domingo, 20 de maio de 2012

Catálogo reúne tecnologias verdes desenvolvidas no Brasil

Documento lançado em abril é pioneiro e reúne inovações de diversas áreas da economia

O Fórum dos Gestores de Inovação e Transferência de Tecnologia (Fortec) lançou, no dia 17 de abril, um catálogo com 184 tecnologias verdes desenvolvidas nos núcleos de inovação tecnológica (NITs). Organizada em parceria com a Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação (Abipti), a publicação é pioneira no país e reúne inovações em diversos setores. Entre eles, biocombustíveis, energia solar e mineração.

O catálogo foi montado para ser apresentado na reunião da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que será realizada em junho deste ano na capital fluminense. A ideia é transformá-lo em um banco de dados disponível para pesquisas online.

“O livro servirá também de estímulo para os institutos de pesquisa desenvolverem tecnologias verdes. É uma maneira de disseminar o que está sendo feito pelo Brasil e envolver novas instituições nessa área”, destaca o diretor de Relações Interinstitucionais da Abipti, Félix Silva.

Das 188 tecnologias listadas, 87 foram desenvolvidas na região Sudeste, 32 na região Sul e 15 na região Norte. A área que mais apresentou resultados foi a de tratamento de efluentes. Cerca de 15,5% das soluções são resultados de pesquisas neste segmento.

A produção do catálogo contou também com a colaboração das associações nacionais de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei) e de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), que junto com a Abipti formam a Tríplice Aliança em Prol da Inovação Tecnológica.

“A tecnologia verde está se transformando em negócios sustentáveis para muitas empresas. Esse é apenas um primeiro levantamento. Sabemos que há muitos outros projetos”, afirmou o presidente do Fortec, Ruben Sinisterra. “Ele é fruto da união do Fortec com a tríplice aliança. As instituições juntas representam todo o ecossistema de ciência e tecnologia. Essa é uma das ações importantes que vamos tomar para fortalecer o setor”, disse.

Inovações sustentáveis

Entre as inovações publicadas no guia, vale destacar uma tecnologia que consiste em um dispositivo capaz de produzir energia elétrica a partir de luz solar em aplicação conjunta ao aquecimento de água, propiciando maior eficiência. A solução, desenvolvida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) possui pedido de patente depositado no Brasil e tem aplicação em residências, setor comercial e industrial, com grande potencial para o sistema hoteleiro.

Destaque também para um projeto voltado para o desenvolvimento de telhado verde, construído sobre uma estrutura de diferentes tipos de materiais como o bambu, caixa tretapak, MDF, garrafa PET, entre outros. Os produtos utilizados na criação estrutural desse telhado fazem com que ele seja uma alternativa viável e sustentável, num custo aproximado de R$ 20,00, o metro quadrado, o que proporciona o acesso a uma maior parcela da população

A publicação traz ainda uma ideia de escritório verde. O modelo segue os princípios da acessibilidade universal, reunindo materiais que fixam carbono (painéis de OSB e estrutura de madeira de reflorestamento), isolamento térmicoacústico em manta de PET e pneu reciclado, janelas de vidros duplos, lâmpadas LED, aquecimento de água a partir de placas termodinâmicas, entre outras soluções.

O projeto foi desenvolvido por mais de 60 empresas no campus de Curitiba da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e alia inovação tecnológica, gestão inteligente e sustentabilidade, demonstrando a viabilidade técnica, econômica e ambiental de um modelo eco-eficiente para a construção civil.

A publicação está disponível para download neste http://www.fortec-br.org/catalogo_verde.pdf.



Por Felipe Linhares - Especial para Revista Responsabilidade Social.com





terça-feira, 15 de maio de 2012

Poluição doméstica: saiba o que é e como evitar.

Por Frederico Lobo

Há alguns anos a Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA) salientou que várias evidências científicas indicam que o ar interior (ar dentro de casa ou ar indoor) pode muitas vezes, ser mais poluído do que o ar exterior, mesmo nas cidades maiores e mais industrializadas (vide http://www.epa.gov/iaq/pubs/index.html). Outros estudos indicam que as pessoas gastam cerca de 90% de seu tempo em locais fechados. Portanto, para inúmeras pessoas, os riscos de saúde decorrentes da poluição indoor, pode ser muito maior que o da poluição ao ar livre.

Efeitos nocivos podem surgir depois de uma única exposição bem como a exposição repetida e pode gerar um estado inflamatório sistêmico ou localizado, como por exemplo irritação dos olhos, nariz e garganta, dores de cabeça, tontura e fadiga. Estes efeitos são geralmente de curto prazo e tratável, às vezes simplesmente eliminar a exposição à fonte de poluição é o tratamento suficiente. Porém, outros efeitos na saúde podem aparecer devido às exposições mais prolongadas. Estes efeitos incluem algumas doenças respiratórias, doenças cardíacas e câncer, que podem ser severamente debilitantes ou fatais. É importante tentar melhorar a qualidade do ar interior em sua casa mesmo que os sintomas não sejam perceptíveis.

A Qualidade do Ar Interno (QAI) surgiu como ciência a partir da década de 70 com a crise energética e a conseqüente construção dos edifícios selados (desprovidos de ventilação natural), principalmente nos países desenvolvidos, e ganhou dimensão mundial após a descoberta de que a diminuição das taxas de troca de ar nesses ambientes era a grande responsável pelo aumento da concentração de poluentes biológicos e não biológicos no ar interno.

A rigor, pode-se dividir os tipos de poluentes em: materiais particulados, aerossóis, vapores e gases. Esses, por sua vez, podem ser classificados em orgânicos, inorgânicos e biológicos. Os 7 principais poluentes são:

1.Monóxido de carbonocarbon monoxide (CO): O monóxido de carbono é um produto por combustão incompleta de combustíveis como o gás natural, carvão ou madeira. Na presença de um suprimento adequado de O2 mais monóxido de carbono produzido durante a combustão é imediatamente oxidado a dióxido de carbono (CO2). Os maiores níveis de CO geralmente ocorrem em áreas com tráfego intenso congestionado. Nas cidades, 85-95 % de todas as emissões de CO geralmente são provenientes do escape dos veículos a motor. Outras fontes de emissões de CO incluem processos industriais, queima residencial de madeira para aquecimento, ou fontes naturais, como incêndios florestais. Os fogões a gás e os fumos de cigarro são as principais fontes de emissões de CO em espaços interiores. Dependendo de quanto é inalado, o CO pode afetar a coordenação, doenças do coração fazem pior e causar fadiga, dor de cabeça, confusão, náuseas e tonturas. Níveis muito altos pode causar a morte. Idosos, bebês em desenvolvimento e pessoas com doenças cardiovasculares e pulmonares são particularmente sensíveis a níveis elevados de CO.

2.Ozônio (O3): formado por reações químicas entre o Óxido nitroso e compostos orgânicos voláveis. O Ozônio (não-medicinal) provoca vários problemas de saúde, tais como dores torácicas, tosse e irritação da garganta, causando ainda vários danos nas plantas . As reações químicas envolvidas na formação de ozônio troposférico são uma série de ciclos complexos em que o monóxido de carbono e compostos orgânicos voláteis são oxidados ao vapor de água e dióxido de carbono, através de reações químicas e fotoquímicas.

3.Chumbro (Pb): A exposição humana ao chumbo causada por emissões industriais é um problema de interesse mundial. As principais fontes de exposição ao Pb são empresas do setor de reformadoras de baterias (RB), que ainda utilizam processos e tecnologia obsoletos, em instalações precárias. O monitoramento de Pb no ar, próximo a tais fontes estacionárias é necessário para avaliar o nível de exposição ao Pb e prever possíveis efeitos nocivos à saúde. Os efeitos mais críticos no ser humano são observados sobre o sistema nervoso, e síntese do heme. Podendo ocorrer também distúrbios no sistema nervoso periférico e nos sistemas renal, gastrointestinal, reprodutor e cardiovascular. Os sintomas crônicos decorrentes da exposição excessiva são encefalopatia, arterioesclerose, nefropatia saturnina crônica, fibrose intersticial e hipertensão arterial.

4.Dióxido de nitrogênio (NO2): Esse gás oxidante é normalmente produzido por processos de combustão.

5.Material particular (partículas finas = PM): As partículas finas, ou inaláveis, são uma mistura complexa de substâncias orgânicas e inorgânicas, presentes na atmosfera, líquidos ou sólidos, como poeira, fumaça, fuligem, pólen e partículas do solo. O tamanho das partículas está directamente ligado ao seu potencial para causar problemas de saúde, sendo classificadas de acordo com o seu tamanho: PM10 – partículas com diâmetro equivalente inferior a 10μm, e PM 2,5, para partículas com diâmetro equivalente inferior a 2,5μm. As fontes primárias mais importantes destas substâncias são o transporte rodoviário (25%), processos de não-combustão (24%), instalações de combustão industriais e processos (17%), combustão comercial e residencial (16%) e o poder público de geração (15%). As partículas com menos de 10 micrómetros (μm) de diâmetro pode penetrar profundamente no pulmão e causar sérios danos na saúde. São um dos principais poluentes com efeitos diretos na saúde humana, pois quando inaladas, penetram no sistema respiratório causando sérios danos. Estudos recentes comprovam que são responsáveis pelo aumento de doenças respiratórias como a bronquite asmática.

6.Dióxido de Enxofre (SO2): Os óxidos de enxofre, em especial o dióxido de enxofre, SO2 são maioritariamente emitido por vulcões, produzido em grande escala por processos industriais e pelo tráfego de veículos a motor. O enxofre é um composto abundante no carvão e petróleo, sendo que a combustão destes emite quantidades consideráveis de SO2. Na atmosfera, o SO2 dissolve-se no vapor de água, formando um ácido que interage com outros gases e partículas ai presentes, originando sulfatos e outros poluentes secundários nocivos. Uma maior oxidação de SO2, normalmente na presença de um catalisador, como NO2, forma H2SO4 e, assim, a chuva ácida. Esta é uma das causas de preocupação sobre o impacto ambiental da utilização destes combustíveis como fontes de energia.

7.Compostos orgânicos voláteis (COVs): São produtos químicos orgânicos que facilmente evaporam à temperatura ambiente, como o metano, benzeno, xileno, propano e butano. São chamados orgânicos porque contêm o elemento carbono nas suas estruturas moleculares, e são de especial preocupação, pois na presença do sol, sofrem reacções fotoquímicas que podem originar ozônio. A evaporação de COVs oriundos de materiais de construção, acabamento, decoração e de mobiliário, é uma das principais fontes de COVs em recintos fechados. Outras fontes importantes são os processos de combustão e emissões metabólicas de microorganismos. Contribuem ainda para agravar o quadro, os processos que melhoram o transporte desses compostos para a fase vapor, tais como umidificadores, uso de produtos à base de aerossol e até mesmo os sistemas de ar condicionado, supostamente purificadores e condicionadores de ar, que podem ser uma das causas principais de poluição no ar indoor.

8.Fumaça do cigarro: A fumaça do cigarro contém milhares de constituintes químicos, e ela pode ser, em casos extremos, a maior fonte de matéria particulada respirável do ar em recintos fechados. Portanto, a queima de tabaco produz uma mistura complexa de poluentes, muitos dos quais são irritantes respiratórios. Sabe-se que concentrações altas de fumaça de tabaco incomodam e irritam os indivíduos, e que existe uma preocupação com relação aos efeitos potenciais na saúde. Portanto, onde existe alta incidência de fumantes e mínima ventilação pode haver acúmulo da fumaça do tabaco, causando irritação, particularmente no sistema respiratório superior.

Há um número de fontes de poluição do ar que são mais comumente conhecidas, como o perigo dos produtos de limpeza e purificadores de ar. O site Ciclo Vivo escolheu sete fontes de poluição do ar interior que podem ser menos conhecidas.

1. Carpete novo: Materiais do carpete podem emitir uma variedade de compostos orgânicos voláteis (COVs). Dica: Ao comprar um carpete novo, areje-o por alguns dias antes de instalá-lo. Procure por aquele com baixas concentrações de COVs – com adesivos sem formaldeído. Depois de colocado, mantenha as janelas na sala abertas e deixe um ventilador ligado por dois ou três dias.

2. Lâmpadas fluorescentes compactas quebradas: Quando essas lâmpadas quebram, podem emitir no ar, em pequenas quantidades, o mercúrio (uma neurotoxina). Carpetes e tapetes não podem ser totalmente limpos de mercúrio e aspiradores de pó não devem ser usados para limpá-lo. Dica: Não use lâmpadas fluorescentes compactas em luminárias que poderiam facilmente tombar, especialmente em casas com crianças ou mulheres grávidas. Se a lâmpada quebrar, abra uma janela e limpe o quarto por 15 minutos.

3. Novos componentes eletrônicos e produtos de plástico: Produtos feitos com cloreto de polivinila (PVC) podem emitir ftalatos, que têm sido associados a alterações hormonais e problemas reprodutivos. Plásticos também podem liberar produtos químicos retardadores de chama, como éteres difenil-polibromados, que têm sido associados a alterações neuro-comportamentais em estudos com animais. Dica: Ventile o espaço até o odor dos produtos químicos se dissipar. Aspire em torno de computadores, impressoras e televisores regularmente.

4. Colas e adesivos: Elas podem emitir COV, como acetona ou metil etil cetona, que podem irritar os olhos e afetar o sistema nervoso. Cimento de borracha pode conter n-hexano, uma neurotoxina. Adesivos podem emitir formaldeído tóxico. Dica: Procure por cola a base de água, livre de formaldeído. Trabalhe em um espaço bem ventilado.

5. Equipamento de aquecimento (fogões, aquecedores, lareiras e chaminés): Equipamento de aquecimento, especialmente fogões a gás, podem produzir monóxido de carbono, capaz de causar dores de cabeça, tontura, fadiga e até mesmo a morte se não for ventilado corretamente. Pode também emitir dióxido de azoto (nitrogênio) e partículas, que podem causar problemas respiratórios e inflamação dos olhos, nariz e garganta.

6. Tintas e decapante: Tintas látex são uma grande melhoria às tintas a base de óleo porque emitem menos química. Mas, à medida que seca, todas as tintas podem emitir COV, o que pode causar dores de cabeça, náuseas ou enjôos. Decapantes, removedores de adesivos e tintas em spray aerosol também podem conter cloreto de metileno, que é conhecido por causar câncer em animais. Dica: use tintas com baixo teor de COV. Ao aplicar a pintura, abra janelas ou portas, areje o espaço com ventilador, e use um respirador ou máscara. Mulheres grávidas devem evitar o uso de decapantes com cloreto de metileno.

7. Móveis estofados e produtos de madeira prensada (compensado de madeira, painéis de parede, aglomerado, MDF): Quando novas, muitas mobílias e produtos de madeira podem emitir formaldeído, uma provável substância cancerígena que também pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta; chiado e tosse, fadiga, erupções cutâneas e reações alérgicas graves. Dica: aumente a ventilação, principalmente depois de trazer novas fontes de formaldeído em sua casa. Use produtos de madeira prensada, eles são de baixa emissão, pois contêm resinas de fenol, não resinas de uréia. Procure por móveis sem formaldeído e produtos de madeira.

8. Nunca deixe que fumem na sua casa

Fonte: EcoDebate

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Destinação final integrada de resíduos sólidos com lodos de ETAs de tratamento de água e ETEs de tratamento de esgotos.

Por Roberto Naime


Os trabalhos que propõem a utilização integrada de resíduos sólidos urbanos como resíduos orgânicos de poda juntamente com lodo proveniente de Estações de Tratamento de Água (ETAs) e Estações de Tratamento de Efluentes (ETEs) em compostagem, principalmente aeróbica conjugada, envolvendo os lodos com resíduos sólidos vegetais que são resultantes de poda (SILVA et al, 2008).

O lodo sanitário é um dos principais produtos resultantes de soluções utilizadas para tratamento de esgotos. Estações de tratamento de esgotos produzem grande quantidade de lodo e o planejamento para sua destinação final pode ser otimizado e sinergizado quando se propõem soluções integradas com os resíduos sólidos urbanos.

A compostagem aeróbica juntamente com resíduos sólidos provenientes de atividades de poda e manutenção de áreas verdes municipais é uma importante alternativa (SILVA et al, 2008). Estes processos são importantes para a destruição de ovos de helmintos, permitindo também estabilização dos resíduos e são controlados pela temperatura, pH e relações físico-químicas e microbiológicas em reatores.

Estudo de Cassini (2003) observa a importância da utilização do biogás gerado pelo consorciamento de lodos de ETAs e ETEs com resíduos sólidos no aproveitamento e destinação final destes materiais quando aproveitados conjuntamente.

A produção brasileira de lodo está estimada entre 150 e 220 mil toneladas de matéria seca por ano (TRABALLI, et al, 2009), e tende a crescer muito nos próximos anos, na medida em que sejam supridas as necessidades de saneamento do país, com projetos de tratamento que invitavelmente geram lodo.

Atualmente a maior destinação de lodo é agrícola nos Estados Unidos e agrícola e de reciclagem na Europa (TRABALLI, et al, 2009). O uso do lodo na agricultura e reflorestamento é limitado pela ocorrência de eutrofização ou pela contaminação que pode ser produzida por metais pesados e até mesmo a geração de patogenias para o homem.

Uma alternativa que se torna cada vez mais atraente é a geração de biogás em consorciamento com outros tipos de resíduos sólidos, particularmente resíduos de podas e resíduos orgânicos.

Traballi et al, 2009 cita que 1 m3 de biogás equivale energeticamente a 1,5 m3 de gás de cozinha, 0,5 a 0,6 litros de gasolina, 0,9 litro de álcool, 1,43 kWh de eletricidade e 2,7 kg de lenha quando é queimada.

O efluente líquido que sai do biodigestor possui propriedades fertilizantes com elevada concentração de N, p e K, permitindo uso adequado em fertirrigação.

No aterro municipal Bandeirantes em São Paulo, localizado na rodovia dos Bandeirantes, no km 26 em Perus, São Paulo, os gases produzidos pela decomposição da matéria orgânica, desde 2004 são utilizados para geração de energia calorífica que depois é transformada em energia elétrica. São utilizados cerca de 12.000 m3 por hora de gases, com composição de mais de 50% em metano para produzir 170 mil megawatts/hora, energia suficiente para abastecer uma cidade de 400 mil habitantes.

Este tipo de projeto é frequentemente citado como enquadrável para obtenção de créditos de carbono (BASSETA et al, 2006), na medida em que ocorre uma redução na emissão de gases de efeito estufa, tanto metano quanto dióxido de carbono, que são os constituintes principais da decomposição da matéria orgânica.

A queima direta nunca é citada, porque provavelmente os níveis de umidade presentes sejam muito elevados nos lodos, mas também não é citado nenhum impedimento técnico para que isto ocorra em padrões de umidade recomendáveis.

No aterro Bandeirantes um projeto de certificação da redução de emissões de gases de efeito estufa gera a venda de aproximadamente 1 milhão de toneladas de carbono, gerando uma receita adicional de até 24 milhões de euros (TRABALLI, et al, 2009).

No aterro Bandeirantes a captação de gases superou as expectativas iniciais, havendo produção de 40 a 60 mil m3 de gases por hora em razão das características específicas da massa de resíduos do local.

A conclusão possível é que existe um amplo espaço para a implantação de projetos baseados em mecanismos de desenvolvimento limpo, envolvendo resíduos sólidos e lodo de estações de tratamento de esgotos, e com a expectativa de grande crescimento na geração de lodo por conta da enorme quantidade de projetos de saneamento em implantação, torna obrigatório o planejamento integrado entre resíduos sólidos e lodos quanto à destinação final.

São Bernardo do Campo é a primeira cidade do País a contar com a aprovação de um Termo de Referência para licenciamento de uma unidade de recuperação de energia de resíduos urbanos no município. O parecer da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do governo paulista, acaba de ser liberado.

Existem órgão ambientais estaduais muito conservadores com a questão de incineração, mas esta passando o momento de enfrentar os desafios técnicos deste problema, não é mais possível postergar infinitamente posicionamentos.

O parecer da Cetesb para a prefeitura municipal de São Bernardo apresenta todo o modelo tecnológico e a eficiência ambiental, bem como todos os parâmetros de controle e segurança que a usina precisará oferecer. Ou seja, já existem parâmetros para orientar diretrizes neste tipo de projeto.

A partir de agora, a Prefeitura de São Bernardo do Campo irá promover novas audiências públicas visando a implantação de uma política integrada de resíduos sólidos e de uma política municipal de saneamento, dando continuidade a um processo iniciado no ano passado.

A liberação desse parecer da Cetesb em São Paulo abre ainda precedentes para que outros municípios ou consórcios do País sejam arrojados, modernos e ousados e enfrentem os desafios de implantar estas novas políticas integradas.


Fonte: EcoDebate


terça-feira, 8 de maio de 2012

Um terço dos alimentos consumidos pelos brasileiros está contaminado por agrotóxicos.

Por Gabriela Campêlo.

Há três anos o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de consumo de agrotóxicos no mundo. Um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado pelos agrotóxicos, segundo alerta feito pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), em dossiê lançado durante o primeiro congresso mundial de nutrição que ocorre no Rio de Janeiro, o World Nutrition Rio 2012, que termina nesta terça-feira (1º).

O documento destaca que, enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial de agrotóxicos cresceu 93%, o brasileiro aumentou 190%. Em 2008, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e assumiu o posto liderança, representando uma fatia de quase 20% do consumo mundial de agrotóxicos e movimentando, só em 2010, cerca de US$ 7,3 bilhões – mais que os EUA e a Europa.

A primeira parte do dossiê da Abrasco faz um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde e na segurança alimentar. A segunda parte, com enfoque no desenvolvimento e no meio ambiente, terá seu lançamento durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, e na Cúpula dos Povos na Rio+20, em junho, no Rio de Janeiro.

Segundo um dos coordenadores do estudo, Fernando Carneiro, chefe do departamento de Saúde Coletiva da UnB (Universidade de Brasília), “o dossiê é uma síntese de evidências científicas e recomendações políticas”.

“A grande mensagem do dossiê é que o Brasil conquistou o patamar de maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Queremos vincular a ciência à tomada de decisão política”, disse Carneiro ao UOL.

Soja é o que mais demanda agrotóxico

Segundo dados da Anvisa e da UFPR compilados pelo dossiê, na última safra (2º semestre de 2010 e o 1º semestre de 2011), o mercado nacional de venda de agrotóxicos movimentou 936 mil toneladas de produtos, sendo e 246 mil toneladas importadas.

Em 2011 houve um aumento de 16% no consumo que alcançou uma receita de US$ 8,5 bilhões. As lavouras de soja, milho, algodão e cana-de-açucar representam juntas 80% do total das vendas do setor.

Na safra de 2011 no Brasil, foram plantados 71 milhões de hectares de lavoura temporária (soja, milho, cana, algodão) e permanente (café, cítricos, frutas, eucaliptos), o que corresponde a cerca de 853 milhões de litros de agrotóxicos pulverizados nessas lavouras, principalmente de herbicidas, fungicidas e inseticidas. O consumo em média por hectare nas lavouras é de 12 litros por hectare e exposição média ambiental de 4,5 litros de agrotóxicos por habitante, segundo o IBGE (Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo o dossiê, a soja foi o cultivo que mais demandou agrotóxico – 40% do volume total de herbicidas, inseticidas, fungicidas e acaricidas. Em segundo lugar no ranking de consumo está o milho com 15%, a cana e o algodão com 10%, depois os cítricos com 7%, e o café, trigo e arroz com 3% cada.

Maior concentração em hortaliças

Já para a produção de hortaliças, em 2008, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), o consumo de fungicidas atingiu uma área potencial de aproximadamente 800 mil hectares, contra 21 milhões de hectares somente na cultura da soja.

“Isso revela um quadro preocupante de concentração no uso de ingrediente ativo de 22 fungicidas por área plantada em hortaliças no Brasil, podendo chegar entre 8 a 16 vezes mais agrotóxico por hectare do que o utilizado na cultura da soja, por exemplo”, alerta o dossiê.

Numa comparação simples, o estudo estima que a concentração de uso de ingrediente ativo de fungicida em soja no Brasil, no ano de 2008, foi de 0,5 litro por hectare, bem inferior à estimativa de quatro a oito litros por hectare em hortaliças, em média. “Pode-se constatar que cerca de 20% da comercialização de ingrediente ativo de fungicida no Brasil é destinada ao uso em hortaliças”, destaca o estudo da Abrasco.

Riscos para a saúde

O dossiê revela ainda evidências científicas relacionadas aos riscos para a saúde humana da exposição aos agrotóxicos por ingestão de alimentos. Segundo Fernando Carneiro, o consumo prolongado de alimentos contaminados por agrotóxico ao longo de 20 anos pode provocar doenças como câncer, malformação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais.

Um fato alarmante foi a constatação de contaminação de agrotóxico no leite materno, afirmou. Para o cientista, não se sabe ainda ao certo as consequências para um recém-nascido ou um bebê que está em fase inicial de formação. “Uma criança é altamente vulnerável para esses compostos químicos. Isso é uma questão ética, se vamos nos acostumar com o nível de contaminação do agrotóxico”, criticou.

Parte dos agrotóxicos utilizados tem a capacidade de se dispersar no ambiente, e outra parte pode se acumular no organismo humano, inclusive no leite materno, informa o relatório. “O leite contaminado ao ser consumido pelos recém-nascidos pode provocar agravos a saúde, pois os mesmos são mais vulneráveis à exposição a agentes químicos presentes no ambiente, por suas características fisiológicas e por se alimentar, quase exclusivamente, com o leite materno até os seis meses”, destaca o estudo.

Recomendações

O dossiê da Abrasco formula 10 princípios e recomendações para evitar e reduzir o consumo de agrotóxicos nos cultivos e na alimentação do brasileiro. Carneiro defende a necessidade de se realizar uma “revolução alimentar e ecológica”.

Segundo o IBGE, cerca de 70 milhões de brasileiros vivem em estado de insegurança alimentar e nutricional, sendo que 90% desta população consume frutas, verduras e legumes abaixo da quantidade recomendada para uma alimentação saudável. A superação deste problema, de acordo com o dossiê, é o desenvolvimento do modelo de produção agroecológica.
Carneiro e sua equipe composta por seis pesquisadores defendem a ampliação de fontes de financiamento para pesquisas, assim como a implantação de uma Política Nacional de Agroecologia em detrimento ao financiamento público do agronegócio e o fortalecimento das políticas de aquisição de alimentos produzidos sem agrotóxicos para a alimentação escolar – atualmente a lei prevê 30% deste consumo nas escolas.

Além disso, o documento defende a proibição de agrotóxicos já banidos em outros países e que apresentam graves riscos à saúde humana e ao ambiente assim como proibir a pulverização aérea de agrotóxicos.

O cientista defende ainda a suspensão de isenções de ICMS, PIS/PASEP, COFINS e IPI concedidas aos agrotóxicos. “A tendência no Brasil é liberalizar ainda mais o uso de agrotóxico, só no Congresso Nacional existem mais de 40 projetos de lei neste sentido. Nós estamos pagando para ser envenenados”, criticou Carneiro.

Fonte: Ambiental Sustentável



A Crise Ambiental e a Rio+20: Os dramas de agora, as ameaças de 2050

Por Washington Novaes

Enquanto a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, anuncia que não comparecerá à reunião Rio+20, juntando-se ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, e – possivelmente – ao presidente norte-americano, Barack Obama, a cada dia são mais inquietantes as notícias sobre os gravíssimos problemas na área das mudanças climáticas, na perda de recursos naturais (além da capacidade planetária de repô-los), no agravamento das questões relacionadas com a água (suprir de alimentos mais 2 bilhões de pessoas até 2050 exigirá um uso na agricultura superior à disponibilidade de recursos) e com a pobreza no mundo.

Já nem se pode dizer que nada acontece, nada avança, porque a chamada “sociedade civil” não pressiona os governos para que se façam as mudanças necessárias nas matrizes energéticas poluidoras e nos modelos de consumo. Pesquisa universitária recente nos Estados Unidos, por exemplo, mostrou (Reuters, 26/4) que três em quatro eleitores nesse país são favoráveis a que a legislação considere as emissões de dióxido de carbono (CO2) como poluentes, que se criem impostos sobre as emissões e que o governo e o Congresso considerem prioritária a ação nesse campo – 84% dos eleitores democratas são favoráveis, assim como 68% dos independentes e 52% dos republicanos.

E nem custaria tanto. Outro estudo (Business Green, 27/4) afirma que a União Europeia poderia atingir suas metas de redução de emissões até 2020 ao custo de 7 a 9 (R$ 17,50 a R$ 22,50) anuais por pessoa. Se quiser aumentar a meta de reduções de 20% para 30%, o custo entre 2011 e 2020 seria de mais 3,5 bilhões – que o noticiário equipara ao preço de algumas xícaras de café por ano por pessoa. Onde estaria, então, a resistência? Nas grandes corporações do setor de energia, principalmente.

Enquanto isso, novo relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, órgão científico da Convenção do Clima – no qual 220 cientistas de 62 países sintetizaram em 542 páginas as informações de 18.784 cientistas do mundo todo -, agrava seus diagnósticos e balanços. As perspectivas são mais graves para o Sul da Europa, Sul da África e Sudeste da Ásia, após um ano (2011) em que 302 chamados “desastres naturais” (incluindo terremotos e tsunamis) mataram quase 30 mil pessoas e geraram prejuízos de US$ 366 bilhões. Mesmo assim, a melhor perspectiva, no âmbito da Convenção do Clima, é de que os países signatários só cheguem em 2015 a um acordo para reduzir emissões, mas que entre em vigor apenas em 2020. Mesmo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertando (Reuters, 16/3) que, no passo atual, as emissões poderão aumentar 50% até meados do século. As fontes fósseis continuam respondendo por 85% da energia e esta gera 70% das emissões. Nesse passo, diz a OCDE, a temperatura do planeta poderá aumentar entre 3 e 6 graus Celsius até a virada do século. Previsão semelhante à do Blue Planet, que reúne cientistas detentores do Prêmio Nobel Alternativo de Meio Ambiente e acha possível um aumento de até 5 graus.

Nesse cenário, prevê o Deutsche Bank (25/4) que as emissões continuarão a subir até 2016, quando se iniciará um declínio. Mas, ainda assim, um limite de 2 graus no aumento da temperatura planetária – como recomendam os cientistas – é improvável, mesmo com os países cumprindo suas metas de redução. As emissões superarão em pelo menos 5,8 bilhões de toneladas anuais de CO2 os limites máximos recomendados, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) – e isso equivale às emissões anuais dos Estados Unidos.

Que se fará, então, para tirar da pobreza 1,3 bilhão de pessoas? Que se fará para diminuir o fosso entre crianças ricas e pobres, com as primeiras usando 50 vezes mais água que as últimas? O consumo dos ricos precisa diminuir, afirma a Royal Society (The Guardian, 26/4). A taxa de nascimento entre os pobres terá de baixar: no ritmo atual, o aumento da população entre os pobres exigirá uma cidade de 1 milhão de habitantes a cada cinco dias, até 2050.

Mas os Estados Unidos seguem aumentando suas emissões (mais 3,2% entre 2009 e 2010). A Rússia, também (mais 4,3%); o Japão, idem, após o problema nuclear (mais 4,2%). Em 20 anos, nos Estados Unidos, as emissões subiram 10,5%. A temperatura média em 2011, diz a Organização Mundial de Meteorologia (Estado, 25/3), esteve 0,4 grau acima da média de 2001 a 2010. E 2010 teve a temperatura mais alta desde 1880, quando começaram os registros nessa área. A área de gelos no Ártico foi a segunda menor em todos os tempos. O nível dos oceanos subiu 12 milímetros em oito anos, segundo a Universidade do Colorado. O aquecimento do solo está reduzindo a capacidade de armazenar carbono, essencial para a formação de matéria orgânica (Planet Ark, 14/2).

Muitas informações poderiam ser acrescentadas. Mas nem é preciso para aumentar a inquietação. Apesar dos dados alarmantes, já se decidiu que a Rio+20 não tratará nem de clima, nem de perda da biodiversidade, nem da Agenda 21 – os grandes temas da Eco-92, no Rio de Janeiro. E seguem, no âmbito da ONU, nos Estados Unidos, as discussões em torno de “economia verde” e “governança sustentável”, cujo esboço escrito inicial passou de poucas dezenas de páginas para milhares, depois que cada país acrescentou suas visões. Agora, estão depuradas para umas poucas centenas.

São discussões importantes. Mas parecem menos importantes que os grandes temas de 1992. O que se pergunta hoje é o que se fará agora, com a Europa de novo diante de uma crise econômico-financeira, com o mundo temendo uma nova débâcle. De que adiantaria temer os dramas previstos para 2050 se não somos capazes de dar soluções aos problemas que já batem à porta?

A diplomacia terá de esgotar suas habilidades até junho.

Fonte:EcoDebate

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tecnologia aperfeiçoa tratamento de água

O avanço da poluição em mananciais superficiais ou subterrâneos e o rigor das legislações ambientais estão obrigando as indústrias de materiais e equipamentos para tratamento de água e esgoto a irem em busca de tecnologias mais modernas e baratas.

Os sistemas convencionais abrangendo o ciclo da floculação - com sulfato de alumínio - decantação, filtração e desinfecção com cloro, que estão em todas as cidades brasileiras e na maior parte da América Latina, já são considerados ultrapassados.

Atualmente já estão sendo experimentados novos produtos para a floculação, como os compostos de tanino, que além de serem derivados de uma árvore (a acácia negra) geram menor quantidade de lodo e ainda assim, de melhor qualidade, não sendo considerado um resíduo perigoso. O dióxido de cloro vem se expandindo em substituição ao gás cloro que tem ainda o inconveniente de exigir extrema segurança no armazenamento.

Mas os top de linha, já em uso na Comunidade Européia e nos Estados Unidos, são a ultra ou nanofiltração com membranas e o uso do ozônio e do ultravioleta para a desinfecção.

O ciclo de renovação de tecnologias na área de tratamento de água no Brasil, no entanto, custa a se abrir. Um pouco por comodismo, mas também por falta de cobrança da população - que muitas vezes nem conta com água tratada seja de que espécie for - ou por questão de custo. Por isto estas tecnologias para ganharem mercado precisam ter versatilidade e custos competitivos.

E isto é o que promete a Dow Water & Process Solutions que está lançando no Brasil skids compactos de ultrafiltração (modulares) que podem ser adaptados a sistema convencionais para modernizar e aperfeiçoar o tratamento. "Sabemos que um ponto importante na adoção de uma nova tecnologia, como esta da ultrafiltração, é poder utilizá-la para melhorar os sistemas convencionais a um custo compatível" explica Renato Ramos, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa no Brasil.

Neste caso, os módulos podem ser adicionados em qualquer etapa do tratamento, ocupam pouco espaço, necessitam de menos peças e materiais, quando comparados aos modelos tradicionais, o que se traduz em custos menores, montagem mais rápida e menor área ocupada.

Segundo Ramos se hoje for implantada uma ETA com ultrafiltração certamente seu custo total será cerca de 40% menor do que o que seria gasto com um sistema tradicional.

Especificamente sobre o gosto e odor de algas na água ele recomenda a instalação de módulos de ultrafiltração para obtenção de um tratamento mais eficiente e lembra que a Portaria de Potabilidade - a 2.914 - proíbe o uso de algicidas como vinha sendo feito para minorar esse efeito na água tratada.

Atualmente existe uma ETA de membranas com tecnologia Dow funcionando na Ilha de Fernando de Noronha para a dessalinização da água pelo método da osmose reversa, além de outras em vários empreendimentos industriais que necessitam de água com qualidade mais avançada. Mas ainda não há nenhum projeto com a tecnologia de membranas abrangendo sistemas públicos de abastecimento de água no Brasil.

Fonte: Água Online

Situação do saneamento no Brasil é dramática e não condiz com crescimento econômico do país

Vitor Abdala, da Agência Brasil

Os indicadores de saneamento no Brasil são “dramáticos” e fazem o país parecer parado no século 19. A avaliação é do presidente executivo do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos. A organização não governamental realiza estudos e acompanha a situação do saneamento básico no país.

De acordo com o Trata Brasil, os últimos dados disponíveis do Ministério das Cidades, de 2009, mostram que cerca de 55,5% da população brasileira não estão ligados a qualquer rede de esgoto e que somente um terço do detrito coletado no país é tratado.

“Podemos dizer que a grande maioria do esgoto do país continua indo para os cursos d’água, os rios, as lagoas, os reservatórios e, consequentemente, o oceano. O Brasil parou no século 19. Qualquer indicador que você pegue tem níveis dramáticos, que não têm nenhuma relação com o avanço econômico que o Brasil vem tendo”, disse Carlos.

Para o especialista, o Brasil teve avanços, principalmente com a criação do Ministério das Cidades e com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os progressos, no entanto, ainda são tímidos em relação às necessidades do país.

Segundo ele, atualmente são investidos entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões por ano em saneamento no Brasil, quantia inferior à necessária para atingir as metas do governo até 2030 – investimento de R$ 420 milhões pelos próximos 18 anos, o que corresponde a cerca de R$ 20 bilhões por ano, de acordo com estimativas feitas pelo Ministério das Cidades.

Mesmo com o aumento dos recursos para saneamento básico nos últimos anos, principalmente por causa do PAC, a maioria dos projetos não sai do papel. Um levantamento divulgado no início de abril deste ano pelo Trata Brasil, sobre as 114 principais obras de saneamento da primeira fase do programa, mostra que apenas 7% delas estão prontas. Entre as demais, 32% estavam paralisadas e 23% atrasadas.

“O problema não é a falta de recursos. Os municípios não conseguem tocar as obras. Muitos projetos [apresentados ao PAC] estavam desatualizados e tinham problemas técnicos. Muitas obras não passaram nem na primeira inspeção [do programa]”, informou o especialista.

Para Édison Carlos, os principais entraves ao avanço do saneamento básico no país são a falta de prioridade dada pelos políticos à questão e a falta de interesse da população em cobrar essas obras das autoridades.

O Instituto Trata Brasil participará da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Cnuds), a Rio+20, mas Édison Carlos é cético em relação aos avanços que poderão ser obtidos.

“Espero estar errado, mas acho que temas como os biocombustíveis, a questão da floresta e o efeito estufa tendem a dominar as discussões. Além disso, o que costuma balizar essas discussões são temas econômicos”.


Fonte: EcoDebate.