quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sistema de esgotos é usado para aquecer piscinas na França.

Inovação no aproveitamento do sistema hídrico visa economizar energia elétrica e diminuir emissão de CO2.

PARIS - A água de duchas e banheiras, de lavadoras e máquinas de lavar pratos chega aos esgotos das cidades a uma temperatura média entre 15º e 20º centígrados, uma energia geralmente desperdiçada, mas um sistema inovador sugere aproveitar o recurso hídrico para aquecer piscinas em um município perto de Paris.


Levallois-Perret, situado nos arredores da capital francesa, é pioneiro na França no aproveitamento da energia dos esgotos, com o qual pretende economizar na conta de energia elétrica e reduzir as emissões de gases do efeito estufa.


"Quando soube a quantidade de calor perdida nos esgotos decidi que tinha de fazer alguma coisa", afirma à Agência Efe a vereadora do Meio Ambiente da localidade, Sophie Deschiens, que não esconde querer tornar sua cidade referência no aproveitamento de energias limpas.


Deschiens percorreu o mundo para conhecer as tecnologias de aproveitamento dos recursos ecológicos e descobriu um sistema que permitia recuperar o calor dos esgotos. "Não duvidei um instante, tínhamos que tê-lo em nossa cidade", assegura a vereadora da localidade.


Para começar, decidiram aplicar o sistema para aquecer o novo centro aquático que está sendo construído na cidade, dotado de três piscinas, saunas, jacuzzi e outras instalações. Em meados deste mês, o sistema estará pronto e começará a aproveitar o calor dos esgotos.


A empresa Lyonnaise des Eaux ficou encarregada de iniciar o projeto porque, além disso, é a responsável pelo tratamento de água e esgoto de Levallois-Perret. Os analistas calcularam que os lares consomem cada vez menos água, porém cresce o uso de água aquecida, o que facilita o aproveitamento desta fonte de energia.


A ideia é manter durante todo o ano a água das piscinas a uma temperatura de 28 º com a ajuda do calor recuperado dos esgotos. O princípio é simples. Uma série de placas de aço inoxidável é fixada no fundo das tubulações de esgotos equipadas com um líquido especial que capta o calor.


"É preciso que haja um volume de água residual mínimo para que o sistema funcione, mas tivemos a sorte que os esgotos que passam próximo do parque aquático atendiam as necessidades", explica.


Uma distância de 80 metros separa a local onde estão as placas da caldeira que aquece o parque aquático. Com este sistema, Levallois-Perret pretende reduzir em 24% os gastos com energia elétrica do parque e 66% as emissões de gases do efeito estufa.


Deschiens está convencida que o sistema é rentável no longo prazo e espera amortizar o investimento em dez anos. A cidade gastou 474 mil euros para instalar o sistema que recupera o calor da água e do esgoto. Quanto o projeto estiver funcionando a pleno a economia na conta de energia elétrica pode alcançar os 48 mil euros anuais, calcula a vereadora.


Para Deschiens, o novo sistema faz parte da aposta da cidade por energias limpas. Há anos, o sistema de calefação da cidade recebe energia gerada no tratamento de lixo. Este sistema, que funciona desde 1989, vai utilizar a energia que não for utilizada no aquecimento do centro aquático. O novo projeto apresentará a energia equivalente a cerca de 800 megawatts dos 3.600 megawatts que consome anualmente o parque de águas.


O sistema de recuperação do calor da águas e do esgoto chamou a atenção de outras cidades do país. Valenciennes e Bordeaux enviaram os responsáveis ambientais para obterem informações das instalações de Levallois-Perret. "Se outras cidades querem copiar o sistema, estamos felizes. Nunca ninguém se interessou tanto por nossos esgotos", brinca Deschiens.

Fonte: Estadão.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sucata eletrônica: o mal do século gera negócios .

Dar destinação correta à montanha de lixo eletrônico produzida pela vida moderna é um problema complexo e de difícil solução. O Greenpeace calcula que o volume de descarte mundial gire em torno de 50 milhões de toneladas por ano. Mas esse problemão também pode gerar oportunidades de negócio para quem resolve encarar o desafio. Uma das empresas habilitadas a tratar desse assunto é a recém-criada Descarte Certo, que presta serviços para fabricantes e consumidores de eletroeletrônicos. Além de recolher os aparelhos fora de uso em escritórios e residências, a Descarte Certo gerencia toda a logística reversa do novo ciclo de vida do produto, processo altamente sofisticado e que inclui o desmonte e a venda dos componentes reaproveitáveis – feito por empresas credenciadas por eles.

Encaminhado para um armazém, onde passa por triagem de acordo com sua categoria, o aparelho segue depois para a linha de desmontagem. Lá, é decomposto por tipos de material, visando o reaproveitamento de seus componentes. Assim, o plástico é destinado para empresas que reciclam plástico, o ferro, para empresas que reciclam ferro e assim por diante.

O serviço não é barato. Pagam-se R$ 152 pela retirada de uma geladeira, por exemplo. Mas o custo se dilui, se for levado em conta o tempo de vida útil do aparelho. E também pela garantia de que os restos daquele monitor de vídeo, completamente fora de moda e recheado de substâncias tóxicas, não vai parar num aterro a céu aberto. Ou seja, não vai poluir o lençol freático nem contaminar o catador de lixo.

“Fizemos uma pesquisa perguntando às pessoas se estariam dispostas a arcar com os custos desse tipo de reciclagem. Uma em cada dez respondeu que sim. O número subiu para seis propúnhamos retirar o aparelho na casa delas”, conta Lucio Di Domenico, especialista em marketing, tecnologia e administração e um dos sócios fundadores da Descarte Certo.

Desde novembro, os clientes da rede de supermercados Carrefour, com quem a empresa fechou parceria, podem optar pelo serviço. A exemplo de uma garantia estendida, o consumidor paga uma taxa extra pelo descarte correto no ato da compra. E assim consegue se livrar daquela máquina de lavar plantada na área de serviço antes de receber a nova. A empresa fornece um certificado para que o cliente acompanhe pelo site o estágio em que se encontra a reciclagem do seu aparelho.

Componentes perigosos

Os resíduos de equipamentos elétricos e eletroeletrônicos (REEE), aparelhos maravilhosos que tornam nossa vida mais confortável, contêm elementos tóxicos e cancerígenos. Daí a importância de serem manipulados corretamente. “As substâncias mais problemáticas, do ponto de vista ambiental, são os metais pesados (mercúrio, chumbo, cádmio e cromo), os gases de efeito estufa, as substâncias halogenadas, como os clorofluorcarbonetos (CFC), as bifenilas policloradas (PCBs), o cloreto de polivinila (PVC) e retardadores de chama bromados, assim como o amianto e o arsênio 8”, afirma a pesquisadora Ângela Cássia Rodrigues, doutoranda no assunto pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

Ainda não existe um consenso sobre a quantidade média de REEE gerada no Brasil. De acordo com o Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), os brasileiros produzem cerca de 500 mil toneladas anuais de sucata eletrônica. Só em 2008 foram vendidos no país 12 milhões de computadores. A base instalada de PCs, incluindo as vendas projetadas para 2009 (também de 12 milhões), é de cerca de 55 milhões, informa a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). “A vida útil deles é, em média, de três a quatro anos. Calculamos que mais de 5 milhões sejam descartados anualmente”, diz Domenico, para quem a produção nacional de REEE gira em torno de 100 milhões de unidades por ano.

Ele também calcula em 170 milhões de aparelhos a base instalada de celulares no país – praticamente um por habitante. Número semelhante ao de televisores, presentes em 92% dos lares brasileiros. “Somos 180 milhões de pessoas e as vendas anuais de TV chegam a 10 milhões de unidades”, afirma. Imagine quantas delas serão trocadas pelas de tela plana ou LCD nos próximos anos, agravando o risco de danos ambientais? Os televisores e monitores de computadores antigos são verdadeiras bombas-relógio: seus tubos de raios catódicos contêm entre 2 e 4 quilos de chumbo, além de fósforo, bário e cromo.

Coletor de pilhas

Trata-se de um mercado promissor para empreendedores de visão. Um dos pioneiros em soluções de logística é o administrador de transportes Adalberto Panzan, que em 1998 fundou em São Paulo a ADS. O grande salto da empresa aconteceu em julho de 2006, quando ajudou a conceber e estruturar um projeto de recolhimento de pilhas destinadas ao reprocessamento – o Papa-Pilhas. Programa do Banco Real, ele foi tão bem sucedido que acabou encampado pelo Grupo Santander.

“Começamos com 31 pontos, em agências do banco localizadas em João Pessoa (PB), Campinas (SP) e Porto Alegre (RS)”, recorda Panzan. Hoje há 2.067 pontos ativos de coleta de pilhas, baterias, carregadores e aparelhos celulares em 24 estados brasileiros. Em 2007, o programa coletou 34 toneladas. Em 2008 foram 127 toneladas e a estimativa para 2009 é de 167 toneladas.

Márcio Barela, especialista em sustentabilidade e responsável pelo Papa-Pilhas no Grupo Santander, elogia a eficiência do processo. “A ADS é uma parceira muito importante e o sistema que construímos juntos permite um monitoramento integral do processo. É fundamental ter uma gestão perfeita, porque constantemente somos questionados em relação à segurança e temos também de prestar contas aos órgãos ambientais”, explica Barela.

A ADS desenvolveu o display onde os consumidores depositam o material – os coletores são certificados – e se encarrega do transporte seguro até a sede da Suzaquim Indústrias Químicas, em Suzano (Grande São Paulo), responsável pela reciclagem. Na Suzaquim, as pilhas e baterias são desencapadas e os metais queimados em fornos industriais – todos dotados de filtros que impedem a emissão de gases poluentes. No processo, são obtidos sais e óxidos metálicos, que servem de matéria-prima para a indústria de refratários, vidros, tintas e cerâmica, entre outros.

A cada lote que retira, a ADS emite para o banco um certificado de reprocessamento e, do computador do escritório, Panzan acompanha em detalhes essa sofisticada operação de logística reversa. Na tela do computador, o sistema registra os locais onde as coletas foram feitas, os volumes coletados e o destino de cada lote. As pilhas são transportadas em cilindros de papelão rijo, homologados pelo Inmetro.

De todo o Brasil, quilos e quilos de pilhas aterrissam no galpão da ADS, que depois as envia para a Suzaquim. “Contratamos uma empresa especializada em cargas perigosas para fazer o transporte”, explica Panzan, acrescentando que a operação tem 100% de rastreabilidade.

Alto custo

Enquanto a Política Nacional de Resíduos espera pela aprovação do Congresso, a demanda por logística reversa aumenta, uma vez que alguns Estados, como São Paulo, exigem que a destinação dos resíduos eletroeletrônicos fique a cargo dos fabricantes. Para pilhas, no entanto, já existe regulamentação, embora funcione pouco, porque o consumidor é mal-informado. Apenas uma minoria se preocupa em devolvê-las ao fabricante. Portanto, a maior parte das pilhas velhas é jogada nos lixões, contaminando o meio ambiente com seus altos índices de cádmio e mercúrio.

Para complicar o cenário, a Abinee calcula que 40% do 1,2 bilhão de pilhas consumidas todos os anos no país sejam produtos falsificados – e esses têm maior teor de metais prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

Fabricantes não se mexem porque a logística para o recolhimento é cara e complicada e porque falta educação ao consumidor. “O brasileiro não lê nem manual de instrução. Vai ler embalagem recomendando lugar de descarte?”, argumenta a engenheira ambiental Fátima Santos, gerente técnica e comercial da Suzaquim. Licenciada desde 1997 para reprocessar sucata eletrônica – de computadores a pilhas –, a empresa cresceu nos últimos quatro anos, mas opera abaixo de sua capacidade. Poderia processar até 700 toneladas de REEE por mês, mas só recebe 250 toneladas (30 toneladas só de pilhas).

Por Denise Ribeiro (Envolverde) / Edição de Benjamin S. Gonçalves (Instituto Ethos)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Poço contaminado com radiação permanece aberto em Caetité.

Mesmo após notificação da Secretaria de Saúde da Bahia e do Inga (Instituto de Gestão das Águas e Clima), água segue sendo consumida pela população.


Por Greenpeace

Ativistas do Greenpeace protestaram em frente ao prédio da Secretaria de Recursos Hídricos de Caetité, município do sudoeste da Bahia que abriga uma mina de urânio operada pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), pelo descaso das autoridades locais em relação à saúde da população rural do município.

Na última quinta-feira, dia 21, a prefeitura de Caetité e a estatal INB (Indústrias Nucleares do Brasil) foram notificadas para suspender imediatamente o uso de água de três pontos (entre eles um poço em Barreiros, zona rural da cidade), onde detectou-se a presença de radioatividade além do permitido pelo Ministério da Saúde.

A INB não deu qualquer satisfação sobre que atitudes tomou acerca dos dois pontos de água radiotiva que foram encontrados no terreno de sua mina. Quanto à prefeitura, ela simplesmente não moveu sequer um dedo para impedir o acesso ao poço de Barreiros e fornecer fontes alternativas de água à população local. Essa foi a razão do protesto do Greenpeace, realizado em frente à Secretaria de Recursos Hídricos do município.

A estrela da manifestação foi o Caveira Guy, anti-herói nuclear brasileiro. Enquanto ele oferecia às autoridades locais, em uma barraquinha improvisada, água coletada no poço de Barreiros e acondicionada dentro de garrafas com o rótulo "Água INB, Gostosa de Morrer", ativistas do Greenpeace, dentro do prédio, convidavam o Secretário de Recursos Hídricos a matar a sede com o líquido contaminado.

Afinal de contas, se não fechou o poço, pode-se supor que ele acredita que análise da água feita pelo Instituto de Gestão de Águas e do Clima do estado está errada. Portanto, não havia razão para que não consumisse a mesma água que a população de Barreiros bebeu e ainda está bebendo.

O secretário Nilo Joaquim de Azevedo, no entanto, demonstrou maior cuidado com sua saúde do que com o bem estar dos eleitores e recusou-se a beber a água contaminada. Nenhuma outra autoridade local apareceu para tomar o líquido.

O poço da comunidade de Barreiros foi aberto em 2007 e fornece água para toda aquela região. Dados oficiais apontam que 15 famílias fazem uso da fonte. Mas uma equipe do Greenpeace foi até o local e constatou que, além de continuar aberto, o poço é utilizado pelo dobro de famílias. Na água, o Inga detectou um índice de radioatividade de 0,3 bq/litro*. O máximo permitido de acordo com a portaria 518 do Ministério da Saúde é de 0,1 bq/litro.

Os outros dois pontos onde o Inga detectou contaminação por urânio ficam na área interna da mina operada pela INB. Num poço, o índice de radioatividade, de 4,07 bq/ litro*, está 40 vezes acima do que é permitido. No outro ponto de contaminação dentro do terreno da INB, um tanque de acumulação de água, a radiotividade detectada foi de 0,23 bq/litro.

A suspensão imediata do uso da água nestes três pontos foi determinada pelo diretor geral do Inga, Julio Rocha, logo após o recebimento dos resultados da última análise realizada pelo órgão na região. A presença de contaminação por urânio acima dos níveis considerados seguros para humanos em poços na área rural do município foi detectada pela primeira vez em 2005.

Em fins de 2008, o Greenpeace conduziu uma análise independente em sete pontos na região e constatou índices de contaminação elevados em dois deles. O Greenpeace levou os resultados para o Ministério Público Federal, que moveu uma ação civil pública contra a INB, e para o Ingá, que decidiu analisar as fontes de água na região.

A INB opera a mina de urânio de Caetité desde meados da década de 90 e apesar de garantir que faz análises periódicas da água em poços do município, não se tem notícia de que elas detectaram qualquer grau de radiotividade nocivo à saúde humana nos pontos analisados - que por sinal ninguém fora da empresa sabe quais são.

Depois que exames independentes registraram a presença da contaminação, a estatal mudou o discurso. Parou de bater na tecla de que o consumo da água local era seguro e passou a dizer que a extração de minério não tem nada a ver com isso e que a radioatividade encontrada na água que serve a centenas de famílias em Caetité é fruto do alto teor de urânio presente no solo da região. Em outras palavras, a INB deu uma de Pôncio Pilatos e lavou as mãos.

O ônus de provar que sua mineração de urânio não tem nada a ver com o problema permanece no colo da INB. A empresa é uma estatal financiada às custas do contribuinte. É portanto inconcebível que ela continue a tratar com tamanho desleixo a saúde não apenas de quem lhe paga as contas, mas que em última análise são também seus acionistas.

Mesmo que ela consiga um dia provar sua inocência na contaminação, isso não a exime, como a principal especialista em questões de urânio em Caetité, a orientar as autoridades e população locais sobre a necessidade de evitar o consumo da água contaminada. Mas a INB nunca se pronunciou sobre o assunto - a não ser para dizer que o problema não é seu. E nenhuma família jamais foi orientada de forma oficial sobre o caso. As informações que a comunidade ameaçada de contaminação possui foram obtidas através da imprensa.

Greenpeace/EcoAgência

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Reduzir perdas de água será desafio do século 21 .

Universalizar a distribuição da água sempre foi objetivo das companhias de saneamento. Muitos avanços foram feitos, grandes metrópoles no Brasil contam com suprimento de água para quase toda a população. No entanto, o setor de saneamento depara-se de forma crescente com o desafio de reduzir perdas no sistema. A perda física de água ao longo da cadeia de captação, tratamento e distribuição soma-se à perda comercial, causada por problemas de medição e fraude, gerando números preocupantes. As estimativas são de que pelo menos 45% da água distribuída no Brasil seja perdida pelo caminho.

Essa nova estimativa foi feita pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas dos Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon). Mas seu presidente, Yves Besse, afirma que a avaliação é conservadora, pois os dados são escassos. “Acho que na realidade o número é maior. As empresas simplesmente não medem suas perdas”, diz . Reportagem de Gustavo Faleiros, no Valor Econômico.

O engenheiro Nilson Taira, do Instituto Pesquisa Tecnológica (IPT), explica que a dificuldade em medir as perdas se deve à própria infraestrutura de produção das empresas. As instalações são velhas e não apropriadas para medição. “No século passado, por exemplo, não havia necessidade de se fazer medição. O desafio do século XXI vai ser fazer a água ser distribuída com eficiência.”

Besse observa que as perdas se tornaram um dos melhores indicadores de eficiência de uma empresa de saneamento, onde envolvem diferentes áreas. A capacidade operacional precisa estar presente não apenas na produção e distribuição de água, mas também na área comercial. O presidente da Abcon avalia que hoje, no Brasil, as perdas dividem-se igualmente entre físicas e comerciais. O problema é que quanto menos se mede a cobrança mais se incentiva o uso abusivo do recurso hídrico .”Mais ineficiente na gestão comercial, mais desperdício.”

A Sabesp, a maior companhia de saneamento do país, orgulha-se de sua batalha contra as perdas. De 2006 a 2009 reduziu suas perdas de 32% a 26% De acordo com informações da assessoria de imprensa, o volume recuperado seria o suficiente para abastecer uma cidade de 586,6 mil habitantes. Em 2010, a meta é chegar a 24%. E em 2013 a 19%. Um planejamento de dez anos foi criado. Batizado de Eficaz, o programa vai investir, até 2019 um total de R$ 3,3 bilhões (R$ 2,3 bilhões para redução das perdas reais, R$ 900 milhões para redução das perdas aparentes e R$ 100 milhões para gestão).

A taxa ideal ainda parece ser um assunto aberto. O número de referência citado por muitos é de um estudo do Banco Mundial que recomenda no máximo 25%. Nilson Taira lembra, entretanto, que as melhores empresas de saneamento são consideradas aquelas que já atingiram uma taxa de perdas de 10%. No IPT, o pesquisador trabalha em diversas “frentes” para atacar o problema . Segundo ele há um trabalho de desenvolver metodologias e capacitar as empresas em usá-las. Paralelamente, o instituto desenvolve tecnologias apropriadas para as instalações brasileiras. “Não é fácil, não existe milagre, o medidor feito em outro país pode não funcionar em condições locais”, ele explica.

A tecnologia por trás da redução de perdas é um campo em crescimento. Só neste ano acontecem os dois maiores eventos já realizados sobre o tema. Na semana que vem ocorre o Global Leakage, em Londres, e em junho, em São Paulo, o World Loss. Em ambos, os principais especialistas da área vão se reunir e apresentar trabalhos técnicos e conhecer novos produtos para o setor. Grandes empresas como a ABB estão entre as principais patrocinadoras. “Há vinte anos, a medição de perdas era baseada muito mais em estimativas do que um processo científico”, observa o britânico Malcolm Farley, um dos organizadores de ambos os eventos.

Segundo ele, um dos fatores que impulsionou a mudança foi a pressão exercida sobre as empresas pela regulação de saneamento no Reino Unido. As companhias, diz, estão investindo pesado nos últimos 15 anos e conseguiriam atingir taxas entre a 15% a 25%. São bons números, afirma Farley, mas se comparados com países como Singapura, Holanda e Japão, onde a perda fica na casa 10%, percebe-se que ainda pode ser melhor.

A questão no Brasil também pode ser resolvida por regulação. Nilson Taira, do IPT, faz um paralelo com a indústria de gás e petróleo, que também enfrenta uma batalha constante para reduzir perdas, e onde houve uma regulação forte pela Agência Nacional do Petróleo que está mudando o cenário. No setor de saneamento, por outro lado, a regulação ainda caminha lentamente seja através de agência regionais, como a de saneamento no estado de São Paulo, ou mesmo os comitês de Bacia.

MercadoEtico/EcoDebate

Uso excessivo de ar-condicionado pode ser ‘vilão’ da saúde.

Para garantir conforto e bem-estar, principalmente no verão, as pessoas acabam passando a maior parte do tempo em ambientes com ar-condicionado, seja em casa, no trabalho ou no carro. Mas o que a maioria não sabe é que essa sensação de alívio pode ser acompanhada de consequências perigosas. “O uso de equipamentos para resfriar o ar pode favorecer a proliferação de fungos e de bactérias que contribuem para o surgimento ou para o agravamento de doenças respiratórias”, alerta o Dr. Ubiratan de Paula Santos, pneumologista do Incor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas da FMUSP, ligado à Secretaria de Estado da Saúde.

De acordo com o médico, isso acontece devido à falta de limpeza desses equipamentos na periodicidade adequada ou do modo correto. A exposição prolongada das pessoas a esses ambientes pode desencadear ou agravar alergias respiratórias, como rinite e asma, e infecções, como pneumonia e pneumonite por hipersensibilidade. Alguns desses problemas respiratórios podem evoluir para fibrose pulmonar, doença grave que pode levar o indivíduo à morte.

“A limpeza e a manutenção do filtro do equipamento de ar-condicionado devem ser rigorosas, para evitar o acúmulo de água e a concentração de microorganismos e de micropartículas”, diz Dr. Santos. Além disso, explica o médico, é preciso estar atento a outros fatores.

Aparelhos de refrigeração de ar localizados em ambientes com carpetes, máquinas de reprografia, impressoras e fogões devem receber cuidados especiais. Isso porque esses objetos e equipamentos liberam substâncias químicas nocivas à saúde. Nesse caso, é preciso aumentar a taxa de renovação do ar ambiente.

Essa medida preventiva deve ser adotada mesmo quando o sistema de refrigeração do ambiente é central, fato bastante comum em prédios.

Os veículos também requerem cuidados especiais, principalmente nas grandes cidades. Isso porque, devido ao trânsito intenso, a maioria das pessoas fica muitas horas dentro dos carros, ou seja, mais expostas aos riscos. “O filtro do ar-condicionado do automóvel precisa ser limpo regularmente, pois, com o uso, as impurezas captadas no ambiente externo saturam o filtro e contaminam o ambiente interno”, explica o pneumologista.

Nos carros, também é necessário estar atento à renovação do ar, isso porque o gás expelido pelo motor pode contaminar o ambiente interno do veículo – fora isso, quanto maior for o número de pessoas dentro do carro, maior será a saturação da qualidade do ar. É recomendado, além da manutenção e regulagem adequada do sistema, abrir as janelas por alguns momentos, alternando o modo de ventilação periodicamente. “Com essa medida simples, evita-se o acúmulo de impurezas no ar e no próprio motor”, esclarece o médico.

A baixa umidade do ar é outro problema que pode ocorrer com a utilização contínua de aparelhos de ar-condicionado, mesmo que a manutenção dos equipamentos seja adequada. O ar-condicionado ligado por muito tempo num ambiente fechado, explica o médico do Incor, diminui a umidade do ar. Com isso, há ressecamento das vias aéreas (brônquios), o que provoca irritação no nariz e garganta e facilita o agravamento de doenças respiratórias como asma e DPOC. O médico fala que o índice de umidade do ar em qualquer ambiente deve estar acima de 30% – abaixo disso, considera-se estado de alerta.

Informe da Secretaria de Estado da Saúde, São Paulo, publicado pelo EcoDebate, 25/01/2010

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Eletronuclear indicará até fevereiro regiões para construção de novas usinas nucleares.

A Eletronuclear deve enviar até o próximo mês ao Ministério de Minas e Energia um estudo apontando as regiões em que serão construídas as próximas usinas nucleares no país. A informação foi dada na segunda-feira (18) por Leonam Guimarães, assistente da presidência da Eletronorte.

Segundo Guimarães, serão indicadas, inicialmente, cinco microrregiões nos estados da Bahia, de Alagoas, de Sergipe e de Pernambuco e, até o fim do ano, após a conclusão de outros levantamentos, o governo deve definir os locais exatos em que serão construídas as usinas.

Ele informou que atualmente estão sendo estudadas microrregiões nas quais é possível instalar uma central, com uma análise do litoral e dos vales dos grandes rios, como o São Francisco e o Sergipe. “Até fevereiro, vamos enviar ao governo (as conclusões do estudo)”, disse Guimarães, que participou nesta segunda-feira, no Rio, do Seminário Nacional de Energia Nucelar.

De acordo com o representante da Eletronuclear, nas próximas etapas serão feitos levantamentos mais aprofundados, incluindo pesquisa de campo de cada uma das microrregiões apontadas, além do desenvolvimento de relatórios de impacto ambiental. Ao fim de todo o processo, o governo, “a quem cabe a decisão política”, se encarregará de escolher os locais específicos para construção das usinas.

Ele informou que a Eletronuclear deve iniciar neste ano estudos para a construção de outras usinas na Região Sudeste. Para tanto, a estatal negocia um novo contrato com a Coordenadoria dos Projetos de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) para elaboração das pesquisas. “Ainda não começamos, mas vamos começar a estudar (essa região) neste ano. Espero que no ano que vem tenhamos condição de apontar os locais”, concluiu.

Na opinião de especialistas, a energia nuclear é uma alternativa economicamente viável e ambientalmente sustentável para suceder os combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão. Segundo o Ministério de Minas e Energia, com apenas um terço do território prospectado, o Brasil detém a sexta maior reserva de urânio do mundo. O país está entre as sete nações que têm conhecimento e meios para gerar energia elétrica de fonte nuclear.

Fonte: AmbienteBrasil/Agencia Brasil

Clima de micose.

A paracoccidioidomicose (PCM) é a micose sistêmica (isto é, que ataca órgãos internos do corpo) mais prevalente na América Latina. Mas, ainda que a PCM seja conhecida há mais de um século – o primeiro caso foi descrito em 1908 pelo médico Adolfo Lutz (1855-1940) –, até hoje pouco se conhece sobre a ecologia do fungo que causa a doença.

Utilizando dados epidemiológicos e climáticos, um grupo interdisciplinar de pesquisadores paulistas aplicou métodos estatísticos para criar um modelo capaz de avaliar a influência do clima na variabilidade da doença.

O trabalho se baseou em casos ocorridos entre 1969 e 1999 na região de Botucatu (SP), que é uma área considerada hiperendêmica. A PCM, também conhecida como blastomicose sul-americana, ou doença de Lutz-Splendore-Almeida, é endêmica na América do Sul.

A pesquisa, cujos resultados foram publicados na revista International Journal of Epidemiology, da Universidade de Oxford, concluiu que a presença do fungo cresce, a longo prazo, quando há um aumento da armazenagem de água no solo. E, a curto prazo, há maior liberação de esporos quando aumenta a umidade absoluta do ar. A PCM afeta especialmente trabalhadores agrícolas e indivíduos que lidam diretamente com a terra contaminada com os esporos do fungo.

De acordo com a primeira autora do artigo, Ligia Barrozo, professora do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da Universidade de São Paulo (USP), o agente da PCM, o Paracoccidioides brasiliensis, raramente tem sido identificado na natureza e não havia estudos correlacionando a incidência da doença com variáveis climáticas.

“Existem evidências de que as pessoas adquirem a doença por inalação dos esporos do fungo provenientes do solo. Mas há grande dificuldade para se isolar o fungo do solo e, por isso, não conhecemos muito bem a ecologia desse agente, ou seja, não sabemos quais são os ambientes mais favoráveis para seu desenvolvimento e por que algumas regiões têm incidência maior, por exemplo”, disse Ligia à Agência FAPESP.

Segundo ela, a doença, em sua forma crônica, pode demorar várias décadas para se manifestar, o que dificulta os estudos, já que um indivíduo infectado pode ter adquirido a micose em outra época, em locais muito diferentes. Por isso o estudo foi focado na forma aguda, que se manifesta no máximo em 11 meses.

“Utilizamos dados epidemiológicos de uma região endêmica importante, que é a de Botucatu, e analisamos 91 casos ocorridos em 40 anos. A partir das datas das ocorrências, procuramos correlações com diversas variáveis que estavam disponíveis no período estudado: precipitação, temperatura do ar, armazenamento de água no solo e umidade absoluta e relativa do ar”, afirmou.

Com isso, os cientistas chegaram a um modelo que explica, em 49% dos casos, a variação de incidência, tendo em conta a umidade absoluta do ar e o armazenamento de água no solo nos dois anos anteriores às infeccções. “Há uma série de outros fatores, além do clima, que explicam a ocorrência da doença. Portanto, a correlação da ocorrência da doença com os fatores climáticos em 49% dos casos foi algo estatisticamente bastante significativo”, explicou Ligia.

Alterações climáticas - A partir do modelo, a equipe procurou explicar qual seria o significado biológico, para o fungo, da correlação entre a incidência e as condições climáticas. “Vimos que o aumento da umidade absoluta do ar no ano da infecção é importante para a liberação de esporos do fungo. Mas, quando há um aumento da precipitação dois anos antes da infecção, a umidade no solo cresce e o fungo se desenvolve ainda mais”, disse.

Segundo Ligia, a principal contribuição do desenvolvimento do modelo consistiu em verificar que mudanças ambientais rotineiras podem alterar a incidência de doenças como a PCM.

“Há estudos mostrando, por exemplo, que as mudanças climáticas têm impacto sobre a dengue e a malária. Nosso trabalho indica que alterações climáticas também podem modificar a incidência de doenças menos conhecidas, que não são transmitidas por vetores específicos, como as micoses endêmicas”, disse.

O artigo mereceu um comentário na mesma edição do International Journal of Epidemiology, feito por Dennis Baumgardner, da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos.

Segundo o cientista norte-americano, o trabalho brasileiro “fornece evidências de que os fenômenos climáticos e as atividades humanas no nível ‘macro’ agem de forma integrada com fatores ecológicos em nível ‘micro’, afetando o crescimento, a disseminação e a infecção humana por fungos sistêmicos”.

Baumgardner afirma ainda que estudos como esse, “se não obtiverem sucesso definitivo, no futuro, em termos de previsão e mitigação da doença, podem servir para orientar a seleção de amostras ambientais e contribuir para resolver os mistérios que cercam os nichos ecológicos desses importantes fungos”.

Além de Ligia, participaram do estudo mais dois pesquisadores da USP: a meteorologista Maria Elisa Siqueira Silva, também do Departamento de Geografia da FFLCH, e Gil Bernard, do Laboratório de Pesquisa Médica em Dermatologia e Imunodeficiências e do Laboratório de Micologia Médica da Faculdade de Medicina.

Os outros autores são da Universidade Estadual Paulista (Unesp): Eduardo Bagagli, do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Biociências de Botucatu, Rinaldo Mendes, do Departamento de Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina de Botucatu, e Silvio Marques, do Departamento de Dermatologia e Radioterapia.

(Fonte: AmbienteBrasil)