domingo, 1 de março de 2009

Relatório comprova que lençol freático foi afetado pelo lixão

Edilson Almeida
Redação 24 Horas News


O lençol freático de Cuiabá foi afetado pelas atividades irregulares do Aterro Sanitário de Cuiabá, na verdade, do lixão. Parecer técnico elaborado pela Superintendência de Infra-Estrutura, Mineração, Indústria e Serviços da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, em 18 de abril de 2008, mostra que os alertas emitidos em vários documentos foram em vão. Tanto para a Prefeitura quanto para a Qualix Serviços Ambientais, empresa responsável pela coleta e tratamento do lixo. A empresa nunca investiu o combinado no aterro.

O relatório de inspeção informa que as análises de água dos poços de monitoramento identificaram a presença de compostos orgânicos e inorgânicos na totalidade das amostras e que houve mudança nos métodos empregados na detecção de algumas variáveis, tornando inviável a sua comparação com resultados anteriores.

“A lagoa anaeróbia, componente do sistema de tratamento de chorume do aterro sanitário, encontra-se desprovida de impermeabilização” – frisou o documento, apresentado ainda no ano passado. Ele destaca ainda a falta de impermeabilização da base de fundo das Fases 1ª e 2ª do aterro sanitário pode estar relacionada com a contaminação detectada no lençol freático. “O metarenito e as fraturas de quartzo existentes no local podem facilitar a migração do chorume que percola das duas citadas fases do aterro sanitário” - observou.

Com a análise técnica realizada no local, o parecer também determinou que a Prefeitura Municipal de Cuiabá deveria num prazo máximo de 15 dias contados da data de recebimento do parecer apresentar uma proposta de Recuperação da Área Degradada (PRAD) pelo Aterro Sanitário, onde, dentre outras coisas, doss informado como procederá para estancar a fonte de contaminação bem como recuperar o lençol freático atingido pela contaminação. “Diante destes fatos, é inegável concluir o gravíssimo crime ambiental em que ocorreu a municipalidade, onde pelas informações colhidas constatou-se que até a presente data nenhuma providência foi tomada pelo Poder Público Municipal” – diz o presidente da CPI, Francisco Vuolo.

SERÁ COBRADA TAXA PELO USO DAS ÁGUAS DO RIO SÃO FRANCISCO PARA AGRICULTURA

À procura de recursos para estruturar ações de despoluição e com o objetivo de fomentar o uso mais racional de seus recursos naturais, o comitê da bacia hidrográfica do São Francisco está em fase final de discussões para implementar a cobrança pelo uso da água do lendário rio que cruza o sertão nordestino. Os valores da cobrança já foram definidos, em conjunto com a Agência Nacional de Águas (ANA), e são muito próximos das outras duas bacias que criaram taxas para a captação da água: Paraíba do Sul e Piracicaba, Capivari, Jundiaí (PCJ) - ambas no Sudeste.

A Agência acredita que a cobrança começará ainda neste ano, mas pequenas divergências entre governos estaduais e demandas da agricultura irrigada podem adiar a implementação para 2010. No ano passado, a arrecadação com a taxa nas duas bacias do Sudeste atingiu R$ 24,6 milhões. Prevista na lei 9.433, de 1997 (a chamada Lei das Águas), a ideia de cobrar pelo uso dos recursos hídricos baseia-se na deterioração da qualidade e até da quantidade de água nos rios, dando a ela um valor econômico.

Parte dos recursos levantados com a cobrança tem financiado a construção de estações de tratamento de esgoto, além de programas de controle de enchentes e ações de planejamento integrado de zonas urbanas. Benedito Braga, diretor da ANA, frisa que esse dinheiro é suplementar e o objetivo da cobrança não é resolver todos os problemas de saneamento de uma bacia, mas incentivar o usuário a fazer bom uso dos recursos hídricos por meio de um instrumento econômico.

Mesmo assim, Braga entende que os valores cobrados até agora são baixos e há espaço para aumentá-los. A avaliação da agência é de que precisamos coletar mais recursos por meio da cobrança, sem naturalmente inviabilizar o sistema produtivo, diz.

No São Francisco, as três modalidades de cobrança já tiveram seus valores definidos. Na captação de água bruta (sem tratamento), a taxa será de R$ 0,01 por cada metro cúbico (mil litros) de água. No consumo (parcela da água captada que não retorna ao rio), a taxa sobe para R$ 0,02 por m3. E chegará a R$ 0,07 no caso do lançamento de efluentes (dejetos ou água contaminada), por quilo de carga orgânica.

Muitas indústrias e companhias de saneamento despejam parte ou todos os efluentes diretamente no rio por falta de tratamento adequado do esgoto - isso ocorre até mesmo na região metropolitana de São Paulo, com municípios que jogam água não-tratada no rio Tietê. Assim, quanto maior for a carga orgânica da água devolvida ao rio, maior a cobrança.

Esses preços deverão valer para indústrias e companhias de saneamento. Por causa do alto consumo de recursos hídricos, o setor agropecuário na bacia do São Francisco será beneficiado com um redutor da taxa. Pagará 2,5% dos valores fixados para cada m3 de água - ou 40 vezes menos que os demais usuários. Segundo a ANA, o percentual foi definido em consenso com outros setores e segue o modelo adotado inicialmente no rio Paraíba do Sul.

Mas agricultores locais, especialmente aqueles que usam o sistema de irrigação em suas lavouras, ainda demonstram insatisfação com as fórmulas de cobrança. O diretor da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), João Lopes Araújo, afirma que o setor só aceita a cobrança mediante a aplicação de um índice de aridez para, na prática, reduzir os desembolsos.

A associação pleiteia isenção total para ribeirinhos e pequenos agricultores que captem até 280 mil litros de água por dia, além de atenuar a cobrança para quem precisa de muita irrigação para produzir. O argumento é de que, sem essa flexibilização, pode haver aumento excessivo de custos. A aplicação do índice de aridez reduziria em cerca de 20% o pagamento dos irrigantes, segundo a Aiba. A ANA reluta muito, mas já viu que não tem como fugir isso, observa Lopes Araújo.

O índice proposto pela entidade baseia-se no fato de que em Estados como Bahia e Pernambuco, onde a irrigação é mais intensa devido ao rigor do período seco, os agricultores devem pagar menos pela água utilizada do que em outros Estados da bacia do São Francisco, como Alagoas e Minas Gerais, onde chove bem mais. O próprio Lopes Araújo diz que precisa irrigar 20 horas por dia, no período crítico de seca, sua plantação de café, que tem cem hectares. Para tanto, chega a usar 4 milhões de litros por dia - o que tornaria o pagamento muito pesado se não houver uma redução, argumenta o agricultor.

Para a ANA, é possível levar o assunto à pauta do Conselho Nacional de Recursos Hídricos, instância que define a cobrança em caráter final, até julho. Mas ainda é preciso contornar um problema entre os seis Estados (mais o Distrito Federal) que formam o comitê do São Francisco. A praxe, na cobrança pelo uso da água, é que ela seja feita por uma agência executiva - específica para o rio e subordinada ao comitê da bacia - criada justamente com essa finalidade. Mas os mineiros já têm sua própria agência estadual, que cuida do rio das Velhas, e querem aproveitá-la no caso do São Francisco - ideia com pouca receptividade de outros Estados.

A experiência da cobrança é considera bem-sucedida pela ANA. Na bacia do PCJ, a inadimplência é de apenas 4%. De cada R$ 100 arrecadados, R$ 80 têm sido aplicados em estações de tratamento de esgoto. A esperança é que no São Francisco se reproduzam exemplos como o da Basf, em Guaratinguetá (SP), que nos últimos anos reduziu em 78% o consumo de água do rio Paraíba do Sul por tonelada produzida.

Apesar dos bons prognósticos, Braga lembra que a receita com a cobrança ainda é baixa e não se devem esperar grandes resultados no curto prazo. O primeiro salmão no Tâmisa só reapareceu depois de 50 anos de investimentos maciços que o governo britânico fez em seus rios, afirma o diretor da ANA.


Fonte: FAXAJU

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Filadélfia ganha US 2 milhões para testar sistema de segurança da água

Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos liberou US$ 2 milhões em recursos para ajudar a cidade da Filadélfia a prevenir risco de contaminação intencional de sua água potável. O total disponível para auxiliar a cidade para este projeto pode ultrapassar os US$ 9,5 milhões, previstos pelo orçamento da EPA para os próximos três anos.
Os recursos vão possibilitar ao Departamento de Água da Filadélfia a desenvolver um programa piloto de monitoramento e fiscalização como parte de um sistema de alarme.

"A Filadélfia selecionou este piloto por causa de seu programa de proteção da qualidade da água e seu compromisso de implantar um complexo sistema para aumentar a segurança da água," disse William T. Wisniewski, gerente da EPA para a região do Médio Atlântico.

O projeto, chamado Iniciativa de Água Segura, deverá servir de modelo para todas as instalações de suprimento de água potável do país. . Programas similares para as cidades de New York, San Francisco e Dallas também receberam recursos da EPA.

O sistema de alarme de contaminação que está sendo desenvolvido e testado na Filadélfia envolve o monitoramento online em tempo real da água potável, fiscalização da saúde pública, instalações e equipamentos laboratoriais, incremento do monitoramento de segurança e fiscalização sobre o serviço de atendimento ao cliente.

A coordenação é fundamental para detectar e responder efetivamente a um incidente de contaminação. Para assegura um efetivo sistema de notificação e resposta o Departamento de Água da Filadélfia vai trabalhar estreitamento em colaboração com outros organismos e agências governamentais da cidade, incluindo o Departamento de Saúde Pública da Filadélfia, a Defesa Civil e o Departamento de Proteção Ambiental da Pensilvânia.

Os 2.000 empregados do Departamento de Água da Filadélfia são responsáveis pela qualidade da água fornecida a 1.6 milhão de usuários que moram ou trabalham na Cidade de Filadélfia.

Fonte: Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Usina vai beneficiar resíduos de obras

Texto: Márcia Pacheco

Entulho de construção, resto de comida e lixo industrial: com uma máquina criada por um engenheiro mecânico sergipano, tudo isso vai virar carvão. Trata-se da primeira Indústria de Beneficiamento de Resíduos do Brasil, que será instalada em Sergipe. A atividade da indústria pode contribuir para acabar com dois problemas graves de uma vez só. Com o processamento do lixo, acaba a necessidade de criação de aterros sanitários e o resíduo da construção civil, o entulho, vai ser tirado das ruas e vai ter destino certo.

Há aproximadamente três anos, o engenheiro mecânico Railton Lima foi contratado por uma empresa de Minas Gerais para desenvolver um Forno de Carbonização, destinado a atender o setor de siderurgia. “De lá para cá, pesquisas vinham sendo feitas até que, por acaso, chegamos a esse ponto, que é o processamento dos resíduos de construção até resíduos urbanos”, conta Lima. Com a Indústria de Beneficiamento de Resíduo, tudo que hoje é considerado lixo pode ser transformado carvão vegetal e em outros produtos, que voltam para o público consumidor de maneira rentável.

Toda linha de produção desse processo envolve duas patentes: a primeira é o protótipo desenvolvido para aproveitamento de gases das indústrias – na qual coleta-se os poluentes emitidos na carbonização – e a segunda é um equipamento chamado briquetadeira. “Com essas duas patentes, chegou-se ao equipamento de beneficiamento de 100% dos resíduos, desde urbanos, a resíduos da construção civil”, diz o engenheiro. “O carvão pode ser utilizado nas fornalhas das indústrias, ou até mesmo no churrasquinho em casa”, acrescenta.

Segundo Lima, a indústria, que ainda está em fase final de projeto, será a primeira usina do planeta a beneficiar 100% dos resíduos. “Aproveitamos todo o resíduo. Para nós que fizemos o projeto, não vai existir aterro se houver esse equipamento. Aterro vira coisa do passado”, explica o engenheiro.

O projeto foi vendido inicialmente para fora do Estado. Uma indústria está sendo montada em Sete Lagoas, em Minas Gerais, e no município de Xinguara, no Pará. Em Sergipe, a Indústria vai ser implantada em Lagarto, centro-sul do Estado, em parceria com a prefeitura local. De acordo com Lima, o terreno já foi adquirido e compreende uma área de 32 mil metros quadrados. Para a sua operação, serão gerados 46 empregos diretos e mais 200 indiretos.

A apresentação da maquete deve acontecer em breve. “Esperamos esse ano resolver completamente o problema de lixo urbano na cidade”, diz o engenheiro. “Até o final de 2009, em Lagarto não teremos nenhum problema de resíduos. Aterro sanitário vai ser totalmente descartável”, completa. Nesse primeiro momento, a Indústria vai atuar apenas no município de Lagarto, mas a pretensão de Railton Lima é vender a idéia para todo Estado.

O município de Lagarto vai abrigar o projeto piloto da primeira usina a funcionar para cuidar dos resíduos públicos. “A cidade será vitrine para todo planeta”, coloca o empresário. Durante a semana, o Núcleo Tecno-Ambiental Railton Faz recebeu três equipes de empresários de fora de Sergipe, que vieram conferir como funciona o projeto, através de apresentação feita com o uso dos protótipos.

Transformação

A Indústria de Beneficiamento de Resíduos vai processar resíduos urbanos (entulho, poda de árvore), resíduo doméstico (resto de comida, sacos e garrafas plásticas) e resíduos industriais (tintas, solventes). Todos esses materiais, que seriam descartados e depositados na natureza, serão aproveitados.

A partir do que antes era considerado lixo ou entulho de construção, são originados cinco produtos. O primeiro – que é o principal objetivo da indústria – é a massa de carvão; o segundo é o óleo vegetal, que, segundo o engenheiro, com mais 10% de álcool seria a fórmula do biodiesel; o terceiro produto é a água ácida, utilizada pela indústria química; o quarto, o alcatrão, também consumido pela indústria química, de cosmético e de abrasivos; e o quinto e último produto é a lignina, aproveitada pela indústria de cosméticos. “Então, 100% desses produtos são comercializados no mercado, produtos esses originados dos resíduos urbanos, industriais e domésticos”, explica Lima. Ou seja, todos os produtos, originados do que seria simplesmente descartado na natureza, tem valor de venda e vai movimentar o mercado e a economia.

O carvão produzido a partir do lixo tem a mesma utilização daquele originado da madeira. O engenheiro explica que, na natureza, só existem três massas: massa mineral, massa vegetal e massa animal. De acordo com Lima, a massa que não carboniza nunca é a mineral – que compõe areia, pedra, vidro, metal, entre outros materiais. Mas as massas vegetais e animais carbonizam. “Uma vez carbonizadas, essas massas se tornam carvão vegetal como qualquer outro. Não há diferença entre o carvão vegetal originado de madeira de lei, de pinho, ou de eucalipto, e o carvão feito do lixão”, explica. A matéria é sempre a mesma, é massa carbonizada com teor de carbono fixo próprio para o consumo seguro.

Meio ambiente

A usina evidencia o crescente interesse do empresariado em promover o crescimento sustentável, tentando manter o equilíbrio entre as atividades do homem e a preservação da natureza. O primeiro grande benefício trazido com o processamento de resíduos é que não ocorrerá degradação do solo das cidades, a partir do momento que não terá aterro.

E uma vez o resíduo entrando na indústria, ele é processado de imediato, embora para a máquina, não importe o tempo. A usina a ser instalada no interior do Estado tem capacidade para processar 80 toneladas por dia. A média de produção de lixo de Lagarto é de 50 toneladas por dia.

Segundo o líder do projeto, as 30 toneladas de capacidade restantes vão ser utilizadas para processar a lixeira já existente na cidade, até que o terreno fique limpo. “O terreno vai ficar totalmente imune de resíduos e poluentes. Não há degradação de solo, não há degradação do meio ambiente, não há emissão de gases e as nossas nascentes, matas e florestas agradecem”, finaliza Lima.

Construção civil

Entre as principais preocupações do setor da construção civil está o destino do entulho resultante das obras. A gestão do resíduo da construção ainda é um desafio em Sergipe. Não é difícil se deparar com entulhos ou restos de construção amontoados em vias e logradouros públicos, apesar das rigorosas determinações das legislações municipais e estaduais, o que gera um problema sério para o meio ambiente.

Sejam das empresas do segmento da construção civil ou de reformas de imóveis particulares, as obras geram resíduos com os quais os responsáveis devem se preocupar.

Pensando em encontrar uma alternativa para o problema, o Sindicato da Indústria da Construção Civil de Sergipe (Sinduscon/SE) promoveu no último ano o Programa de Gerenciamento de Resíduos em Canteiros de Obras, promovido em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequena Empresa (Sebrae/SE). De acordo com levantamento feito pelo projeto, em Aracaju se produz cerca de 500 toneladas de resíduo da construção civil por dia. O projeto não envolve indústria de processamento, mas articula parcerias entre empresas que precisam dos resíduos da construção para transformar em combustível para suas fornalhas. É o caso das cerâmicas. E em relação ao lixo reciclável, como plástico, papel, papelão e metal, a orientação é o encaminhamento do material para a Cooperativa de Agentes Autônomos de Reciclagem de Aracaju (Care).

O surgimento da indústria pode ajudar nesse processo de destinação de resíduo. De acordo com a engenheira Patrícia Menezes Carvalho, professora do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e diretora da MC Engenharia, a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) e a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) têm medidas rígidas para o controle do entulho produzido nas construções. “É preciso comprovar o destino dado aos resíduos da construção para a empresa obter a licença de funcionamento do empreendimento”, explica a engenheira. Segundo Patrícia, que orientou o projeto de gestão de resíduos, o estudo feito aponta que 70% de todo lixo produzido em Aracaju vem da construção.

Com a Indústria de Beneficiamento, telhado, concreto, sacos de papel, aparas de madeira, cerâmica, pó de serra, papelão, plástico, reboco: todo resíduo da construção pode ir diretamente para o processamento. Não importa em que estado chega lá. “Com sobra de areia, com cimento, não importa. Do jeito que o material chegar à indústria, o equipamento vai processar o resíduo”, explica Lima. Cada construtor, cada empresa de terceirização no município onde vai ser instalada a indústria será orientada a levar o resíduo direto para o processamento. O material vai ser transformado também em carvão.

Para Patrícia, essa é uma alternativa para evitar o depósito de entulho no meio ambiente, o que prejudica a cidade e os moradores, mas ainda não é o ideal para o setor da construção. “Muito do resíduo produzido pela construção civil é o chamado cascalho, que pode ser triturado, agregado e utilizado novamente pelo setor da construção. Esse tipo de indústria ainda não existe no estado”, coloca a engenheira. Segundo Patrícia, se transformado em material que possa ser utilizado pela construção, o benefício à natureza seria duplo, pois além de eliminar o acúmulo de resíduo no meio ambiente, ainda evitaria que fossem tirados da natureza areia e pedras, contribuindo para a preservação do meio ambiente.

Fonte: Jornal da Cidade - Sergipe

sábado, 24 de janeiro de 2009

A água (que ninguém vê) na guerra

Por Ana Echevenguá*



Na guerra do momento - Israel em Gaza -, por que a mídia não fala sobre a água - um dos itens mais importantes dos conflitos no Oriente Médio? Embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, detém o controle dos suprimentos de água, tanto seus como da Palestina. Além de restringir o uso d'água, luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural.

"Para além das manchetes do conflito do Oriente Médio, há uma batalha pelo controle dos limitados recursos hídricos na região. Embora a disputa entre Israel e seus vizinhos se concentre no modelo terra por paz, 'há uma realidade histórica de guerras pela água' - tensões sobre as fontes do Rio Jordão, localizadas nas Colinas de Golã, precederam a Guerra dos Seis Dias". Raymond Dwek - The Guardian, [24/NOV/2002] **

A nossa sobrevivência na Terra está ameaçada. Sem alimento, o ser humano resiste até 40 dias; sem água, morre em 3 dias. Somos água! Mas, enquanto a população se multiplica e a poluição recrudesce, as fontes de água desaparecem.

Na guerra do momento - Israel em Gaza -, por que a mídia não fala sobre a água - um dos itens mais importantes dos conflitos no Oriente Médio?

Oriente Médio... uma região aonde água vale mais do que petróleo... E sempre nos passam a idéia de que lá as guerras ocorrem pela conquista das reservas de petróleo.

E a conquista das reservas de água? Em 1997, o então vice-diretor geral da UNESCO, Adnan Badran, no seminário "Águas transfronteiriças: fonte de paz e guerra" (que centrou os debates nas águas do Mar Aral, do rio Jordão, do Nilo...) disse que "a água substituirá o petróleo como principal fonte de conflitos no mundo".

Embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, detém o controle dos suprimentos de água, tanto seus como da Palestina.

Além de restringir o uso d'água, luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural. Ali, ele é o "dono" das:

- águas superficiais: bacia do rio Jordão (incluindo o alto Jordão e seus tributários), o mar da Galiléia, o rio Yarmuk e o baixo Jordão;

- águas subterrâneas: 2 grandes sistemas de aqüíferos: o aqüífero da Montanha (totalmente sob o solo da Cisjordânia, com uma pequena porção sob o Estado de Israel), aqüífero de Basin e o aqüífero Costeiro que se estende por quase toda faixa litorânea israelense até Gaza.

Tais águas são 'transfronteiriças', recursos naturais compartilhados. Segundo recente inventário da UNESCO, 96% das reservas de água doce mundiais estão em aqüíferos subterrâneos, compartilhados por pelo menos dois países.

Há regras internacionais para o uso dessas águas. Algumas destas obrigam Israel a fornecer água potável aos palestinos.

Mas Israel não compartilha a água; afinal, tais regras internacionais não prevêem mecanismos de coação ou coerção; é letra morta. O Tribunal Internacional de Justiça, até hoje, condenou apenas um caso relacionado com águas internacionais.

A estratégia de Israel é outra. Em 1990, o jornal Jerusalém Post publicou que "é difícil conceber qualquer solução política consistente com a sobrevivência de Israel que não envolva o completo e contínuo controle israelense da água e do sistema de esgotos, e da infra-estrutura associada, incluindo a distribuição, a rede de estradas, essencial para sua operação, manutenção e acessibilidade" (1). Palavras do ministro da agricultura israelense sobre a necessidade de Israel controlar o uso dos recursos hídricos da Cisjordânia através da ocupação daquele território.

O Acordo de Paz de Oslo de 1993, por exemplo, estipulou que os palestinos deveriam ter mais controle e acesso à água da região.

Nessa época, segundo o professor da Hebrew University, Haim Gvirtzman, dos 600 milhões de metros cúbicos de água retirados anualmente de fontes na Judéia e Samaria, os israelenses usavam quase 500 milhões, satisfazendo cerca de um terço de suas necessidades hídricas. Para ele, isso gerou um 'direito adquirido sobre a água'. Questionado sobre o acesso palestino à água, o professor respondeu:

"Israel deve somente se preocupar com um padrão mínimo de vida palestino, nada mais, o que significa suprimento de água para eles só para as necessidades urbanas. Isso chega a cerca de cinqüenta/cem milhões de metros cúbicos por ano. Israel é capaz de suportar essa perda. Portanto, não deveríamos permitir que os palestinos desenvolvessem qualquer atividade agrícola, porque tal desenvolvimento virá em prejuízo de Israel. Certamente, nunca permitiremos aos palestinos suprir as necessidades hídricas da Faixa de Gaza por meio do aqüífero montanhoso. Se purificar a água do mar é uma solução realista, então deixemos que o façam para as necessidades dos residentes da Faixa de Gaza".

E na Guerra pela Água vale tudo: os israelenses bombardeiam tanques d'água, grandes ou pequenos (muitas vezes construídos nos telhados das casas), confiscam as bombas d'água, destroem poços, proíbem que explorem novos poços e novas fontes d'água (a Cisjordânia, em 2003, contava com cerca de 250 fontes ilegais e a Faixa de Gaza, com mais de 2 mil). Israel irriga 50% das terras cultivadas, mas a agricultura na Palestina exige prévia autorização.

Então, furto de água das adutoras de Israel é comum naquela região.

A regra do jogo é esta: enquanto o palestino não tem acesso à água para beber, o israelense acostumou-se ao seu uso irrestrito.

Sendo assim, dá pra imaginar uma outra forma de divisão ou de uso compartilhado desses recursos hídricos para os próximos anos? Dá pra imaginar a sobrevivência de qualquer estado e, nesse caso, da Palestina sem o controle efetivo do acesso e da distribuição dos recursos hídricos que necessita?

Botar a mão na água é coisa antiga. Britânicos e franceses no Oriente Médio definiram as fronteiras (em especial da Palestina) de olho nas águas da bacia do rio Jordão.

Desde 1948, Israel prioriza projetos, inclusive bélicos, para garantir o controle de água na região. Dentre estes:

- a construção do Aqueduto Nacional (National Water Carrier);

- em 1967, anexou os territórios palestinos de Gaza e Cisjordânia e tomou da Síria as Colinas do Golã, ricos em fontes de água, para controlar os afluentes do Rio Jordão. Sobre esta guerra, Ariel Sharon falou que a idéia surgiu em 1964, quando Israel decidiu controlar o suprimento d'água;

- em 2002, a construção o 'muro de segurança' viabilizou o controle israelense da quase totalidade do aqüífero de Basin, um dos três maiores da Cisjordânia, que fornece 362 milhões de metros cúbicos de água por ano. Segundo Noam Chomsky, "o Muro já abarcou algumas das terras mais férteis do lado oriental. E, o que é crucial, estende o controle de Israel sobre recursos hídrico críticos, dos quais Israel e seus assentados podem apropriar-se como bem entenderem..." (2). Antes do muro, ele já fornecia metade da água para os assentamentos israelenses. Com a destruição de 996 quilômetros de tubulação de água, agora falta água para beber à população palestina do entorno do muro;

- antes de devolver (simbolicamente) a Faixa de Gaza, Israel destruiu os recursos hídricos da região. E, até hoje, não há infra-estrutura hídrica nas regiões palestinas.

Quantos falam a respeito disso?

Em 2003, na 3ª Conferência Mundial sobre Água, em Kyoto, Mikhail Gorbachev bateu na tecla dos conflitos mundiais pela água: contabilizou, na época, 21 conflitos armados que objetivavam apropriação de mais fontes de água; destes, 18 ocorreram em Israel.

Gestão conjunta, consumo igualitário de água, ética e consenso na água - palavras bonitas no papel, nas mesas de negociação, na mídia. Na prática, é utopia.

O que a ONU e os donos do planeta estão esperando para exigir que Israel cumpra as regras internacionais sobre águas mesmo que estas contidas em convenções, acordos, declarações (e outras abobrinhas)?

Quem vai ter coragem de criar regras claras e objetivas para punir a violação dos direitos dos povos e nações à sua soberania sobre seus recursos e riquezas naturais?


* Ana Echevenguá, advogada ambientalista, coordenadora do programa Eco&Ação, presidente da ong Ambiental Acqua Bios e da Academia Livre das Águas, e-mail:ana@ecoeacao.com.br, website: http://www.ecoeacao.com.br

Do lixo eletrônico à matéria-prima para um novo negócio

Por Leticia Freire, do Mercado Ético


Todos os anos a equação “desenvolvimento tecnológico” e “consumo inconsciente” agrava a questão do lixo eletrônico no mundo. O destino do que chamamos lixo eletrônico, além de não ser ambientalmente adequado, se soma ao crescimento desenfreado da venda de computadores pessoais (PCs) e outros equipamentos eletrônicos, agravando os problemas ambientais e sociais ligados a produção e descarte tecnológico. Algumas das saídas para equilibrar a equação entre desenvolvimento tecnológico e meio ambiente foram apresentadas na terça-feira (20/1), no Centro de Computação Eletrônica (CCE) da USP de São Paulo.

Com objetivo de compartilhar as experiências realizadas na área do desenvolvimento tecnológico sustentável, pesquisadores do Massachusetts Institute of Technology (MIT) - oriundos de diferentes países -, representantes da indústria da informática e especialistas em gestão ambiental, além da professora Tereza Cristina Carvalho, diretora do CCE e do Laboratório de Arquitetura de Redes e Computadores (Larc) da Escola Politécnica (Poli) da USP, falaram sobre a gestão ambiental da tecnologia.

Consumo consciente

Em todo o mundo, estima-se que sejam produzidos 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, sendo que apenas 1% deste total é encaminhado para a reciclagem.

Apesar do aumento das vendas de eletrônicos, não há no Brasil uma legislação que estabeleça o destino correto para a sucata digital. Não há também legislações ou normas que responsabilizem os fabricantes pelo seu descarte.

Para Adnan Shahid, pesquisador do MIT (Paquistão), os consumidores são a maior força para promover uma mudança frente à falta de regulamentação. “Como é feito hoje, o consumo e o descarte de lixo eletrônico não é bom para mim, nem para vocês, muito menos para nossas crianças, seja no Brasil ou Paquistão”, afirma.

Tereza Cristina Carvalho, diretora do CCE-USP, acredita que ter responsabilidade no ato da compra é o primeiro passo para debater o que estamos descartando. “Ampliando o debate sobre os riscos do lixo eletrônico, você aumenta a responsabilidade das ações na cadeia toda - desde a produção até o descarte”, afirma Tereza.

A coordenadora dá a dica para quem quer começar a fazer a diferença. “Peça por computadores verdes, ou seja, computadores livres de chumbo, econômicos no consumo de energia e cujos componentes são totalmente recicláveis. Além disso, veja com o fabricante, a política de descarte antes de comprar. Na ausência de legislação adequada, precisamos começar a agir enquanto indivíduos.”

Os 3Rs como oportunidade de negócio

A quantidade de sucada tecnológica que poderia se tornar matéria prima esbarra, além de tudo, na falta de uma gestão logistica para um programa nacional de reciclagem.

Antonio de Castro Bruni, gerente do Setor de Suporte Tecnológico da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), acredita que o problema do lixo eletrônico é uma oportunidade de negócios e disse que já estão negociando parcerias entre recicladoras e os Correios.

Segundo Bruni, os Correios receberiam os equipamentos (micros, notebooks, telefones, televisores, entre outros) e cederiam um espaço para acomodação até a retirada pela empresa recicladora, que deverá arcar com os custos do transporte. “Ainda se trata de uma proposta, tudo está sendo analisado com muita calma e ainda não temos uma resposta final. Mas acreditamos que é um gande negócio e que interessa a todos.”
Para ele, os principais eixos do debate sobre as soluções do lixo eletônico devem abordar a promoção da indústria de reciclagem, redução da poluição causada pela disposição inadequada desse tipo de resíduo, promoção de parcerias para coleta de micros domésticos, inclusão digital, por meio do reúso de computadores, educação ambiental e criação de um índice de reciclagem. Segundo o gerente do Setor de Suporte Tecnológico da CETESB, o gerenciamento do lixo eletrônico vai permitir, ainda, reduzir a pressão sobre o meio ambiente, uma vez que metais como prata, níquel, ferro, alumínio, cobre, entre outros, poderão ser reutizados pela indústria nacional. “Com a tecnologia disponível você consegue separar todos os metais e produtos existentes em placas e outros itens dos equipamentos eletrônicos. Paralelamente é possível ajudar a fortalecer um nicho de mercado que vai gerar inúmeros empregos”, afirma.

Lixo eletrônico e seus riscos

Pilhas, baterias e celulares não são os únicos tipos de lixo eletrônico. Computadores, televisores, rádios, DVDs, CDs e lâmpadas fluorescentes também possuem substâncias tóxicas como chumbo e mercúrio.
Sem descarte apropriado, estes materiais altamente tóxicos para a saúde humana freqüentemente vão parar em aterros sanitários comuns ou são queimados a céu aberto, sem os cuidados apropriados, quando não acabam literalmente sendo enviados para países em desenvolvimento.

“Só em 2006, foram vendidos 7 milhões de computadores. Se descartados sem controle num horizonte de até dez anos, essas máquinas podem implicar numa montanha de resíduos da ordem de 70 mil toneladas. Se houver contaminações, os custos para a sociedade brasileira podem ser incalculáveis”, conclui a diretora do CCE.

Saiba mais sobre quem ajuda e como você pode ajudar

Dell

A fabricante de computadores possui dois programas: um de inclusão digital, que recebe micros usados e os doa a centros comunitários (http://www.pensamentodigital.org.br) e outro de recolhimento de PCs antigos da marca (http://www.dell.com.br).

CDI

Organização não governamental que visa à inclusão digital. As máquinas a serem doadas devem ter processador Pentium II ou superior, HD de no mínimo 2 GB e memória RAM de no mínimo 64 MB. Caixas de som, hubs, impressoras, kits multimídia, modems, mouses, no-break, scanners e teclados são recebidos somente em bom estado (http://www.cdi.org.br)

CCE - Centro de Computação Eletrônica da USP

Tecnologia de informação com selo verde (http://www.cce.usp.br/)

CETESB/ Mutirão Verde

Informações sobre como e onde descartar lixo eletrônico no estado de São Paulo. http://www.ambiente.sp.gov.br/mutiraodolixoeletronico/destino_lixo.htm



(Envolverde/Mercado Ético)

Brasil contará com R$ 400 milhões extras por ano para saneamento

24/1/2009

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou quinta (22/1), no Rio de Janeiro, que o Brasil contará com cerca de R$ 400 milhões extras por ano para investimentos em saneamento básico. Os recursos serão provenientes de desconto de 35% que as concessionárias de energia irão conceder nas contas de luz das empresas de tratamento de água e esgoto de todo o país.

Pelo acordo, a ser assinado em breve pelos ministérios de Minas de Energia e Meio Ambiente e pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o desconto nas contas de luz das companhias de água e esgoto terá que ser investido em obras de saneamento.

Minc fez o anúncio ao participar da inauguração, no bairro do Caju (Zona Norte d Rio), da Estação de Tratamento de Esgotos de Alegria (ETE Alegria), da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), que vai tratar cerca de 2.500 litros de esgoto por segundo. O volume a ser tratado - que vinha sendo jogado in natura na Baía de Guanabara - equivale ao estádio do Maracanãzinho cheio de esgoto até o teto.

A partir do desconto em sua conta de luz, apenas a Cedae, adiantou Minc, contará com R$ 42 milhões extras por ano para investir em saneamento básico. Segundo ele, que viabilizou a assinatura do acordo, a idéia do desconto foi do presidente da Cedae, Wagner Victer.

Participaram da cerimônia de inauguração da ETE Alegria, entre outros, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, o vice-governador e secretário estadual de Obras, Luiz Fernando de Souza, o Pezão, a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, e o prefeito do Município de Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Fonte: Saneamento Básico, o Site.