com participação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Instituto Agronômico de Campinas (IAC), demonstraram que os plásticos oxibiodegradáveis fabricados com o aditivo d2w, que representamos no Brasil, são, de fato, biodegradáveis, compostáveis e não ecotóxicos para plantas superiores, minhocas e microorganismos metanogênicos [que produzem metano]”, afirma Eduardo van Roost, diretor-superintendente da Res Brasil, que comercializa o aditivo d2w para mais de 160 fabricantes brasileiros de embalagens plásticas. “Uma prova da eficiência, desempenho e segurança do nosso aditivo é o fato de ele estar presente em mais de 60 países”, complementa.
Comparação de amostras
O experimento conduzido por Fechine, que há três anos está à frente de um projeto Jovem Pesquisador da FAPESP, realizado no Departamento de Engenharia de Materiais da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) antes de ele se tornar professor do Mackenzie, comparou a degradação de duas amostras de polipropileno, uma delas contendo o aditivo pró-oxidante e outra sem essa substância. Na primeira etapa do trabalho, as duas amostras foram previamente fotodegradadas numa câmara de envelhecimento acelerado com emissão de radiação ultravioleta. “Com isso simulamos a fotodegradação que os plásticos sofrem num aterro sanitário ou lixão em função da radiação solar que incide sobre eles”, explica o professor. As amostras foram submetidas a diferentes tempos de radiação, sendo que a mais longa exposição correspondeu a 480 horas (ou 20 dias) na câmara de envelhecimento. Ao final desse período o polímero com aditivo pró-oxidante encontrava-se em avançado estado de decomposição. “Medimos a massa molar (mede quantidade de moléculas) das duas amostras antes e depois do ensaio na câmara de envelhecimento e constatamos que o aditivo pró-oxidante realmente acelerou a fotodegradação de forma intensa, quando comparado à amostra com polímero convencional. Restava saber se, além de fragmentado, ele se tornara biodegradável”, conta o professor Fechine.
As duas amostras foram, então, submetidas a testes de biodegradabilidade em um terreno previamente preparado. Foram enterradas e, de tempos em tempos, coletadas para pesagem e avaliação de perda de massa. “Depois de quase dois meses constatamos que não houve perda significativa de massa para ambas as amostras. Isso quer dizer que nenhuma das duas foi consumida pelos microorganismos do solo durante esse tempo”, diz Fechine. “Nosso experimento mostrou que o aditivo acelera a fragmentação do polímero, mas não o torna biodegradável.” Um artigo com os resultados dos ensaios já foi aceito para publicação pela revista Polymer Engineering and Science, uma das mais conceituadas na área de polímeros. Intitulado Effect of UV radiation and pro-oxidant biodegradability, o artigo foi escrito em parceria com os pesquisadores Nicole Demarquette, da Poli-USP, Derval dos Santos Rosa e Marina Rezende, da Universidade São Francisco, em Itatiba, no interior paulista, responsáveis pelos ensaios de biodegradação em solo.
Fonte: Mercado Ético
(Envolverde/Revista Pesquisa Fapesp)
Agora uma pesquisa concluída recentemente por um pesquisador brasileiro mostra que não é bem assim. O engenheiro de materiais Guilherme José MacedoFechine, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo, realizou uma bateria de testes com um tipo de plástico oxibiodegradável vendido no mercado nacional e constatou que, apesar de ele se fragmentar e virar pó, não é consumido por fungos, bactérias, protozoários e outros microorganismos - condição necessária para ser considerado biodegradável e desaparecer do solo ou da água. De acordo com o pesquisador, que não quer falar os nomes comerciais dos produtos porque as empresas não foram consultadas, não é de hoje que a biodegradabilidade dos polímeros oxibiodegráveis é considerada um assunto polêmico na comunidade científica internacional. Uma corrente de estudiosos duvida se eles são, de fato, biodegradáveis.
No início do ano, o governador José Serra vetou um projeto de lei da Assembléia Legislativa paulista que tornava obrigatório o uso de sacolas plásticas com o aditivo oxibiodegradável porque havia dúvidas sobre o real benefício ao ambiente. “Meu estudo comprovou que não são biodegradáveis”, afirma Fechine, que acaba de retornar da Bélgica, onde participou de um congresso internacional sobre modificação e degradação de polímeros, o Modest 2008 na sigla em inglês.
Para entender a controvérsia sobre os polímeros oxibiodegradáveis, é importante, primeiro, compreender como ocorre o processo de biodegradação desses plásticos e, em seguida, saber como eles são produzidos. A oxibiodegradação acontece em dois estágios. No início o plástico é convertido, pela ação de oxigênio, temperatura ou radiação ultravioleta em fragmentos moleculares menores. Em seguida esses fragmentos se biodegradam, o que significa que são convertidos em dióxido de carbono, água e biomassa por microorganismos decompositores. Para fomentar tal característica, os fabricantes misturam um aditivo pró-oxidante a polímeros convencionais, como polipropileno, polietileno ou outros. Esses polímeros são os mais usados para confecção de sacos e outros produtos plásticos. O aditivo pró-oxidante acaba por tornar o polímero supostamente biodegradável. Quando descartado em aterros ou lixões, o aditivo quebraria as longas cadeias moleculares que formam os polímeros, conferindo-lhe as características necessárias para ser consumido pelos microorganismos presentes no solo.
“Segundo meu estudo, a única diferença dos polímeros oxibiodegradáveis é que o tempo de fragmentação é muito mais rápido do que o dos polímeros convencionais”, afirma Fechine. “As empresas que comercializam esse tipo de aditivo pró-oxidante deveriam alertar que apenas sua presença não tornará o plástico biodegradável. Para que isso ocorra, o polímero precisaria passar por uma forte degradação prévia, causada por radiação ultravioleta ou temperatura, por exemplo, e ser descartado em solo apropriado, com pH, umidade, temperatura e presença de microorganismos que permitissem a ocorrência da biodegradação.
” Nem todos concordam com as limitações do aditivo. “Não conheço o trabalho, não sei se foi feito com o aditivo que represento, nem sei que metodologia o pesquisador utilizou. Mas posso garantir que testes conduzidos pela Ecosigma, empresa com sede em Campinas especializada em compostagem e gestão de resíduos, e com participação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Instituto Agronômico de Campinas (IAC), demonstraram que os plásticos oxibiodegradáveis fabricados com o aditivo d2w, que representamos no Brasil, são, de fato, biodegradáveis, compostáveis e não ecotóxicos para plantas superiores, minhocas e microorganismos metanogênicos [que produzem metano]”, afirma Eduardo van Roost, diretor-superintendente da Res Brasil, que comercializa o aditivo d2w para mais de 160 fabricantes brasileiros de embalagens plásticas. “Uma prova da eficiência, desempenho e segurança do nosso aditivo é o fato de ele estar presente em mais de 60 países”, complementa.
Comparação de amostras
O experimento conduzido por Fechine, que há três anos está à frente de um projeto Jovem Pesquisador da FAPESP, realizado no Departamento de Engenharia de Materiais da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) antes de ele se tornar professor do Mackenzie, comparou a degradação de duas amostras de polipropileno, uma delas contendo o aditivo pró-oxidante e outra sem essa substância. Na primeira etapa do trabalho, as duas amostras foram previamente fotodegradadas numa câmara de envelhecimento acelerado com emissão de radiação ultravioleta. “Com isso simulamos a fotodegradação que os plásticos sofrem num aterro sanitário ou lixão em função da radiação solar que incide sobre eles”, explica o professor. As amostras foram submetidas a diferentes tempos de radiação, sendo que a mais longa exposição correspondeu a 480 horas (ou 20 dias) na câmara de envelhecimento. Ao final desse período o polímero com aditivo pró-oxidante encontrava-se em avançado estado de decomposição. “Medimos a massa molar (mede quantidade de moléculas) das duas amostras antes e depois do ensaio na câmara de envelhecimento e constatamos que o aditivo pró-oxidante realmente acelerou a fotodegradação de forma intensa, quando comparado à amostra com polímero convencional. Restava saber se, além de fragmentado, ele se tornara biodegradável”, conta o professor Fechine.
As duas amostras foram, então, submetidas a testes de biodegradabilidade em um terreno previamente preparado. Foram enterradas e, de tempos em tempos, coletadas para pesagem e avaliação de perda de massa. “Depois de quase dois meses constatamos que não houve perda significativa de massa para ambas as amostras. Isso quer dizer que nenhuma das duas foi consumida pelos microorganismos do solo durante esse tempo”, diz Fechine. “Nosso experimento mostrou que o aditivo acelera a fragmentação do polímero, mas não o torna biodegradável.” Um artigo com os resultados dos ensaios já foi aceito para publicação pela revista Polymer Engineering and Science, uma das mais conceituadas na área de polímeros. Intitulado Effect of UV radiation and pro-oxidant biodegradability, o artigo foi escrito em parceria com os pesquisadores Nicole Demarquette, da Poli-USP, Derval dos Santos Rosa e Marina Rezende, da Universidade São Francisco, em Itatiba, no interior paulista, responsáveis pelos ensaios de biodegradação em solo.
Fonte: Mercado Ético
(Envolverde/Revista Pesquisa Fapesp)
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Que a saúde não reproduza a desigualdade social
Por Mirta Roses*
Washington, 20 de outubro (Terramérica) - Desde o ventre materno até a velhice, os seres humanos precisam de adequada atenção com a saúde em diferentes graus de complexidade, desde o alívio de um mal-estar ou um controle preventivo até delicadas cirurgias ou tratamentos de doenças crônicas. Os cuidados com a saúde são necessários nos planos individual, familiar e coletivo e em uma ampla gama de especialidades médicas e intervenções sanitárias. Isto exige a construção de redes integradas de serviços de saúde, com a fortaleza, extensão e flexibilidade necessárias para dar resposta oportuna e apropriada às necessidades de saúde em todo o ciclo da vida.
Esta construção apresenta grandes desafios, por isso, apesar de seus enormes avanços sanitários, o continente americano ainda tem muito a fazer para fortalecer seus sistemas de saúde pública. Esta realidade foi o motor para renovar a atenção primária à saúde (APS) como elemento fundamental para superar debilidades. Iniciada em agosto de 2007, com o sucesso da Conferência Internacional de Saúde Buenos Aires 30-15, junto com o governo da Argentina e a Organização Mundial da Saúde (OMS), esta iniciativa continuou seu desenvolvimento com reuniões posteriores na China, Tailândia, Burkina Fasso, Estônia e Indonésia.
O ponto culminante foi a Conferência Internacional de Almaty, no Casaquistão, que aconteceu nos dias 15 e 16 de outubro, em comemoração ao 30º aniversario da Declaração de Alma-Ata, que lançou ao mundo a estratégia APS. Um aspecto central do enfoque renovado da APS é sua ênfase na redução das desigualdades sanitárias em um mundo de crescentes disparidades sociais. Esse foi o tema que tive a honra de moderar na Conferência de Almaty, junto com nossos anfitriões, como co-presidente da Força de Tarefa Mundial da OMS para a Revitalização da Atenção Primária à Saúde.
Para nossa região, a mais desigual do planeta, é de particular relevância o compromisso de não repetir essas iniqüidades na saúde e de garantir que a atenção primária para todos reduza as brechas sociais. Também foi examinado em Almaty, o papel central dos sistemas baseados na APS para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a partir de sua ênfase no acesso universal a serviços e intervenções focadas para reduzir carências. Nas Américas, as agências do sistema das Nações Unidas impulsionam o programa “Rostos, Vozes e Lugares”, que tem o objetivo de colocar no centro da atenção as regiões, comunidades e populações que sofrem atrasos e exclusão social, e não se limitar às distorcidas médias nacionais.
A imperiosa necessidade de promover a inclusão social e a participação comunitária, bem como impulsionar ações intersetoriais para atender aos determinantes sociais da Saúde, foram outros aspectos relevantes para nossa região discutidos em Almaty. Estamos desenvolvendo múltiplas ações paralelas para concretizar o compromisso dos países da região com a incorporação de valores, princípios e elementos essenciais da atenção primária de saúde no desenvolvimento de seus sistemas sanitários. Já foi elaborado um método para acreditar redes de serviços de atenção primária à saúde, testado em países das Américas do Sul e Central, e que será divulgado amplamente em 2009.
Também está em marcha um curso para desenvolver as capacidades dos líderes em matéria de atenção primária à saúde, por meio do Campus Virtual de Saúde Pública da OPS, que conta com 80 participantes de 20 países. Essa mesma plataforma está sendo usada para preparar um curso sobre capacitação para as equipes de atenção primária à saúde. Além disso, há progressos notáveis em relação à qualidade dos serviços, com sólidos critérios sobre formação e incentivos para as equipes de atenção primária e maior participação da sociedade civil nas decisões.
Em novembro acontecerá uma reunião regional de consulta no Brasil, e em dezembro será realizada no Chile a IX Reunião Internacional de Observatórios de Recursos Humanos, dedicada a abordar aspectos fundamentais da atenção primária. A região tem uma reconhecida liderança na luta para que a visão sanitária integral, expressa na estratégia de atenção primária à saúde, se converta em uma prioridade da agenda política e na formulação de políticas públicas de saúde. Devemos continuar nesse empenho, crucial para atingir a meta superior de saúde para todos, com todos, por todos e em todos os níveis da ação sanitária e ao longo de todo o ciclo da vida.
* A autora é diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (OPS). Direitos exclusivos Terramérica.
Crédito de imagem: Fabrício Vanden Broeck
Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.
(Envolverde/Terramérica)
Washington, 20 de outubro (Terramérica) - Desde o ventre materno até a velhice, os seres humanos precisam de adequada atenção com a saúde em diferentes graus de complexidade, desde o alívio de um mal-estar ou um controle preventivo até delicadas cirurgias ou tratamentos de doenças crônicas. Os cuidados com a saúde são necessários nos planos individual, familiar e coletivo e em uma ampla gama de especialidades médicas e intervenções sanitárias. Isto exige a construção de redes integradas de serviços de saúde, com a fortaleza, extensão e flexibilidade necessárias para dar resposta oportuna e apropriada às necessidades de saúde em todo o ciclo da vida.
Esta construção apresenta grandes desafios, por isso, apesar de seus enormes avanços sanitários, o continente americano ainda tem muito a fazer para fortalecer seus sistemas de saúde pública. Esta realidade foi o motor para renovar a atenção primária à saúde (APS) como elemento fundamental para superar debilidades. Iniciada em agosto de 2007, com o sucesso da Conferência Internacional de Saúde Buenos Aires 30-15, junto com o governo da Argentina e a Organização Mundial da Saúde (OMS), esta iniciativa continuou seu desenvolvimento com reuniões posteriores na China, Tailândia, Burkina Fasso, Estônia e Indonésia.
O ponto culminante foi a Conferência Internacional de Almaty, no Casaquistão, que aconteceu nos dias 15 e 16 de outubro, em comemoração ao 30º aniversario da Declaração de Alma-Ata, que lançou ao mundo a estratégia APS. Um aspecto central do enfoque renovado da APS é sua ênfase na redução das desigualdades sanitárias em um mundo de crescentes disparidades sociais. Esse foi o tema que tive a honra de moderar na Conferência de Almaty, junto com nossos anfitriões, como co-presidente da Força de Tarefa Mundial da OMS para a Revitalização da Atenção Primária à Saúde.
Para nossa região, a mais desigual do planeta, é de particular relevância o compromisso de não repetir essas iniqüidades na saúde e de garantir que a atenção primária para todos reduza as brechas sociais. Também foi examinado em Almaty, o papel central dos sistemas baseados na APS para atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a partir de sua ênfase no acesso universal a serviços e intervenções focadas para reduzir carências. Nas Américas, as agências do sistema das Nações Unidas impulsionam o programa “Rostos, Vozes e Lugares”, que tem o objetivo de colocar no centro da atenção as regiões, comunidades e populações que sofrem atrasos e exclusão social, e não se limitar às distorcidas médias nacionais.
A imperiosa necessidade de promover a inclusão social e a participação comunitária, bem como impulsionar ações intersetoriais para atender aos determinantes sociais da Saúde, foram outros aspectos relevantes para nossa região discutidos em Almaty. Estamos desenvolvendo múltiplas ações paralelas para concretizar o compromisso dos países da região com a incorporação de valores, princípios e elementos essenciais da atenção primária de saúde no desenvolvimento de seus sistemas sanitários. Já foi elaborado um método para acreditar redes de serviços de atenção primária à saúde, testado em países das Américas do Sul e Central, e que será divulgado amplamente em 2009.
Também está em marcha um curso para desenvolver as capacidades dos líderes em matéria de atenção primária à saúde, por meio do Campus Virtual de Saúde Pública da OPS, que conta com 80 participantes de 20 países. Essa mesma plataforma está sendo usada para preparar um curso sobre capacitação para as equipes de atenção primária à saúde. Além disso, há progressos notáveis em relação à qualidade dos serviços, com sólidos critérios sobre formação e incentivos para as equipes de atenção primária e maior participação da sociedade civil nas decisões.
Em novembro acontecerá uma reunião regional de consulta no Brasil, e em dezembro será realizada no Chile a IX Reunião Internacional de Observatórios de Recursos Humanos, dedicada a abordar aspectos fundamentais da atenção primária. A região tem uma reconhecida liderança na luta para que a visão sanitária integral, expressa na estratégia de atenção primária à saúde, se converta em uma prioridade da agenda política e na formulação de políticas públicas de saúde. Devemos continuar nesse empenho, crucial para atingir a meta superior de saúde para todos, com todos, por todos e em todos os níveis da ação sanitária e ao longo de todo o ciclo da vida.
* A autora é diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (OPS). Direitos exclusivos Terramérica.
Crédito de imagem: Fabrício Vanden Broeck
Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.
(Envolverde/Terramérica)
Pesquisadores desenvolvem tijolo vegetal a partir de "restos" da floresta
Por Amanda Mota, da Agência Brasil
Manaus - Depois de oito meses de trabalho com o ouriço e com a casca da castanha do Brasil e com os caroços do coco e do tucumã (um tipo de palmeira tradicional na Amazônia), um grupo formado por quatro pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) desenvolveu um tijolo diferente, mas com o mesmo propósito do tijolo convencional, feito com argila.
De acordo com o mentor da idéia, o pesquisador Jadir Rocha, o resultado das pesquisas foi o tijolo vegetal, resultado de um processo de trituração das matérias-primas naturais e que são consideradas como restos florestais, já que não têm serventia depois que suas polpas são consumidas. Ele garante que o artefato pode ser utilizado em qualquer tipo de obra, mas destaca suas características naturais, ressaltando que poderiam ser melhor aproveitadas na própria região amazônica.
"Esse tijolo poderá ser utilizado em qualquer tipo de obra, mas é mais apropriado em construções de até quatro andares e para a nossa região. Como se trata de um material que naturalmente é um isolante térmico, ele proporciona um ambiente agradável para as construções feitas em lugares de alta temperatura, como é na Amazônia", afirmou.
Rocha destacou também que para o processo de produção do tijolo vegetal não há necessidade de queima de madeira e conseqüentemente de desmatamento da floresta.
"Esse tijolo é feito com tecnologia limpa, ou seja, com matéria-prima natural e sem que se tenha que derrubar uma árvore. Outra vantagem é que, na produção, não se utiliza lenha, como na produção dos tijolos convencionais que para ficar prontos precisam de fornos e, logicamente, de lenhas. Com isso, preservamos mais a floresta e não geramos gases para o efeito estufa. É uma pesquisa que é fundamentada nos padrões de sustentabilidade ambiental", acrescentou.
Outra vantagem apontada pelo pesquisador é a rapidez na montagem dos tijolos vegetais, que não precisam de cimento. "Por possuir um sistema de encaixe, é possível montar uma casa popular de cinco mil tijolos em oito horas, desde que esteja com as vigas, pilares – só faltando elevar as paredes e divisórias."
(Envolverde/Agência Brasil)
Manaus - Depois de oito meses de trabalho com o ouriço e com a casca da castanha do Brasil e com os caroços do coco e do tucumã (um tipo de palmeira tradicional na Amazônia), um grupo formado por quatro pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) desenvolveu um tijolo diferente, mas com o mesmo propósito do tijolo convencional, feito com argila.
De acordo com o mentor da idéia, o pesquisador Jadir Rocha, o resultado das pesquisas foi o tijolo vegetal, resultado de um processo de trituração das matérias-primas naturais e que são consideradas como restos florestais, já que não têm serventia depois que suas polpas são consumidas. Ele garante que o artefato pode ser utilizado em qualquer tipo de obra, mas destaca suas características naturais, ressaltando que poderiam ser melhor aproveitadas na própria região amazônica.
"Esse tijolo poderá ser utilizado em qualquer tipo de obra, mas é mais apropriado em construções de até quatro andares e para a nossa região. Como se trata de um material que naturalmente é um isolante térmico, ele proporciona um ambiente agradável para as construções feitas em lugares de alta temperatura, como é na Amazônia", afirmou.
Rocha destacou também que para o processo de produção do tijolo vegetal não há necessidade de queima de madeira e conseqüentemente de desmatamento da floresta.
"Esse tijolo é feito com tecnologia limpa, ou seja, com matéria-prima natural e sem que se tenha que derrubar uma árvore. Outra vantagem é que, na produção, não se utiliza lenha, como na produção dos tijolos convencionais que para ficar prontos precisam de fornos e, logicamente, de lenhas. Com isso, preservamos mais a floresta e não geramos gases para o efeito estufa. É uma pesquisa que é fundamentada nos padrões de sustentabilidade ambiental", acrescentou.
Outra vantagem apontada pelo pesquisador é a rapidez na montagem dos tijolos vegetais, que não precisam de cimento. "Por possuir um sistema de encaixe, é possível montar uma casa popular de cinco mil tijolos em oito horas, desde que esteja com as vigas, pilares – só faltando elevar as paredes e divisórias."
(Envolverde/Agência Brasil)
Brasil ultrapassa meta para a água
Por Naná Prado, do Mercado Ético
Pnad-2007 revelou que, com oito anos de antecedência, país atingiu a meta para água. Mas, ainda há desperdício: da produção de carnes e grãos até carros e aço.
Quanto você pagaria por um copo de água depois de um dia inteiro de caminhada debaixo de sol forte? E quanto você pagaria por uma ducha, mesmo que rápida, após três dias sem banho?
Além de ter um uso múltiplo e uma importância inquestionável, a água passou a ter também muitos valores. São dimensões e significados: a água como símbolo da vida, com valor religioso, estético, político, cultural e até econômico. Há quem diga que impor um valor econômico à água fará com que ela perca seu valor sagrado e, para muita gente, a água não é e não pode ser transformada em mercadoria. O fato é que hoje pagamos, e não é pouco, pela água que utilizamos. É de se pensar, todavia, quanto vai custar daqui alguns anos a carne bovina, já que são necessários 10.000 litros de água para produzir um quilo da carne.
O Pnad-2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) revelou que o Brasil, com oito anos de antecedência, atingiu já em 2007 a Meta do Milênio (http://www.pnud.org.br/odm) para a água. As Nações Unidas definiram oito ODMs (Objetivos do Desenvolvimento do Milênio) para desenvolvimento e combate à miséria no planeta que devem ser atingidos até 2015. No ODM 7 (Garantir a Sustentabilidade Ambiental), a meta 10 é reduzir pela metade (tendo como ano-base 1990) “a proporção da população sem acesso permanente e sustentável a água potável segura e esgotamento sanitário”. Com a cobertura de água chegando a 91,3% na áreas urbanas, em 2007 a meta de água foi alcançada.
Para o esgoto, no entanto, o país pode levar ainda de cinco a 15 anos, avalia a pesquisadora Maria da Piedade Morais, que coordenou a elaboração dos dados que compõem o Comunicado da Presidência nº 13, “Pnad-2007: Primeiras Análises - volume 5 - saneamento básico e habitação”.
“Se considerarmos a rede geral e as fossas sépticas, o Brasil cumpre a meta também antes. Mas, se considerarmos como adequada apenas a rede geral, aí serão, no ritmo atual de crescimento da rede, mais uns 15 anos”, avalia a pesquisadora.
Só de 2006 para 2007, a rede geral de esgoto chegou a mais 3% da população, passando de 54,4% para 57,4% de cobertura. Veja o estudo completo: http://www.ipea.gov.br/default.jsp. Veja a apresentação: http://www.ipea.gov.br/default.jsp
A água escondida, oculta e até perdida nas atividades cotidianas poderá ter um valor inimaginável. No Brasil, país considerado por muitos como o paraíso das águas, as perdas no abastecimento das grandes cidades chegam a 45%. As campanhas para fechar a torneira deveriam vir junto com o alarmante dado de que só no município de São Paulo, no trajeto entre os mananciais e as residências, são perdidos 1 bilhão de litros por dia, o equivalente a 1 milhão de caixas-d’água, conforme revela pesquisa do Fundo de Populações das Nações Unidas, disponível em http://www.unfpa.org/swp/swpmain.htm.
Estudo do Instituto Socioambiental (ISA)*, divulgado em novembro de 2007, revelou a situação do abastecimento público e do saneamento básico nas 27 capitais brasileiras. Segundo a coordenadora do Programa Mananciais do ISA, Marussia Whately, estima-se que a quantidade de água jogada fora seja de 6,14 bilhões de litros por dia (o equivalente a 2.457 piscinas olímpicas) e seria suficiente para atender ao consumo diário de 38 milhões de pessoas, algo como a população da Argentina.
Consumidos pelo consumo
De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 3,3 m³/pessoa/mês (cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene). No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia.
E, para deixar muita gente de boca aberta, dos cerca de 200 litros diários consumidos nos domicílios: 27% vão para cozinhar e beber, 25% para tomar banho e escovar os dentes, 12% para lavagem de roupa; 3% para outras tarefas (como lavagem de carro, por exemplo) e finalmente 33% são utilizados em descarga de banheiro. Somente o reaproveitamento da chamada “água cinzenta” (resultantes de lavagens e banho) para descarga de latrinas resultaria numa economia de um terço de todo o consumo doméstico.
Confira dados da Sabesp e veja como é possível economizar água e dinheiro - sem prejudicar a saúde e a limpeza da casa e a higiene das pessoas.
• Banho de ducha por 15 minutos, com o registro meio aberto, consome 135 litros de água. Com o registro fechado ao se ensaboar e reduzindo o tempo para 5 minutos, o consumo cai para 45 litros.
• No caso de banho com chuveiro elétrico, também em 15 minutos com o registro meio aberto, são gastos 45 litros na residência. Com os mesmos cuidados que com a ducha, o consumo cai para 15 litros.
• Se uma pessoa escova os dentes em cinco minutos com a torneira não muito aberta, gasta 12 litros de água. No entanto, se molhar a escova e fechar a torneira enquanto escova os dentes e, ainda, enxaguar a boca com um copo de água, consegue economizar mais de 11,5 litros de água.
• Ao lavar o rosto em um minuto, com a torneira meio aberta, uma pessoa gasta 2,5 litros de água. O mesmo vale para o barbear. Em 5 minutos gastam-se 12 litros de água. Com economia, o consumo cai para 2 a 3 litros.
• Uma bacia sanitária com válvula e tempo de acionamento de 6 segundos gasta de 10 a 14 litros. Bacias sanitárias de 6 litros por acionamento (fabricadas a partir de 2001) necessitam um tempo de acionamento 50% menor para efetuar a limpeza, neste caso pode-se chegar a volumes de 6 litros por descarga. Quando a válvula está defeituosa, pode gastar até 30 litros.
• Lavando a louça com a torneira meio aberta em 15 minutos, são utilizados 117 litros de água. Com economia o consumo pode chegar a 20 litros. Uma lavadora de louças com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres gasta 40 litros. O ideal é utilizá-la somente quando estiver cheia.
• A lavadora de roupas com capacidade de 5 quilos gasta 135 litros. O ideal é usá-la somente com a capacidade total.
• Uma piscina de tamanho médio exposta ao sol e à ação do vento perde aproximadamente 3.785 litros de água por mês por evaporação, o suficiente para suprir as necessidades de água potável (para beber) de uma família de 4 pessoas por cerca de um ano e meio aproximadamente, considerando o consumo médio de 2 litros / habitante / dia. Com uma cobertura (encerado, material plástico), a perda é reduzida em 90%.
Bye bye, água
A agricultura é o setor que mais consome água no país, cerca de 59%. O uso doméstico e o setor comercial consomem 22% e o setor industrial fica por último com 19% do consumo.
Em 2004, segundo o IEA (Instituto de Economia Agrícola), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, nas exportações de carne bovina realizadas pelo Brasil, o maior exportador mundial de carnes, foram utilizados cerca de 14 trilhões de litros de água. Pela carne, os exportadores receberam o equivalente a US$ 1,970 bilhão.
No mesmo período, nas exportações de carne de galos e galinhas foram utilizados cerca de 6 trilhões de litros de água. Da mesma forma, pela carne, os exportadores receberam o equivalente a US$ 801,8 milhões.
Somados estes dois itens da pauta de exportações foram necessários quase 20 trilhões de litros de água para obter cerca de US$2,771 bilhões. Será que vale o câmbio?
Segundo David Pye, Presidente da Sociedade Vegetariana do Reino Unido, grandes quantidades de água são consumidas por hectare de plantação. Um hectare de milho consome 4 milhões de litros de água durante o crescimento, enquanto outros 2 milhões de litros evaporam no solo. Grãos de soja precisam de 4,6 milhões de litros de água por hectare e o trigo precisa de 2,4 milhões de litros por hectare. Mas, que efeito isso tem na produção de animais? “Um quilograma de proteína animal leva centenas de vezes mais água para ser produzido do que um quilo de proteína vegetal. A produção de 1kg de carne requer 100kg de forragem e 4kg de grãos. Isso equivale entre cem e duzentos mil litros de água”, afirma David Pye.
Dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) revelam que são necessários 35 litros de água por dia para sustentar um boi e de 90 litros por dia para sustentar uma vaca leiteira (fonte: Natürlich Vegetarisch e EarthSave Magazine - Primavera 2000).
Os números variam e inúmeras são as maneiras de dizer quanto de água estamos jogando, literalmente, pelo ralo, mas há algo em comum: as necessidades indiretas são responsáveis por uma grande parcela do consumo. São necessários, por exemplo:
- 1.900 litros de água para produzir 1 Kg de arroz
- 3.500 litros de água para produzir 1 Kg de carne de frango
- 10.000 litros de água para produzir 1 Kg de carne de boi
- 150.000 litros de água para produzir 1 automóvel de passeio
- 280.000 litros de água para produzir 1 tonelada de aço
Fonte: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades (ano base: 2004). Medidas 50m x 25m x 2m, volume de 2.500 metros cúbicos
*Os dados para o estudo do ISA foram fornecidos pelas concessionárias prestadoras dos serviços para o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades (ano base: 2004).
** Com informações do Ipea.
(Envolverde/Mercado Ético)
Pnad-2007 revelou que, com oito anos de antecedência, país atingiu a meta para água. Mas, ainda há desperdício: da produção de carnes e grãos até carros e aço.
Quanto você pagaria por um copo de água depois de um dia inteiro de caminhada debaixo de sol forte? E quanto você pagaria por uma ducha, mesmo que rápida, após três dias sem banho?
Além de ter um uso múltiplo e uma importância inquestionável, a água passou a ter também muitos valores. São dimensões e significados: a água como símbolo da vida, com valor religioso, estético, político, cultural e até econômico. Há quem diga que impor um valor econômico à água fará com que ela perca seu valor sagrado e, para muita gente, a água não é e não pode ser transformada em mercadoria. O fato é que hoje pagamos, e não é pouco, pela água que utilizamos. É de se pensar, todavia, quanto vai custar daqui alguns anos a carne bovina, já que são necessários 10.000 litros de água para produzir um quilo da carne.
O Pnad-2007 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) revelou que o Brasil, com oito anos de antecedência, atingiu já em 2007 a Meta do Milênio (http://www.pnud.org.br/odm) para a água. As Nações Unidas definiram oito ODMs (Objetivos do Desenvolvimento do Milênio) para desenvolvimento e combate à miséria no planeta que devem ser atingidos até 2015. No ODM 7 (Garantir a Sustentabilidade Ambiental), a meta 10 é reduzir pela metade (tendo como ano-base 1990) “a proporção da população sem acesso permanente e sustentável a água potável segura e esgotamento sanitário”. Com a cobertura de água chegando a 91,3% na áreas urbanas, em 2007 a meta de água foi alcançada.
Para o esgoto, no entanto, o país pode levar ainda de cinco a 15 anos, avalia a pesquisadora Maria da Piedade Morais, que coordenou a elaboração dos dados que compõem o Comunicado da Presidência nº 13, “Pnad-2007: Primeiras Análises - volume 5 - saneamento básico e habitação”.
“Se considerarmos a rede geral e as fossas sépticas, o Brasil cumpre a meta também antes. Mas, se considerarmos como adequada apenas a rede geral, aí serão, no ritmo atual de crescimento da rede, mais uns 15 anos”, avalia a pesquisadora.
Só de 2006 para 2007, a rede geral de esgoto chegou a mais 3% da população, passando de 54,4% para 57,4% de cobertura. Veja o estudo completo: http://www.ipea.gov.br/default.jsp. Veja a apresentação: http://www.ipea.gov.br/default.jsp
A água escondida, oculta e até perdida nas atividades cotidianas poderá ter um valor inimaginável. No Brasil, país considerado por muitos como o paraíso das águas, as perdas no abastecimento das grandes cidades chegam a 45%. As campanhas para fechar a torneira deveriam vir junto com o alarmante dado de que só no município de São Paulo, no trajeto entre os mananciais e as residências, são perdidos 1 bilhão de litros por dia, o equivalente a 1 milhão de caixas-d’água, conforme revela pesquisa do Fundo de Populações das Nações Unidas, disponível em http://www.unfpa.org/swp/swpmain.htm.
Estudo do Instituto Socioambiental (ISA)*, divulgado em novembro de 2007, revelou a situação do abastecimento público e do saneamento básico nas 27 capitais brasileiras. Segundo a coordenadora do Programa Mananciais do ISA, Marussia Whately, estima-se que a quantidade de água jogada fora seja de 6,14 bilhões de litros por dia (o equivalente a 2.457 piscinas olímpicas) e seria suficiente para atender ao consumo diário de 38 milhões de pessoas, algo como a população da Argentina.
Consumidos pelo consumo
De acordo com a Organização das Nações Unidas, cada pessoa necessita de 3,3 m³/pessoa/mês (cerca de 110 litros de água por dia para atender as necessidades de consumo e higiene). No entanto, no Brasil, o consumo por pessoa pode chegar a mais de 200 litros/dia.
E, para deixar muita gente de boca aberta, dos cerca de 200 litros diários consumidos nos domicílios: 27% vão para cozinhar e beber, 25% para tomar banho e escovar os dentes, 12% para lavagem de roupa; 3% para outras tarefas (como lavagem de carro, por exemplo) e finalmente 33% são utilizados em descarga de banheiro. Somente o reaproveitamento da chamada “água cinzenta” (resultantes de lavagens e banho) para descarga de latrinas resultaria numa economia de um terço de todo o consumo doméstico.
Confira dados da Sabesp e veja como é possível economizar água e dinheiro - sem prejudicar a saúde e a limpeza da casa e a higiene das pessoas.
• Banho de ducha por 15 minutos, com o registro meio aberto, consome 135 litros de água. Com o registro fechado ao se ensaboar e reduzindo o tempo para 5 minutos, o consumo cai para 45 litros.
• No caso de banho com chuveiro elétrico, também em 15 minutos com o registro meio aberto, são gastos 45 litros na residência. Com os mesmos cuidados que com a ducha, o consumo cai para 15 litros.
• Se uma pessoa escova os dentes em cinco minutos com a torneira não muito aberta, gasta 12 litros de água. No entanto, se molhar a escova e fechar a torneira enquanto escova os dentes e, ainda, enxaguar a boca com um copo de água, consegue economizar mais de 11,5 litros de água.
• Ao lavar o rosto em um minuto, com a torneira meio aberta, uma pessoa gasta 2,5 litros de água. O mesmo vale para o barbear. Em 5 minutos gastam-se 12 litros de água. Com economia, o consumo cai para 2 a 3 litros.
• Uma bacia sanitária com válvula e tempo de acionamento de 6 segundos gasta de 10 a 14 litros. Bacias sanitárias de 6 litros por acionamento (fabricadas a partir de 2001) necessitam um tempo de acionamento 50% menor para efetuar a limpeza, neste caso pode-se chegar a volumes de 6 litros por descarga. Quando a válvula está defeituosa, pode gastar até 30 litros.
• Lavando a louça com a torneira meio aberta em 15 minutos, são utilizados 117 litros de água. Com economia o consumo pode chegar a 20 litros. Uma lavadora de louças com capacidade para 44 utensílios e 40 talheres gasta 40 litros. O ideal é utilizá-la somente quando estiver cheia.
• A lavadora de roupas com capacidade de 5 quilos gasta 135 litros. O ideal é usá-la somente com a capacidade total.
• Uma piscina de tamanho médio exposta ao sol e à ação do vento perde aproximadamente 3.785 litros de água por mês por evaporação, o suficiente para suprir as necessidades de água potável (para beber) de uma família de 4 pessoas por cerca de um ano e meio aproximadamente, considerando o consumo médio de 2 litros / habitante / dia. Com uma cobertura (encerado, material plástico), a perda é reduzida em 90%.
Bye bye, água
A agricultura é o setor que mais consome água no país, cerca de 59%. O uso doméstico e o setor comercial consomem 22% e o setor industrial fica por último com 19% do consumo.
Em 2004, segundo o IEA (Instituto de Economia Agrícola), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, nas exportações de carne bovina realizadas pelo Brasil, o maior exportador mundial de carnes, foram utilizados cerca de 14 trilhões de litros de água. Pela carne, os exportadores receberam o equivalente a US$ 1,970 bilhão.
No mesmo período, nas exportações de carne de galos e galinhas foram utilizados cerca de 6 trilhões de litros de água. Da mesma forma, pela carne, os exportadores receberam o equivalente a US$ 801,8 milhões.
Somados estes dois itens da pauta de exportações foram necessários quase 20 trilhões de litros de água para obter cerca de US$2,771 bilhões. Será que vale o câmbio?
Segundo David Pye, Presidente da Sociedade Vegetariana do Reino Unido, grandes quantidades de água são consumidas por hectare de plantação. Um hectare de milho consome 4 milhões de litros de água durante o crescimento, enquanto outros 2 milhões de litros evaporam no solo. Grãos de soja precisam de 4,6 milhões de litros de água por hectare e o trigo precisa de 2,4 milhões de litros por hectare. Mas, que efeito isso tem na produção de animais? “Um quilograma de proteína animal leva centenas de vezes mais água para ser produzido do que um quilo de proteína vegetal. A produção de 1kg de carne requer 100kg de forragem e 4kg de grãos. Isso equivale entre cem e duzentos mil litros de água”, afirma David Pye.
Dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) revelam que são necessários 35 litros de água por dia para sustentar um boi e de 90 litros por dia para sustentar uma vaca leiteira (fonte: Natürlich Vegetarisch e EarthSave Magazine - Primavera 2000).
Os números variam e inúmeras são as maneiras de dizer quanto de água estamos jogando, literalmente, pelo ralo, mas há algo em comum: as necessidades indiretas são responsáveis por uma grande parcela do consumo. São necessários, por exemplo:
- 1.900 litros de água para produzir 1 Kg de arroz
- 3.500 litros de água para produzir 1 Kg de carne de frango
- 10.000 litros de água para produzir 1 Kg de carne de boi
- 150.000 litros de água para produzir 1 automóvel de passeio
- 280.000 litros de água para produzir 1 tonelada de aço
Fonte: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades (ano base: 2004). Medidas 50m x 25m x 2m, volume de 2.500 metros cúbicos
*Os dados para o estudo do ISA foram fornecidos pelas concessionárias prestadoras dos serviços para o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades (ano base: 2004).
** Com informações do Ipea.
(Envolverde/Mercado Ético)
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Sul e Sudeste registram melhores índices de acesso à rede de esgoto
Por Paula Laboissière, da Agência Brasil
A Pnad 2007: Primeiras Análises, divulgada nesta terça-feira (21) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que, entre 2006 e 2007, o Brasil alcançou um aumento de 3 pontos percentuais na proporção da população urbana com acesso à rede de coleta de esgoto. Segundo o estudo, este foi o maior aumento registrado nos últimos 15 anos, passando de 54,4% em 2006 para 57,4% em 2007.
Contabilizando ainda a população urbana que possui coleta de esgoto por fossa séptica, o percentual de cobertura por soluções consideradas “minimamente adequadas” de esgoto sobe para quase 81%.
As Regiões Sul e Sudeste conseguiram as melhores taxas, superiores a 85%. O Nordeste e o Norte ficaram com 68,4% e 64%, respectivamente. Já a Região Centro-Oeste, no quesito esgotamento sanitário do tipo rede geral de esgoto ou fossa séptica, apresentou, de acordo com a pesquisa, “a pior performance” – pouco mais de 52% da população possui saneamento adequado.
Todas as regiões brasileiras apresentaram um crescimento percentual maior que a média anual entre 2001 e 2006 mas as desigualdades urbanas entre as regiões, segundo o estudo, permanecem “em patamares elevados”.
A melhora nos indicadores, segundo o Ipea, reflete a “maturação” e a ampliação de investimentos em esgotamento sanitário ocorridos nos últimos cinco anos em todo o país, o que permitiu ampliar os serviços de rede de esgoto para 5,9 milhões de pessoas na área urbana e 337 mil na zona rural apenas em 2007.
“Com o aumento substancial no montante de recursos destinados a saneamento básico previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – R$ 40 bilhões entre 2007 e 2010 – é de se esperar que os indicadores de esgoto venham a apresentar melhorias ainda mais significativas nos próximos anos”, afirma a pesquisa.
Entretanto, o levantamento destaca as desigualdades de investimento quando comparadas as grandes cidades e o campo. Dados da Pnad apontam que 22% da população rural reside em domicílios que ainda não possuem nenhum tipo de sistema de coleta de esgoto e 54,3% recorrem a soluções inadequadas como fossas rudimentares, valas e o despejo do esgoto diretamente em rios, lagos e mares.
O Ipea alerta que as desigualdades socioeconômicas no acesso ao esgotamento sanitário são “ainda mais gritantes” do que o acesso a água potável no país. Para os 20% mais pobres, a cobertura de rede geral ou de fossa séptica é de 64,6% enquanto para os 20% mais ricos a cobertura ronda os 92,8%. A diferença – de mais de 28 pontos percentuais – já chegou a ser, segundo a pesquisa, de quase 48 pontos percentuais no começo da década de 1990.
“O aumento da população coberta por esgotamento sanitário adequado continua sendo o maior desafio para a política de saneamento básico, pois o déficit absoluto desses serviços nas áreas urbanas ainda supera 30 milhões de pessoas”, diz a Pnad.
(Envolverde/Agência Brasil)
A Pnad 2007: Primeiras Análises, divulgada nesta terça-feira (21) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que, entre 2006 e 2007, o Brasil alcançou um aumento de 3 pontos percentuais na proporção da população urbana com acesso à rede de coleta de esgoto. Segundo o estudo, este foi o maior aumento registrado nos últimos 15 anos, passando de 54,4% em 2006 para 57,4% em 2007.
Contabilizando ainda a população urbana que possui coleta de esgoto por fossa séptica, o percentual de cobertura por soluções consideradas “minimamente adequadas” de esgoto sobe para quase 81%.
As Regiões Sul e Sudeste conseguiram as melhores taxas, superiores a 85%. O Nordeste e o Norte ficaram com 68,4% e 64%, respectivamente. Já a Região Centro-Oeste, no quesito esgotamento sanitário do tipo rede geral de esgoto ou fossa séptica, apresentou, de acordo com a pesquisa, “a pior performance” – pouco mais de 52% da população possui saneamento adequado.
Todas as regiões brasileiras apresentaram um crescimento percentual maior que a média anual entre 2001 e 2006 mas as desigualdades urbanas entre as regiões, segundo o estudo, permanecem “em patamares elevados”.
A melhora nos indicadores, segundo o Ipea, reflete a “maturação” e a ampliação de investimentos em esgotamento sanitário ocorridos nos últimos cinco anos em todo o país, o que permitiu ampliar os serviços de rede de esgoto para 5,9 milhões de pessoas na área urbana e 337 mil na zona rural apenas em 2007.
“Com o aumento substancial no montante de recursos destinados a saneamento básico previstos pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – R$ 40 bilhões entre 2007 e 2010 – é de se esperar que os indicadores de esgoto venham a apresentar melhorias ainda mais significativas nos próximos anos”, afirma a pesquisa.
Entretanto, o levantamento destaca as desigualdades de investimento quando comparadas as grandes cidades e o campo. Dados da Pnad apontam que 22% da população rural reside em domicílios que ainda não possuem nenhum tipo de sistema de coleta de esgoto e 54,3% recorrem a soluções inadequadas como fossas rudimentares, valas e o despejo do esgoto diretamente em rios, lagos e mares.
O Ipea alerta que as desigualdades socioeconômicas no acesso ao esgotamento sanitário são “ainda mais gritantes” do que o acesso a água potável no país. Para os 20% mais pobres, a cobertura de rede geral ou de fossa séptica é de 64,6% enquanto para os 20% mais ricos a cobertura ronda os 92,8%. A diferença – de mais de 28 pontos percentuais – já chegou a ser, segundo a pesquisa, de quase 48 pontos percentuais no começo da década de 1990.
“O aumento da população coberta por esgotamento sanitário adequado continua sendo o maior desafio para a política de saneamento básico, pois o déficit absoluto desses serviços nas áreas urbanas ainda supera 30 milhões de pessoas”, diz a Pnad.
(Envolverde/Agência Brasil)
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Denúncia de contaminação de água por urânio na Bahia aumenta polêmica sobre energia nuclear no Brasil
Por Redação do Greenpeace
São Paulo — Relatório Ciclo do Perigo - Impactos da Produção de Combustível Nuclear no Brasil, do Greenpeace, aponta problemas na área de influência da mina da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e exige investigação sobre as condições de saúde da população local.
Após oito meses de investigação, o Greenpeace encontrou contaminação radioativa em amostras de água usada para consumo humano, coletadas na área de influência direta da mineração de urânio no município de Caetité, na Bahia (BA). A mina e uma unidade de beneficiamento de urânio são gerenciadas pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A denúncia, que demonstra que a geração de energia nuclear é perigosa e poluente desde a sua origem, faz parte do relatório Ciclo do Perigo - Impactos da Produção de Combustível Nuclear no Brasil, que o Greenpeace lançou nesta quinta-feira (16), em São Paulo.
"A denúncia é muito grave e reforça a necessidade de uma investigação independente urgente sobre a qualidade da água e as condições de saúde da população que vive no entorno da INB", afirma Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de Energia Nuclear do Greenpeace. "O caso mostra que os impactos e riscos da energia nuclear começam na origem do combustível que alimenta as usinas de Angra dos Reis e o Programa Nuclear Brasileiro".
A coleta das amostras de água para consumo humano e animal foi feita por uma equipe do Greenpeace em abril de 2008, em pontos localizados dentro de um raio de 20 quilômetros ao redor da mineração de urânio da INB em Caetité. As amostras foram encaminhadas a um laboratório independente credenciado no Reino Unido para a realização de análises. Pelo menos duas amostras de água apresentaram contaminação por urânio muito acima dos índices máximos sugeridos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
A amostra de água colhida de um poço artesiano a cerca de oito quilômetros da mina apresentou concentrações de urânio sete vezes maiores do que os limites máximos indicados pela OMS, e cinco vezes maiores do que os especificados pelo Conama. Outra amostra, coletada de uma torneira que bombeia água de poços artesianos da área de influência direta do empreendimento da INB, estava com o dobro do limite estabelecido pela OMS e acima do índice Conama.
Baixe o relatório em http://www.greenpeace.org/brasil/documentos/nuclear/ciclo-do-perigo.
Segundo os habitantes das comunidades que utilizam água das fontes analisadas, a INB colhe amostras em intervalos regulares para análises, mas as informações sobre a qualidade da água não são repassadas à população. Uma vez liberado no meio ambiente, o urânio entra na cadeia alimentar humana pelo consumo de água ou de alimentos contaminados, como leite e vegetais. De acordo com a bibliografia médica e científica disponível, a ingestão contínua de urânio, ainda que em pequenas doses, pode causar danos à saúde, tais como ocorrência de câncer e problemas nos rins.
"Os sentimentos das populações dos municípios de Caetité e de Lagoa Real são de silêncio e indiferença, talvez pelo resultado de uma imposição da INB", afirma Osvaldino Alves Barbosa, padre da catedral de Caetité. "Mas quando o assunto aparece, as pessoas ficam apreensivas, com medo e até aterrorizadas."
Segundo padre Osvaldino, o desafio agora é articular com a sociedade civil a divulgação das informações necessárias, exigir dos governos do Estado e federal o respeito aos direitos humanos da população e monitoramento dos que trabalham na mina e vivem nas comunidades do entorno dela, bem como garantir a investigação independente do nível de radioatividade na água consumida por todos.
"Para isso instituímos em Caetité uma Comissão Paroquial de Meio Ambiente para tentar concretizar essas demandas", afirma padre Osvaldino.
O relatório Ciclo do Perigo revela que os riscos de contaminação da água foram apontados no EIA/Rima do empreendimento, sendo, assim, velhos conhecidos da INB e dos órgãos licenciadores e fiscalizadores da atividade de mineração do urânio - Ibama e Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O estudo detalha ainda problemas e controvérsias no licenciamento ambiental e nuclear, além de infrações e acidentes ocorridos na operação de extração, beneficiamento e transporte do urânio.
Para atender a demanda de combustível com a eventual construção de Angra 3, o setor nuclear planeja duplicar a capacidade produtiva anual da INB de 400 para 800 toneladas de yellow cake (concentrado de urânio) e iniciar a exploração da mina de urânio de Santa Quitéria, no Ceará.
"Enquanto os verdadeiros impactos da mineração de urânio em Caetité permanecem desconhecidos, o governo Lula adota políticas de incentivo à geração nuclear no Brasil, ignorando os altos riscos e custos sociais e ambientais dessa tecnologia. Os interesses comerciais e militares na mineração do urânio e fabricação de combustível nuclear estão falando mais alto do que a segurança da população e do meio ambiente no país", afirma Rebeca Lerer. "A poluição e o perigo da energia nuclear começam na mineração e culminam com os rejeitos altamente radioativos que saem das usinas nucleares. A sociedade brasileira não quer conviver com ameaças nucleares e depósitos de lixo radioativo."
O Greenpeace e entidades sociais e ambientais da Bahia encaminharam a denúncia ao Ministério Público Federal da Bahia, exigindo a realização de investigação independente sobre a fonte e extensão da contaminação, bem como as condições de operação da INB e o cumprimento das condicionantes dispostas no licenciamento ambiental. A organização também solicitou ao INGA – Instituto de Gestão das Águas, do governo da Bahia, que suspenda as outorgas de água concedidas à INB até que a contaminação seja solucionada.
(Envolverde/Greenpeace)
São Paulo — Relatório Ciclo do Perigo - Impactos da Produção de Combustível Nuclear no Brasil, do Greenpeace, aponta problemas na área de influência da mina da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e exige investigação sobre as condições de saúde da população local.
Após oito meses de investigação, o Greenpeace encontrou contaminação radioativa em amostras de água usada para consumo humano, coletadas na área de influência direta da mineração de urânio no município de Caetité, na Bahia (BA). A mina e uma unidade de beneficiamento de urânio são gerenciadas pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB). A denúncia, que demonstra que a geração de energia nuclear é perigosa e poluente desde a sua origem, faz parte do relatório Ciclo do Perigo - Impactos da Produção de Combustível Nuclear no Brasil, que o Greenpeace lançou nesta quinta-feira (16), em São Paulo.
"A denúncia é muito grave e reforça a necessidade de uma investigação independente urgente sobre a qualidade da água e as condições de saúde da população que vive no entorno da INB", afirma Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de Energia Nuclear do Greenpeace. "O caso mostra que os impactos e riscos da energia nuclear começam na origem do combustível que alimenta as usinas de Angra dos Reis e o Programa Nuclear Brasileiro".
A coleta das amostras de água para consumo humano e animal foi feita por uma equipe do Greenpeace em abril de 2008, em pontos localizados dentro de um raio de 20 quilômetros ao redor da mineração de urânio da INB em Caetité. As amostras foram encaminhadas a um laboratório independente credenciado no Reino Unido para a realização de análises. Pelo menos duas amostras de água apresentaram contaminação por urânio muito acima dos índices máximos sugeridos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
A amostra de água colhida de um poço artesiano a cerca de oito quilômetros da mina apresentou concentrações de urânio sete vezes maiores do que os limites máximos indicados pela OMS, e cinco vezes maiores do que os especificados pelo Conama. Outra amostra, coletada de uma torneira que bombeia água de poços artesianos da área de influência direta do empreendimento da INB, estava com o dobro do limite estabelecido pela OMS e acima do índice Conama.
Baixe o relatório em http://www.greenpeace.org/brasil/documentos/nuclear/ciclo-do-perigo.
Segundo os habitantes das comunidades que utilizam água das fontes analisadas, a INB colhe amostras em intervalos regulares para análises, mas as informações sobre a qualidade da água não são repassadas à população. Uma vez liberado no meio ambiente, o urânio entra na cadeia alimentar humana pelo consumo de água ou de alimentos contaminados, como leite e vegetais. De acordo com a bibliografia médica e científica disponível, a ingestão contínua de urânio, ainda que em pequenas doses, pode causar danos à saúde, tais como ocorrência de câncer e problemas nos rins.
"Os sentimentos das populações dos municípios de Caetité e de Lagoa Real são de silêncio e indiferença, talvez pelo resultado de uma imposição da INB", afirma Osvaldino Alves Barbosa, padre da catedral de Caetité. "Mas quando o assunto aparece, as pessoas ficam apreensivas, com medo e até aterrorizadas."
Segundo padre Osvaldino, o desafio agora é articular com a sociedade civil a divulgação das informações necessárias, exigir dos governos do Estado e federal o respeito aos direitos humanos da população e monitoramento dos que trabalham na mina e vivem nas comunidades do entorno dela, bem como garantir a investigação independente do nível de radioatividade na água consumida por todos.
"Para isso instituímos em Caetité uma Comissão Paroquial de Meio Ambiente para tentar concretizar essas demandas", afirma padre Osvaldino.
O relatório Ciclo do Perigo revela que os riscos de contaminação da água foram apontados no EIA/Rima do empreendimento, sendo, assim, velhos conhecidos da INB e dos órgãos licenciadores e fiscalizadores da atividade de mineração do urânio - Ibama e Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). O estudo detalha ainda problemas e controvérsias no licenciamento ambiental e nuclear, além de infrações e acidentes ocorridos na operação de extração, beneficiamento e transporte do urânio.
Para atender a demanda de combustível com a eventual construção de Angra 3, o setor nuclear planeja duplicar a capacidade produtiva anual da INB de 400 para 800 toneladas de yellow cake (concentrado de urânio) e iniciar a exploração da mina de urânio de Santa Quitéria, no Ceará.
"Enquanto os verdadeiros impactos da mineração de urânio em Caetité permanecem desconhecidos, o governo Lula adota políticas de incentivo à geração nuclear no Brasil, ignorando os altos riscos e custos sociais e ambientais dessa tecnologia. Os interesses comerciais e militares na mineração do urânio e fabricação de combustível nuclear estão falando mais alto do que a segurança da população e do meio ambiente no país", afirma Rebeca Lerer. "A poluição e o perigo da energia nuclear começam na mineração e culminam com os rejeitos altamente radioativos que saem das usinas nucleares. A sociedade brasileira não quer conviver com ameaças nucleares e depósitos de lixo radioativo."
O Greenpeace e entidades sociais e ambientais da Bahia encaminharam a denúncia ao Ministério Público Federal da Bahia, exigindo a realização de investigação independente sobre a fonte e extensão da contaminação, bem como as condições de operação da INB e o cumprimento das condicionantes dispostas no licenciamento ambiental. A organização também solicitou ao INGA – Instituto de Gestão das Águas, do governo da Bahia, que suspenda as outorgas de água concedidas à INB até que a contaminação seja solucionada.
(Envolverde/Greenpeace)
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