terça-feira, 4 de novembro de 2008

Escudeiro do subsolo

Pesquisadores da UFPR criam novo produto para impermeabilizar solos e evitar contaminação

Um dos maiores problemas que envolvem a construção de aterros sanitários é o risco de contaminação do solo, em especial das reservas de água subterrâneas. Para evitar esse tipo de acidente, normalmente se recobre a área com solo compactado e sobre ela se estende uma manta plástica de alta densidade (geomembrana).

O processo, bastante caro, deverá ser substituído daqui a alguns anos por outro mais eficiente e mais barato. É esse o objetivo do engenheiro civil Eduardo Dell’ Avanzi, que lidera um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) na área de geotecnia. Para a realização do trabalho, a equipe conta com parcerias de outras universidades e empresas nacionais.

“Estamos desenvolvendo um método para fazer com que o solo seja capaz de repelir água, protegendo-o do principal agente contaminante: o chorume”, revela Dell’ Avanzi. O chorume, que agrega agentes patogênicos e toxinas, resulta da passagem de água por material orgânico em decomposição.

As pesquisas vêm sendo realizadas desde 2002, e até o momento a equipe já conseguiu controlar o processo de repelência em areia. Embora seja um material extremamente permeável, com a aplicação do novo método ela se torna capaz de sustentar uma coluna d’água de 9 cm. “Acreditamos que a indução da repelência de água em solos argilosos poderá torná-los capazes de sustentar colunas d'água ainda maiores”, adianta o engenheiro.

No momento a equipe vem trabalhando com aerossol de teflon (nome comercial do politetrafluoroetileno), que é borrifado sobre a camada de solo. Normalmente, durante um processo de infiltração, a água flui por pequenos canais (capilares), progredindo conforme a interação entre a tensão superficial do líquido e as partículas de solo.

“Induzindo os grãos a repelir água, graças ao uso de um material como o teflon, a tensão superficial do líquido atua em sentido inverso, dificultando a infiltração”, explica Dell’ Avanzi. Outro foco da pesquisa é o desenvolvimento de um agente indutor de repelência alternativo a partir de ácido húmico, um dos componentes do chorume. A previsão é de que esse novo produto (que deverá substituir o teflon) se torne comercialmente viável daqui a alguns anos.

Comparação
Entre areia e argila há uma grande diferença de comportamento no que diz respeito à maneira como as partículas se agregam. Por serem muito menores que grãos de areia e por serem carregadas eletricamente, as partículas de argila, no arranjo alcançado durante um processo de compactação, são influenciadas pela umidade do solo e pela presença de sais e outras substâncias iônicas.

“Por isso, a interação entre o agente repelente e as partículas de argila é mais complexa, envolvendo forças em escala microscópica“, diz o engenheiro da UFPR. Como é desejável que a cobertura de aterros seja eficiente durante muitos anos, deve-se avaliar o desempenho, a longo prazo, do solo repelente quando submetido a sucessivos ciclos de umedecimento e secagem.

Outro aspecto relacionado com aterros sanitários é a geração de gases pela decomposição de matéria orgânica. Seu aproveitamento já é feito há muito tempo por meio de biodigestores, que confinam o lixo e, graças a um processo de fermentação anaeróbica, liberam gás metano. Mas isso é realizado em pequena escala. A equipe está desenvolvendo métodos mais eficientes para o aproveitamento desse resíduo. O gás metano – um dos causadores do efeito estufa – tem elevado potencial energético, e seu adequado aproveitamento na geração de energia limpa poderá ser convertido em créditos de carbono para o Brasil.


Guilherme de Souza
Especial para Ciência Hoje/PR

2 comentários:

Ligia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ligia disse...

Olá,
Estou entrando em contato contigo para te convidar para um encontro sobre sustentabilidade que vai acontecer em São Paulo nos dias 20 e 21 de novembro. É o Global Forum América Latina, um encontro de inovação criativa para estimular a cooperação entre universidades, empresas, poder público e sociedade, em prol da construção de um mundo sustentável. Serão dois dias de trabalho na Fecomércio, onde cerca de 500 pessoas discutirão propostas e soluções inovadoras que promovam transformações econômicas e socioambientais positivas.

O evento tem uma taxa de inscrição de R$ 120,00 para professores e R$ 60,00 para alunos, mas para blogueiros e ativistas de sustentabilidade na internet temos uma cota de convites especiais, sem custo algum.

Neste encontro, os sistemas de ensino superior, especialmente as escolas de administração de empresas e cursos correlatos, serão inspirados a levar essa reflexão para dentro de seus cursos, a fim de proporcionar capacitação em desenvolvimento sustentável.

Achei que este assunto te interessa então tomo a libersade de enviar este material.

Se quiser mais informações visite nosso site:
www.globalforum.com.br

Se quiser aceitar nosso convite, responda esta mensagem em sp@globalforum.com.br
com o assunto: CONVIDADOS DA INTERNET


Atenciosamente,
Ligia Giatti
ligiagiatti@gmail.com