quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Brasil tem 2,6 milhões de empregos verdes

Luana Lourenço, Agência Brasil

O Brasil já tem 2,6 milhões de empregos verdes e a transição para uma economia que leve a menores emissões de gases de efeito estufa pode aumentar a criação desses postos de trabalho, segundo o relatório Empregos Verdes no Brasil: Quantos São, Onde Estão e Como Evoluirão nos Próximos Anos, lançado hoje (9) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O levantamento considera verdes os postos de trabalho em atividades econômicas quer contribuem para a redução de emissões e para a melhoria da qualidade ambiental. Em 2008, o total de empregos verdes no país - 2.653.059 - representava 6,73% do total de postos de trabalho formais.

A conta da OIT considerou dados da Relação Anual de Informações Sociais, do Ministério do Trabalho e Emprego, e agregou os empregos verdes em seis categorias: produção e manejo florestal; geração e distribuição de energias renováveis; saneamento, gestão de resíduos e de riscos ambientais; manutenção, reparação e recuperação de produtos e materiais; transportes coletivos alternativos ao rodoviário e aeroviário; e telecomunicações e teleatendimento.

Entre as ocupações listadas estão a produção de mudas, a gestão de manejo florestal, a reciclagem, a fabricação de biocombustíveis e atividades menos óbvias do ponto de vista ambiental, como as telecomunicações (evitam deslocamentos e emissão de poluentes com transporte) e a manutenção de equipamentos eletrônicos (reduzem necessidade de fabricação de novos e aumentam eficiência energética).

De acordo com a OIT, “a geração de empregos verdes não pode estar dissociada da noção de trabalho decente”. Por isso, o levantamento exclui da conta o enorme contingente de catadores de materiais recicláveis, pela falta de proteção social da atividade e pelo grau de insalubridade a que estão expostos. “Embora atualmente não restem muitas dúvidas quanto ao papel positivo desempenhado por esses trabalhadores em relação ao meio ambiente, o fato é que certamente não é esse tipo de postos de trabalho que a OIT pretendia promover”, justifica o relatório.

Além das vagas em atividades econômicas que contribuem para a redução de emissões e para a melhoria da qualidade ambiental, a OIT considerou o potencial de criação de empregos verdes por setores baseados na exploração de recursos naturais e que dependem da qualidade ambiental: extração mineral e indústrias de base; construção, comercialização, manutenção e uso edifícios; agricultura, pecuária e pesca; e turismo e hotelaria.

Pelos dados de 2008, esses setores foram responsáveis por cerca de 5,8 milhões de empregos formais. Parte das vagas poderá se tornar sustentável, segundo a OIT, se os setores passarem por um “esverdeamento” dos processos de produção e distribuição.

“O potencial de geração de empregos verdes dessas atividades decorre do fato de serem ao mesmo tempo grandes empregadoras e grandes emissoras de carbono ou ainda grandes consumidoras de energia e de recursos ambientais, muitos deles não renováveis”, aponta o estudo.

No documento, a OIT lista o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos da linha branca, a obrigatoriedade de inspeção veicular para controle de emissões, a regularização fundiária na Amazônia e a Política Nacional de Resíduos como medidas que poderão impulsionar a geração de empregos verdes no Brasil nos próximos anos.

(Agência Brasil)

Estudo diz que país precisa investir R$ 41 bilhões até 2015, se não quiser ter problemas de distribuição de água

Danielle Santos

A Agência Nacional de Águas (ANA) apresentou ontem um mapeamento de 2.965 municípios para compor um atlas sobre o abastecimento no país. O resultado mostra que o Brasil terá graves problemas se nenhum investimento for realizado no sistema de produção hídrica até 2015. Do total de cidades analisadas, 64% delas, ou seja, 1.896, têm dificuldades em atender as suas populações. Para evitar um colapso no fornecimento e garantir o atendimento de todas elas até 2025, o órgão estima um gasto de R$ 18,2 bilhões nos próximos seis anos.

O gargalo, segundo o estudo, está nas regiões metropolitanas que detêm alta densidade populacional e são grandes polos de desenvolvimento como São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Das 430 cidades que se enquadram nesse perfil, 66% delas precisam de R$ 12 bilhões para ampliar seus sistemas de captação de água e utilizar novos mananciais. É nas regiões metropolitanas que estão 70% do Produto Interno Bruto (soma das riquezas geradas pelo país). Lá também vivem 60% da população brasileira, ou aproximadamente 94 milhões de habitantes.

O Distrito Federal também se enquadra no perfil. Além da capital federal, o estudo demonstrou que o inchaço de grandes centros urbanos, como Curitiba, Goiânia e Fortaleza, vem causando uma pressão sobre os recursos hídricos locais, com a necessidade de se buscar novas fontes de abastecimento em locais cada vez mais distantes e com investimentos maiores.

Nas regiões metropolitanas de São Paulo, Baixada Santista, Campinas, além da região metropolitana do Rio de Janeiro, por exemplo, os técnicos da ANA constataram comprometimento da qualidade da água vindas dos mananciais e a falta de tratamento adequado na captação de água em bacias prioritárias como a do Alto Tietê e a de Paraíba do Sul. Juntas, essas cidades carecem de 46% de investimentos que mudem essa realidade.

Tratamento
A segunda maior preocupação do estudo vem do semiárido nordestino, historicamente conhecido pela escassez de água. Das 1.892 cidades analisadas, 73% correm risco de ficarem desabastecidas se nenhuma política de atendimento for feita até 2015. Do valor total que o governo tem de implementar para atender todas as regiões apontadas no estudo, metade - R$ 9 bilhões - deve ser depositada nesta região para o atendimento de 39 milhões de pessoas. A situação mais grave é em Pernambuco e na Bahia, onde a grande escassez de recursos hídricos e o elevado número de municípios exigem 51% de recursos a mais do que já é aplicado para evitar um apagão no abastecimento.

"O nosso estudo mostra que as demandas já estão muito próximas da oferta. Já estamos em sobrecarga em vários sistemas, em vários mananciais. Não é fácil criar uma situação de abastecimento tão rápido. É preciso ter estudos técnicos e medidas rápidas para atender as necessidades", argumenta o presidente da ANA, José Machado.

Na Região Sul, os pesquisadores identificaram uma situação menos preocupante, mas que também inspira cuidados. Dos 789 municípios pesquisados, 338 necessitam de investimentos -um montante de R$ 3,43 bilhões dos R$ 18 bilhões pedidos. O estudo é parcial e demorou dois anos para ser finalizado. A análise das outras regiões (Sudeste, Centro-Oeste e Norte) começa a ser feita a partir do ano que vem.

Segundo o professor do departamento de engenharia civil e ambiental da Universidade de Brasília Sérgio Koide, os números apresentados não são exagerados. "A avaliação está dentro da realidade se levarmos em conta que no governo Fernando Henrique se esperava privatizar o setor responsável pelo abastecimento e saneamento no país. Como isso não ocorreu, vimos os governos empurrando com a barriga e investindo pouco para não ver o sistema entrar num colapso", ressaltou.

A falta de tratamento de esgoto adequado também é outra preocupação apontada no estudo da ANA. Para que as cidades não comprometam a qualidade da água que abastece a população nas regiões pesquisadas, o governo federal terá que desembolsar R$ 23 bilhões.

Mais uma vez as regiões metropolitanas são as que devem contemplar maior parte desse montante para tratamento e coleta de esgotos - um aporte de R$ 15,7 bilhões. No Nordeste, a melhoria no sistema de saneamento básico deve atingir, cerca de 800 municípios pobres, com objetivo de ajudar na recuperação da qualidade da água de rios e açudes utilizados como mananciais de abastecimento.

Correio Braziliense

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ciclo produtivo do lixo: políticas e tecnologia.

Desoneração tributária, políticas públicas de incentivo à coleta seletiva e uso de tecnologia de ponta no processamento de resíduos domésticos e industriais foram os caminhos apontados para solucionar o problema do lixo no debate “Indústria da Reciclagem: impactos sociais, econômicos e ambientais”, realizado pelo Fórum de Desenvolvimento do Rio. O evento encheu o plenário e as galerias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e contou com a presença de representantes do governo estadual, do vice-prefeito da capital e de prefeitos de municípios do interior, bem como empresas que trabalham com reciclagem e aproveitamento de resíduos, e representantes de associações de catadores de lixo. Um ponto uniu o discurso de todos os palestrantes presentes: o desafio representado pelas 15 mil toneladas de lixo produzidas todos os dias no estado só vai ser solucionado alinhando regulação estatal, poder de investimento da iniciativa privada, inclusão social e fomento à transição para técnicas mais modernas de tratamento de lixo.
Para o presidente da Alerj e do Fórum, deputado Jorge Picciani (PMDB), é preciso trabalhar a favor da sustentabilidade ao mesmo tempo em que se busca atrair novas empresas, gerar empregos e aumentar a renda da população. “Transformar o que resta de um dia de consumo de um indivíduo em emprego, saúde, novos produtos e evitar com isso enchentes e proliferação de doenças é papel de todos”, afirma Picciani. Ele lembra que somente na região metropolitana do Rio de Janeiro 40 mil pessoas vivem do dinheiro conseguido na coleta de lixo. “Muitas vezes elas começam o seu trabalho depois que todos nós já fomos dormir. Catam o material reciclável e o vendem aos depósitos ou a intermediários, que revendem depois para empresas de reciclagem”, explica a deputado.

Desoneração tributária une governo, ONGs e parlamentares
A desoneração tributária é um das principais medidas defendidas tanto pelo Governo, quanto por ONGs e parlamentares. A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, responsável pela primeira palestra do debate, afirmou que a desoneração da cadeia produtiva da reciclagem é uma questão que está na pauta nacional e que pode gerar impactos em todo o estado. O presidente Lula já anunciou que pretende enviar ao Congresso Nacional um pacote com medidas de desoneração às chamadas empresas da reciclagem, termo que engloba recicladores, usinas de processamento e as empresas que usam matéria prima reciclada na confecção dos produtos finais. Enquanto a legislação nacional não chega, uma das sugestões apresentadas no debate foi o estado do Rio de Janeiro se adiantar e implementar incentivos fiscais específicos para a reciclagem.

“Por que o Rio de Janeiro não assume a dianteira e implementa de uma vez incentivos à indústria da reciclagem? Ficamos felizes em ver que tanto o Governo estadual quanto o Legislativo avaliam com simpatia o uso de renuncia fiscal como instrumento para fomentar a reciclagem”, afirmou o presidente da Associação Estadual dos Recicladores do Estado do Rio de Janeiro (Arerj), Edson Freitas, durante a sua palestra, defendendo essa como a medida que traria mais impacto para alavancar a reciclagem no estado. O deputado Paulo Ramos (PDT) também a apóia. “Antes de virar resíduo, o produto já pagou impostos ao longo de todo o processo produtivo, da matéria-prima à comercialização”, defendeu o deputado.

Políticas públicas
A regulação estatal não se faz necessária apenas para garantir isenção de impostos. A adoção de políticas públicas permanentes para aumentar a coleta seletiva é considerada um gargalo para aumentar o reaproveitamento de resíduos. Estimativas da Secretaria Estadual do Ambiente apontam que 40% do lixo pode ser reciclado, mas apenas 1% é de fato transformado em outros produtos. A separação dos resíduos atualmente é feita pelas cooperativas de catadores, mas poderia ganhar escala se fosse encampada como meta prioritária pelos municípios, que são os responsáveis pela coleta de lixo.

A prioridade atual no estado Rio, no entanto, tem sido a política de substituição dos lixões por aterros sanitários estruturados por meio de consórcios intermunicipais. O estado do Rio tem atualmente 8 aterros sanitários, mas esse número deve aumentar para 13 nos próximos meses. “Vivemos um período de transição no estado do Rio. Os aterros sanitários são a solução economicamente viável no momento e já representam uma evolução em relação à situação atual do lixo”, afirma a secretária do Ambiente, Marilene Ramos. Ela explicou que a implantação em massa de usinas de processamento de lixo, seja para transformação em fertilizante ou geração de energia, tem custos acima do que o estado pode arcar. Ela estima que os aterros sanitários tenham custo de cerca R$50 por tonelada, ao passo que as usinas custam até R$ 120 por tonelada de lixo. “Estamos saindo de uma situação praticamente medieval, com lixões a céu aberto e aterros controlados que custam até R$20 por tonelada”, afirma Marilene. Ela avalia que em duas ou três décadas, justamente o tempo de vida útil de um aterro tradicional, o governo do estado já tenha condições de fazer a transição para as usinas de processamento mais modernas.

Tecnologia de ponta
A nova fronteira para a questão do lixo e destinação de resíduos sólidos é o uso de usinas de processamento de resíduos. Algumas incineram o material e o transformam em energia elétrica ou térmica. Outras já desenvolveram técnicas para transformar o lixo em fertilizante. Durante o debate desta segunda-feira, o professor e pesquisador da Coppe/UFRJ, Claudio Mahler, apresentou exemplos de países europeus que já estão na fase de transição dos aterros para as usinas de processamento e reciclagem. A Inglaterra já consegue processar 38% de todos os resíduos, enquanto a Alemanha investiu pesado na implantação de usinas de energia elétrica. Aqui mesmo no Brasil, a empresa mineira Geociclo é um exemplo do uso da biotecnologia a serviço da sustentabilidade. A empresa criou e patenteou tecnologia totalmente nacional que faz fertilizantes orgânico e organominerais a partir do lixo. Na prática, significa dizer que o passivo ambiental é convertido em ativo econômico. Ernani Judice, diretor da Geociclo, durante a sua palestra no plenário da Alerj, destacou as vantagens da técnica. “O lixo, que era um problema, passa a ser uma solução com a produção de fertilizantes para a agricultura”, completa Judice.

Questão social
O presidente da Associação de Catadores de Lixo, Sebastião dos Santos, que também participou do debate, chamou atenção para a dimensão social. Nas últimas décadas a reciclagem tem sido possível graças à existência de um exército de pessoas que se dedicam a separar o material e revendê-lo. “Os catadores são protagonistas nesse debate, queremos que nossos direitos sejam respeitados”, afirma, defendendo que as prefeituras encarem a coleta seletiva como uma política pública permanente, e não como um projeto de inclusão social. Em relação ao fechamento dos lixões, ele foi enfático: “Para cada lixão fechado, deveria ser criado um fundo para os catadores que ficaram sem local para continuar suas atividades”.

Redenoticia.com.br

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Protozoário resiste ao cloro em piscina.

Protozoário encontrado em piscina é resistente ao tratamento com cloro e pode causar doença crônica. Só a luz ultravioleta C tem o forte poder de matá-lo.

O Cryptosporidium causa uma doença chamada criptosporidiose. Os sintomas são diarréia, desidratação, perda de peso, dor abdominal, febre, náuseas e vômitos. E pode se tornar um caso de infecção crônica em pacientes com baixa imunidade, principalmente as crianças. Portanto, é preciso cuidar bem da piscina para que os usuários não sejam contaminados pelo protozoário. Só a luz ultravioleta C atua diretamente no DNA do parasito, por isso é capaz de inativá-lo. O Pool Clean UVC da Sibrape é pioneiro no Brasil em descontaminação de água de piscina por meio dessa luz germicida.

O Cryptosporidium é transmitido na piscina de uma pessoa para outra por meio de oocistos, formas de resistência com formato oval ou esférico, bem pequenas, que são eliminadas nas fezes de indivíduos infectados por essa parasitose. Os oocistos, muito resistentes ao cloro, "abrigam" o protozoário que permanece protegido das condições adversas do ambiente.

A infecção se dá quando a pessoa infectada vai ao banheiro, não faz a higiene adequada e em seguida entra na piscina. Os resíduos fecais contendo oocistos contaminam a água e podem infectar outros indivíduos que, acidentalmente, a ingere. Os oocistos já saem nas fezes na forma infectante e permanecem resistentes no ambiente até três meses.

"Os pacientes infectados podem apresentar quadros de diarréia que, em alguns casos, podem ser severos, assemelhando-se à colera. O acometimento varia de acordo com o estado de imunidade de cada pessoa. O período de incubação vai de sete a 10 dias. E não existe, até o momento, um remédio altamente eficaz para o tratamento", informa a infectologista Karen Mirna Loro Morejón, que é médica do departamento de moléstias infecciosas do Hospital das Clínicas.

"Aproximadamente 17% dos casos de diarréia na população infantil são associados com infecção por Cryptosporidium. E como os oocistos são resistentes ao cloro, não é fácil a inativação do protozoário", explica a bióloga e presidente da Sociedade Paulista de Parasitologia, Regina Maura Bueno Franco, que é mestre e doutora em parasitologia e coordenadora do Programa de Pós-graduação em Parasitologia da Unicamp, Universidade Estadual de Campinas-SP.

Em artigo científico publicado em revistas nacionais e internacionais, a bióloga fala sobre a preocupação que se deve ter com as águas de recreação, que constituem um risco de aquisição desses agentes parasitários. "As formas de resistência desses protozoários são capazes de sobreviver aos processos de cloração da água e apresentam elevada persistência às condições adversas ambientais", esclarece a bióloga. A composição da parede do oocisto faz com que ele seja impermeável a maior parte dos desinfectantes, inclusive o cloro. "O parasito sobrevive longos períodos em ambientes úmidos e frios, sendo resistente não só à cloração, como também à ozonização", completa a infectologista do HC.

Agora temos uma doença que é resistente à principal barreira usada para exterminar a maioria dos germes transmitidos na piscina, o que gera grande preocupação. Muito há de se evoluir a respeito da prevenção, mas a boa notícia é que já existe um método indicado para esse fim, que é a luz ultravioleta. "A luz ultravioleta atua diretamente no DNA do parasito e, dessa forma, ele não pode se multiplicar. Isso significa que o usuário da piscina pode até ingerir o oocisto presente em águas que passam pela tecnologia de desinfecção por luz ultravioleta, mas não irá desenvolver a doença (criptospodiriose) porque a ação infectante do oocisto é inativada pela luz, não sendo mais capaz de complementar seu ciclo biológico", acrescenta a coordenadora do Programa de Pós-graduação em Parasitologia da Unicamp.

O Pool Clean UVC da Sibrape, sistema de descontaminação de água de piscinas por meio da luz ultravioleta, é pioneiro no Brasil no oferecimento dessa tecnologia avançada. "O equipamento combate todos os tipos de micro-organismos presentes na piscina, como o Cryptosporidium e também a Giárdia, que é outro protozoário resistente ao cloro. O UVC é o único método de descontaminação de água de piscinas que reduz a aplicação de processos químicos", informa o gerente de negócios da Sibrape UVC, Marcelo Sorrilha.

Ao recircular, a água passa pelo filtro da piscina e, depois, pela poderosa luz germicida ultravioleta C do Pool Clean. Instantaneamente, os micro-organismos são eliminados. Não existem riscos de alta dosagem, pois quanto mais a água passa pelo equipamento, mais descontaminada retorna à piscina.


Protozoário também contamina rios, lagos, mares e oceanos

Quando os oocistos do Cryptosporidium são direcionados para os esgotos juntamente com as fezes, os processos de tratamento (aeróbio ou anaeróbio: com ou sem oxigênio) não são totalmente eficazes na remoção desses protozoários. Pelo menos 20% permanecerão no efluente e novamente serão lançados nos rios, lagos, mares e oceanos. Portanto, o grande potencial de veiculação hídrica do protozoário também tem despertado a atenção da Saúde Pública e tornou-se uma constante preocupação para as empresas de saneamento que captam água dos mananciais e a tratam para distribuir à população — o problema preocupa, ainda, a indústria de alimentos pela ingestão dos que são mal cozidos e contaminados pelo Cryptosporidium.

"O protozoário já foi detectado no Rio Tietê, em São Paulo-SP. Ele também aparece em serras e matas, onde passam águas límpidas e cristalinas. Isso é válido, inclusive, como argumento para o uso do UV, quando pessoas querem simplesmente canalizar essas águas para uma cisterna usando apenas cloro", alerta Roberto Santos, diretor da Technolamp, empresa especializada em tecnologias de ponta com aplicações em purificação de água, desinfecção de efluentes e ambientes em geral.


O Centro de Vigilância Epidemiológica mantém um registro dos surtos da doença no estado de São Paulo. Os primeiros casos de criptosporidiose em ser humano aconteceram em 1976. Posteriormente, no início da década de 80, uma série de 21 registros chamou a atenção de especialistas em virtude dos fatores epidemiológicos em comum: as vítimas eram jovens, saudáveis e do sexo masculino.

Fonte: Tratamento de água

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Governo divulga lista dos veículos mais poluidores vendidos no Brasil

LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

O Ministério do Meio Ambiente divulgou nesta terça-feira uma lista que pontua os veículos vendidos no Brasil de acordo com o grau de emissão de gases poluentes. Os 402 carros --todos produzidos em 2009-- receberam pontuação de uma a cinco estrelas, em que quanto menor a poluição maior a quantidade de estrelas. De acordo com o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), o objetivo é informar o consumidor, para que ele possa fazer uma escolha consciente.

Veículos com melhores notas são mais econômicos e o consumidor gasta menos. Ele vai estar poluindo menos, emitindo menos CO2, ou seja, contribuindo menos para o aquecimento do planeta e também gastando menos combustível, fazendo bem para o bolso", afirmou.

Os piores

Pela lista, apenas 22 carros receberam cinco estrelas, todos eles carros flex e com motor de até 1.8 cilindradas. Na outra ponta da tabela, 20 carros receberam apenas uma estrela: todos carros a gasolina e potentes, com motor acima de 2.0 cilindradas.

Entre os menos pontuados estão 10 carros da Citroën, entre eles o Xsara Picaso GXA 2.0 e o C4 2.0. Outros cinco carros são da Peugeot, todos do modelo 407 com motor 2.0

Completam a lista três carros da Mitsubishi, entre eles o Pajero HPE 3.8. A Volkswagen tem dois modelos do Jetta 2.5 entre os que receberam uma estrela.

Menos poluidores

Entre os carros que receberam cinco estrelas --todos flex-- sete são da General Motors, sendo seis modelos diferentes do Celta 1.0 e 1.4 e o Prisma 1.0. A Fiat tem seis modelos no topo da lista, entre eles o Idea, Palio, Siena e Stilo, todos 1.8.

A Volkswagen teve cinco carros entre os mais bem pontuados, todos modelos do Fox e do Spacefox 1.6. A Citroën tem três C3 1.4 com cinco estrelas e o Ford KA 1.0 completa a lista.

Critério

A pontuação estabelecida pelo ministério é dividida em duas partes: três estrelas representam o nível de poluição relativo ao monóxido de carbono, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio. Das duas restantes, uma é dada para carros com baixa emissão de CO2 no escape e, a última, apenas para carros flex ou a álcool.

Ou seja, pelo critério, nenhum carro a gasolina pode receber cinco estrelas.

De acordo com o ministro Minc, o critério de pontuação da lista divulgada hoje é mais rigoroso do que lista semelhante divulgada em setembro.

Veja, abaixo, os dez veículos mais poluidores, de acordo com o Ministério:

VW JETTA VARIANT 2.5 (CCC) GASOLINA
VW JETTA 2.5 (CCC) GASOLINA
PSA/PEUGEOT 407 SSD A 2.0 2.0 L GASOLINA
PSA/PEUGEOT 407 SW 2.0 2.0 L GASOLINA
PSA/PEUGEOT 407 2.0 2.0 L GASOLINA
PSA/PEUGEOT 407SW20SA ALL 2.0 L GASOLINA
PSA/PEUGEOT 407SD20SA ALL 2.0 L GASOLINA
PSA/CITROËN PICASSO 20CONF A 2.0 L GASOLINA
PSA/CITROËN PICASSO II 20GLXA 2.0 L GASOLINA
PSA/CITROËN PICASSO II 20EXCA 2.0 L GASOLINA
PSA/CITROËN XSARA PICASSO EXA 2.0 L GASOLINA

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Tecnologia de descontaminação.

A MFSFlux, empresa brasileira de soluções para o meio ambiente, atua no segmento de tecnologia de beneficiamento de água e tratamento de efluentes, fornecendo os serviços para todas as etapas do processo de tratamento de água, de efluentes, descarte de material e produção de água de reuso. A empresa - que tem entre seus clientes a Hyundai, em Goiás, a Ford, na Bahia e a Coca-Cola, no Rio de Janeiro está investindo R$ 6 milhões para trazer ao mercado dois novos produtos para tratamento de efluentes. O Turboflux e o Carbonflux utilizam tecnologia japonesa e russa, respectivamente, sendo que o segundo será fabricado pela própria MFSFLUX em São Bernardo do Campo.

O Turboflux é um polímero que reduz em 95% as impurezas de efluentes com 35% de redução do custo operacional. O Carbonflux retira do ambiente óleo derramado, seja em meio líquido ou sólido - inclusive da areia - e reduz o custo em até 50%. "Somos distribuidores exclusivos dessa tecnologia japonesa que substitui produtos químicos como os descolorantes, coagulantes, entre outros", diz Marco Antonio Minerbo, sócio-diretor da empresa. Trata-se de um polímero que aglutina em flocos as impurezas presentes nos efluentes - industriais e sanitários - em um tempo que varia de 30 segundos a um minuto.

"O tempo gasto pela tecnologia atual é de no mínimo uma hora, garantindo economia em escala em toda a operação", garante Minerbo. Até a construção da estação de tratamento de água fica 35% mais barata. Tomando como parâmetro uma ETE de pequeno porte, por exemplo, o investimento exigido é de aproximadamente R$ 3,25 milhões contra gastos atuais de R$ 5 milhões. A área construída diminui o que requer menos obras civis e reduz também o número de equipamentos adquiridos porque a produtividade aumenta muito.

O Turboflux é um produto focado para produção de água de reuso porque atua no tratamento primário do efluente, apresentando um rendimento superior a 95% de remoção de impurezas. O floco gerado possui aspecto plástico que retém 20% menos de água, o que agiliza também o trabalho do secador de lodo.

Com as novas regras de taxação e limitação de captação de água pura, o reuso ganhou importância no setor industrial. Uma fábrica do setor automotivo, por exemplo, gasta em média 150 mil metros cúbicos por mês. Já no setor têxtil, esse uso chega a 600 mil metros cúbicos por mês. "A economia proporcionada pelo Turboflux é real e contribui tanto para o caixa das empresas quanto para a preservação dos nossos mananciais", afirma o empresário.

O Carbonflux é um grafite tratado industrialmente para ampliar sua capacidade de absorção. A tecnologia foi desenvolvida na antiga URSS e adquirida pela MFSFlux na Rússia, por meio de licença exclusiva. A planta de fabricação será em São Bernardo do Campo e entra em operação em dezembro de 2009. "O produto é ideal para retirada de óleos em geral e absorve 45 vezes mais o seu próprio peso. Ou seja, para cada 1 kg de Carbonflux, são absorvidos 45 kg de óleo", explica Minerbo.

O processo em uso atualmente no mercado é o de flotação que só absorve o óleo em meio líquido e, no processo, acaba captando água junto. Já o Carbonflux absorve óleo em qualquer lugar - inclusive na areia - e não capta água, apresentando capacidade de descontaminação da água de 99,9%. Na areia, por exemplo, a remoção de óleo fica aproximadamente 50% mais barata. No mar, reduz em 35%. "A capacidade elevada de absorção dá ao Carbonflux uma produtividade única no mercado", afirma o sócio-diretor da MFSFLUX.

Os planos da companhia são de expandir seu faturamento mensal dos atuais R$ 3,5 milhões para R$ 10 milhões já a partir de 2010. O investimento deve gerar 100 novos postos de trabalho.

Fonte:Agua, gestão e sustentabilidade

A ordem econômica Ambiental Brasileira.

Foi-se o tempo em que a natureza podia ser concebida como infinita e colocada em toda a sua plenitude a serviço da satisfação humana. Desde a década de 60, fundamentada na Hipótese Gaia - que define o planeta Terra como um organismo vivo e inteligente, capaz de superar situações de desequilíbrio ameaçadoras à vida e de criar novas condições de sobrevivência mesmo que isso exija grandes adaptações das espécies -, verificou-se que os modelos de desenvolvimento exercidos foram determinantes não só para melhorar a qualidade de vida humana, mas também, para proporcionar um corpo de ameaças e transformações ecológicas sobre as quais não se tinha qualquer controle.
Os reflexos dessa discussão planetária fizeram-se sentir de forma mais acentuada no Brasil quase 20 anos depois. Marcos como a Política Nacional do Meio Ambiente, a criação de agências de fiscalização e os programas setoriais, sinalizavam uma nova sensibilidade do Estado às pressões da opinião pública e dos movimentos ambientalistas.
Na Constituição Federal de 1988, o meio ambiente mereceu tratamento preciso e moderno, reconhecendo-o como um bem jurídico autônomo e portador de substantividade própria, essencial à sadia qualidade de vida.
Paralelamente ao inafastável dever de preservação, a obrigatória compatibilização das atividades econômicas com a defesa do meio ambiente é também uma premissa constitucional, conforme se depreende da análise do Título VII dedicado à matéria.
Nesse contexto e, consequentemente, na reestruturação das leis de mercado em virtude do novo quadro mundial regulador, tornou-se imperativo para o exercício regular das atividades econômicas, a consideração das contingências ambientais dentro de um procedimento contínuo de crescimento, seja por pressões externas, seja pela ameaça iminente de esgotamento da matéria-prima e insumos do próprio processo produtivo.
Nessa seara, influenciadas pelo quadro acima demonstrado e preocupadas com a sustentabilidade dos negócios de seus clientes, as Bolsas de Valores iniciaram um processo de adequação das avaliações de riscos das empresas, e inseriram a variável ambiental em seus indicadores de análise.

Como exemplo, quase 10% dos itens de qualificação ponderados no Dow Jones Sustainability Índex diz respeito às políticas de controle e redução das emissões de gases de efeito estufa, às características do modelo energético adotado e às estratégias de mitigação climática. Já na Bovespa, o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) possui indicadores específicos referentes à gestão ambiental da empresa e do seu compromisso de redução de emissões de gases de efeito estufa.
Nesse todo, podemos citar também a Lei Sarbanes-Oxley (Sarbox) que exige das corporações que estão sob a sua égide, o monitoramento e transparência sobre qualquer fato, situação ou condição, que possa repercutir, negativamente, sobre receitas, lucros, participação de mercado e/ou posição competitiva da empresa, dentre eles, os aspectos ambientais.
Desse modo, os impactos sobre a indústria brasileira foram significativos. A necessidade de cumprir os requisitos legais e as demais diretrizes setoriais fez com que 85% das indústrias brasileiras adotassem, durante os anos 90, algum tipo de procedimento associado às questões ambientais de sua atividade. E para aquelas com inserção internacional, a necessidade de ajuste às novas exigências não se limitou às nossas fronteiras. Sobre elas recaíram as chamadas barreiras verdes, resultantes dos padrões ambientais mais restritivos por parte dos países desenvolvidos, compradores, em sua grande maioria, do produto nacional.
Como resultado, em recente relatório, a Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono (Abemc) narra que as empresas brasileiras têm uma postura avançada em relação à questão da sustentabilidade do planeta, em comparação a de outros países em desenvolvimento com base no projeto denominado "Carbon Disclosure Project" (CDP).
Entretanto, apesar de todo esse quadro positivo, há ainda muito por fazer. A última análise do setor industrial realizado pela CDP, sobre a emissão de gases de efeito estufa, focada especificamente na cadeia de fornecedores de matérias-primas, embalagens, suportes logísticos, dentre outras atividades, das 34 maiores multinacionais, constatou-se que (i) entre 40% e 60% das emissões totais de gases de efeito estufa apontadas nos inventários das multinacionais, provêm de suas cadeias de fornecedores; (ii) 42% desses fornecedores informam não identificar o risco que uma alteração no clima representa às suas operações; e (iii) 1/3 alegam não enxergar no seu processo alguma ameaça ao atual cenário climático mundial.

Mas há esperanças e previsões de futuros pródigos. A conclusão do estudo elaborado pela Mckinsey acerca da matéria Caminhos para uma economia de baixa emissão de carbono no Brasil aponta, dentre outras considerações, que o Brasil é o quarto maior emissor de gases causadores de efeito estufa e é o que possui o maior potencial de reduzi-las. Comparado ao resto do mundo, o Brasil tem sozinho 5% das oportunidades de abatimento nas reduções das emissões de gases de efeito estufa, o que indica uma excelente justificativa para investimentos e, claro, de mobilização do setor empresarial nesse sentido.


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Fonte:Análise de Balanço/Valor Econômico, por Svetlana Maria de Miranda